Peça interessante de Carla Tomás no Expresso de hoje, porque realmente isto deu muito nas vistas, de subitamente termos o milagre da subtracção das negativas e multiplicação do sucesso nas provas de aferição de Matemática.

Agora com os exames do 9º e 12º anos parece que existe alguma perturbação quanto às estratégias de classificação e são desencontrados os boatos quanto aos níveis de (in)sucesso.

Afirmar como faz o presidente do GAVE que a melhoria se deve ao acréscimo de meia hora para a realização dos exames é esquecer que isso não se passou com as provas de aferição. É apenas usar argumentos sem sentido e inaplicáveis às situações em causa.

Quanto à polémica relativamente aos critérios de classificação das provas e exames, só quem passou por isso sabe como os critérios oficiais publicados no site do GAVE são uma coisa e as indicações que chegam às Unidades de Aferição e aos professores classificadores dos exames são outra razoavelmente diversa. E nem ao fim de alguns anos deixou de ser um incompreensível work in progress.

Mas toda esta discussão teve um efeito altamente positivo que é comparar as diferenças de atitude entre ME e professores nesta matéria: enquanto o primeiro se satisfaz com a construção estatística do sucesso, os segundos preferem a construção de um sucesso real, baseado num bom desempenho assente em aprendizagens realizadas e consolidadas.