Prova de recuperação não é para punir alunos

Circular de Direcção Regional avisa que alunos faltosos podem prestar prova escrita, oral ou até prática
A Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo enviou uma circular às escolas avisando-as que a prova de recuperação, feita em caso de excesso de faltas, poderá não ser escrita mas oral ou prática, consoante “a situação específica do aluno”.
A circular começa por sublinhar que a prova não deve ser encarada como uma medida “estritamente punitiva” mas decorrente dos deveres inerentes ao “direito à educação”.
“Enquanto instrumento de avaliação, a prova de recuperação deve ser adequada à situação específica do aluno e à natureza da disciplina ou disciplinas, o que pressupõe o recurso aos instrumentos de avaliação considerados mais apropriados para que o aluno faça prova da sua recuperação (…); isto é, o formato da prova a aplicar decorre da situação específica, podendo ser de natureza oral, prática ou escrita” – lê-se no ofício circular nº 14 enviado no dia 11 de Setembro a todos os estabelecimentos de ensino abrangidos pela DRELVT e que foi divulgado em blogues na Internet.

Já aqui tinha escrito sobre isso, mas posso ser mais explícito: a prova de recuperação destina-se a punir os professores que, de forma inconsciente e perfeitamente perversa, sem sentido de Estado e sem uma atitude construtiva, insistem em marcar faltas de presença aos alunos que não estão presentes nas aulas, contribuindo desnecessariamente para as estatísticas do absentismo e, indirectamente, para as do abandono escolar.

Quando os professores perceberem que, depois de desaparecerem as faltas de material, das faltas de atraso terem sido desaconselhadas (porque não se pode proibir o aluno de entrar na aula e, entrando, esteve presente e não pode ter falta, mesmo que por lá tenha passado 10 minutos) e das faltas disciplinares poderem dar enormes dores de cabeça, só falta desaparecerem as faltas de presença então o Portugal do Sucesso Educativo será uma realidade.

Aliás, deste meu púlpito nem sempre pessimista, lançaria ao ME o desafio de perseguir uma nova utopia, a concretizar nos próximos anos, se possível com esta equipa ministerial que tanto amamos:

Porque não acabar com o registo de faltas até ao fim da escolaridade básica e atingirmos assim 0% de absentismo?

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