Este é o mundo onde eu vivo e trabalho, não um qualquer mundo de fantasia criado na cabeça de alguns teóricos de gabinete, que acham que tudo se faz por decreto.

Da 5 de Outubro mandam transferir competências em Setembro. No terreno, as autarquias da Área Metropolitana de Lisboa e, especificamente, as da Península de Setúbal, recusam-se a recebê-las. No meio do fogo cruzado, as Escolas, os alunos, os funcionários, os professores.

Ao reler algumas passagens do livro Imperial Life in the Emerald City sobre a vida na Zona Verde de Bagdad nos meses após a invasão americana do Iraque e sobre o completo desfasamento entre a vida nessa espécie de oásis e o que se passava na cidade cada vez mais caótica em seu redor, encontro muitos pontos de contacto entre o que se passa na cabeça e nos gabinetes do ME e o mundo real em que a maior parte de nós vive.

Logo no início descreve-se como, perante um atentado que matou dezenas de pessoas numa mesquita a dez minutos da dita Zona Verde, ao jantar, os burocratas enviados por Washington afirmavam que não tinham tido tempo de ver os noticiários porque estavam a preparar um óptimo projecto de Constituição para o Iraque, que iria servir de modelo para todo o Médio Oriente.

Azar nosso, os que vivemos do lado «de fora» das bolhas da irrealidade legislativa.

A notícia, com declarações de autarcas de vários concelhos da Margem Sul e do presidente da Fersap, é do jornal Sem Mais, distribuído com o Expresso aos fins de semana.