Público, 24 de Setembro de 2008.

António Pina conclui, certeiramente, que «há modelos de avaliação “mais objectivos, menos burocráticos e mais eficientes”».

De qualquer modo, julgo que as 12 horas calculadas para a avaliação de cada docente estão largamente abaixo da situação real, antes correspondendo a uma espécie de ideal velocidade de cruzeiro, quando tudo estiver testado, criado e implementado. Ou seja, daqui por 2 a 3 ciclos de avaliação. E nem sequer é explicado como são contabilizadas, porque só as 5 aulas assistidas previstas para ano lectivo significam 10 horas de tempo dos docentes (5 para o observado, 5 para o observador). E num ano «normal» significam 6 horas a que acresce todo o outro trabalho de reuniões, preenchimento dos formulários, discussão da classificação, etc, etc.

Ou seja, 12 horas não é um número credível, muito menos para este ano lectivo.

De qualquer modo, e mesmo assumindo as 12 horas por docente, num agrupamento/escola com 150 professores isso significa um dispêndio de 1800 horas anuais.

Não me parece que isto seja muito razoável.

E, repito, julgo que a cumprir o que está determinado na legislação – e não nas simplificações laterais, que visam mudar as coisas sem perder a face – o tempo gasto na avaliação de cada docente, incluindo avaliador e avaliado,  andará pelo dobro. E não estou a exagerar.