No outOÓlhar o Miguel faz uma análise dos problemas actuais da classe docente e uma proposta de união na acção de todos, considerando que essa união se deve fazer em torno dos sindicatos, argumentando, de forma mais ou menos directa, que não o fazer é entrar na táctica do Governo de dividir os professores.

Pelo caminho reclama, em particular, o contributo dos «Ramiros e dos PGuinotes», para além «dos movimentos e dos grupos» para esse esforço de união. O Ramiro Marques já respondeu de forma favorável a esse pedido de união, concordando, no geral, com a análise do Miguel, acrescentando ainda que considera o poder dos blogues algo ilusório e inorgânico.

Compreendo a análise, aceito até muitas das premissas, mas mantenho algumas reservas, parte das quais posso expor sem problemas, enquanto outra parte ficará reservada por agora, por poder ferir susceptibilidades mais apuradas.

Eu a este respeito, e como introdução a uma discussão mais alargada, colocaria apenas algumas questões incómodas:

  • De que «sindicatos» se fala quando falamos de sindicalismo docente? A Plataforma Sindical continua, ela própria, unida? Porque o que temos visto desde o início do ano lectivo são tomadas de posição particulares das duas maiores federações e o silêncio quase absoluto do resto. Por isso, como ponto de partida, eu gostaria de saber se os sindicatos estão unidos numa frente de acção política comum.
  • Em seguida, gostaria ainda de perceber se existiram, da parte dos sindicatos, acções concretas no sentido de cativar os «movimentos e grupos» para uma acção comum ou se, como sei ter acontecido em alguns círculos, a linguagem e atitude para com esses movimentos independentes continua a ser algo, vamos ser minimalistas, marcado pela desafeição evidente.
  • Para além disso, gostaria ainda de perceber se na preparação da manifestação de 8 de Março, a pluralidade de movimentos, atitudes e tendências não foi a força maior que fez estarem 100.000 nas ruas de Lisboa. Sei que os sindicatos foram essenciais no enquadramento e organização da maior parte dos presentes, mas sei também que algumas dezenas de milhar de colegas, que fizeram a diferença para a manifestação esperada por todos (do Governo aos sindicatos, passando pela comunicação social) não estariam lá se não tivessem sentido que ali se encontravam livremente todas as vozes e não uma pirâmide hierárquica de comando.
  • Por fim, resta explicitar melhor a minha posição pessoal nisto tudo. É simples: represento-me a mim mesmo e mais nada. Ponto final. Por razões de ordem familiar (que os mais próximos conhecem) tenho a minha capacidade de acção limitada. Por razões de natureza indissiocrática sou adepto do trabalho em equipa, mas avesso a disciplinas organizacionais impostas de fora para dentro. Inorgânica ou não, a blogosfera é mais o meu elemento do que as incessantes reuniões de grupos de trabalho para as quais tenho escassa paciência. Não sou sindicalizado por ser anti-sindicalista, mas sim porque acho que (me) chatearia mais estando dentro do que estando por fora. Assim podem ignorar-me sempre que queiram ou pedir colaboração quando o desejarem. Não recuso essa colaboração, à partida, seja com quem for, mas conheço os meus limites. A minha pasagem por tudo isto é efémera, eu sei, e é isso que pretendo. Apenas tento ajudar como posso e sei. Mais nada.