O editorial de José Manuel Fernandes, hoje, no Público, que a mão amiga da Renda de Bilros me fez chegar com a simpatia habitual, tem tudo a ver com o meu post sobre a bisbilhotice como modo de vida actual do Estado, Central ou Local.

Também hoje ouvi na rádio (TSF?, RCP?, mas já lera aqui) que as Finanças estão a criar uma «imensa base de dados» (termos da notícia com o «perfil» do contribuinte que não cumpre os seus deveres fiscais. Ouvi falar de «contribuintes de risco», de «contribuintes vulneráveis» e até de algo como «contribuintes em início de vida» (esqueceram-se de acrescentar o «fiscal»).

Se é verdade que acho inadiável o combate à evasão fiscal, tenho imensas dúvidas quanto a esta forma de catalogar os contribuintes. Em especial quando, por experiência própria, sei o que são os erros da «máquina» e o que custa demonstrá-los, sem ser com uma imensa dose de mau feitio e teimosia (para além da razão e documentos comprovativos, claro).

Porque me parece que se detecta a evasão fiscal de outras maneiras até mais eficazes do que colocar uma cruz vermelha (preta ou amarela) a seguir a alguns (muitos!) nomes e NIF, com base em critérios que não sabemos.

E é aqui que – como J.M. Fernandes – descubro que afinal sou «liberal», naquele sentido mais radical do termo. Gosto de me sentir livre, sem intromissões abusivas na minha cada vez mais diminuta privacidade.

Já pouco nos resta que escape às bases de dados do Estado. Agora querem chipar-nos para saberem por onde andamos e como andamos. Número único parece que também vem aí com o tal C.U. (Cartão Único). Só falta mesmo um uniforme às listinhas.

Bílis Final: Claro que a generalidade dos auto-proclamados «liberais» que leram muito Hayek, Friedman e alguns mesmo Tocqueville e Popper (e não apenas em recolhas de citações), andam demasiado preocupados com uns tirinhos na Quinta da Fonte. Percebo-os, se deslocalizarem demasiado certas e determinadas comunidades, quem arranja depois uns chips contrafeitos?