Já sendo possível ler todo o estudo feito por João Freire para o Ministério da Educação sobre a reorganização da carreira docente, destacam-se com clareza alguns aspectos que antes se adivinhavam, mas que por mais que se enunciassem e se afirmassem ser verdadeiros, careciam de demonstração para convencer os que insitem em manter-se cépticos.

Por outro lado, e aqui podem acusar-me de alguma obsessão, é para mim particularmente interessante reparar como as pessoas são capazes de moldar-se às situações e transformar antigas (?) convicções em novos credos.

As duas passagens que adiante se inserem, das páginas 12 e 13 do dito estudo são sintomáticas destas duas situações.

Na primeira, um histórico (ex?) anarquista de longo historial considera que a estrutura da carreira docente «única», criada pelo estatuto dos anos 90, apesar de «interessante», abriu portas a «ilusões igualitárias».

Na segunda é admitido que o principal problema dessa estrutura era o facto de os 3 últimos escalões da carreira representarem um encargo anual de 63% das despesas com o pessoal, facto que é considerado indesejável, em primeiro lugar, «para a despesa pública paga pelo contribuinte». O que explica desde logo o porquê da localização do garrote na progressão do antigo 7º para o 8º escalão.

(…)

Perante isto, resta saber se ainda alguém considera que a revisão do Estatuto da Carreira Docente teve algumas preocupações de revalorização da dita carreira, da promoção do mérito ou mesmo de qualquer esforço por equipará-la a outras carreiras públicas nacionais ou a carreiras docentes além-fronteiras. É que para desmentir isso eu tenho já preparadas outras passagens do dito estudo.