Dizem os apóstolos de um pretenso novo paradigma educacional que o Graal da excelência educativa está na territorialização das políticas educacionais, no envolvimento dos actores locais e no estreitamento da relação entre os estabelecimentos de ensino e a comunidade envolvente.

Em sintonia com isto os projectos educativos devem atender aos contextos locais, assim como a própria gestão das escolas e a própria oferta formativa disponibilizada a alunos e professores.

Sendo escassas as estruturas existentes no terreno, e já em funcionamento, que estão de acordo com esta lógica, avultam como excepções os Centros de Formação de Professores herdados do tempo das vacas gordas europeias prodepianas que, pelo menos na minha zona, têm uma base municipal.

Ora aqui estaria um bom ponto de partida para desenvolver um trabalho articulado com os agentes locais em matéria de formação de professores e sua ligação à comunidade envolvente. Nada melhor que Centros de Formação deste tipo para dinamizarem acções de formação para docentes mas também para as próprias famílias, assim como outras iniciativas de âmbito local.

Nada de mais errado de acordo com o ME. As indicações são agora para eliminar Centros de Formação ou juntá-los de maneira a reduzir em 50% (no mínimo) o seu número. Agora querem-se Centros de Formação que cubram vários concelhos. Percebe-se o esforço de «racionalização»: não havendo dinheiros do PRODEP há que poupar. Em contrapartida, nascem aqueles Centros de Validação e Qualquer Coisa das Novas Oportunidades um pouco por todo o lado. O que fará todo o sentido, ou talvez não, dependendo do lado que se está da torneira dos dinheiros europeus que chegam, agora ao que parece obedecendo à lógica do QREN.

Fecha-se e amalgama-se aqui, para abrir e multiplicar ali.

Mas acredito que tudo resulte de uma visão estratégica e tecnológica do nosso Progresso Maravilhoso que nos conduzirá até ao nível de desenvolvimento do qual cada vez nos afastamos mais.

Confuso? Paradoxal? Uma contradição nos seus próprios termos?

Não e sim, pois é apenas mais do mesmo que temos há coisa de 20 ou mais anos nestas matérias.