Quinta-feira, 12 de Junho, 2008


Excelente banda sonora para uma extraordinária série televisiva, em especial se nos concentrarmos apenas na primeira série nos abstrairmos da tentativa de sequela e do filme que tentaram explorar o filão, tentação a que David Lynch devia ter resistido.

Afinal, todos tinham morto um pouco Laura Palmer…

Resultados do Barómetro Político da Marktest para o mês de Maio. Nem tudo são rosas, senhor…

Intenção de voto:

Apreciação positiva do senhor engenheiro em declive constante:

Confiança do eleitorado em completa derrocada atingindo níveis que na ficha técnica se encontram na categoria mais baixa de «pessimismo acentuado».

Artigo de Santana Castilho no Público:

Denúncia no site da Fenprof quanto à redução dos alunos abrangidos pela Educação Especial, apresnetando exemplos concretos:

Agradecendo os materiais ao João B.

Antes de mais este post é motivado pela necessidade aparente de, nos dias que correm, escrever camionistas, Euro 2008, golos, Cristiano Ronaldo ou gasolina para dar nas vistas.

Em seguida, a outra razão é mais substancial, ou seja, os governos deste país, se pudessem, tinham euros e mundiais de futebol de 3 em 3 meses desde que tivessem garantido que o Scolari ressuscitava sempre o Deco, que fazia o Pepe descobrir que teve ascendentes nas Batalhas de São Mamede, Aljubarrota e das Linhas de Torres, que percebia que o Moutinho é mesmo o 10 que fazia falta e que convencia o Cristiano Ronaldo a não estar sempre a olhar para o ecrã gidante dos estádios como no último Mundial.

Se a selecção calha ter feito dois maus resultados na abertura do Euro tenho a quase certeza que as filas para abastecer o depósito do gasóleo e gasolina que só faltaram exactamente por causa dessa ânsia de abastecimento seriam bem menos pacíficas. Ou mesmo os próprios piquetes de greve eram capazes de estar mais carrancudos e as forças policiais menos contemplativas.

Assim fica toda a gente, de sorriso nos lábios, a comentar o futebol e quase nos faz retroceder a anos como 1984 em que o Euro de França, mais os golos do Jordão e as fintas do Chalana, quase iam fazendo esquecer a governação do Bloco Central, ou a 2004 quando o Euro cá no burgo fez esticar a tanga que o José Barroso nos fez vestir.

O problema vai ser a ressaca, mesmo se o verão vai estar à porta. Nem que sejamos campeões da Europa isso vai fazer com que o Setembro seja mais apetecível, porque então já o opiáceo estará quase sem fazer efeito.

Cartoon de Baptistão

Agradecendo desde já o recorte do Jornal de Notícias de hoje à Laura S. só comentaria por agora que não percebo bem como é que são feitas as contas que indicam que cada titular terá apenas 5 docentes para avaliar. Mas afinal não se podia delegar a função apenas em caso de existirem mais de 12 docentes rasos a cargo?

Lá vem mais um episódio caricato do quotidiano.

Ficha de trabalho de História sobre a cultura portuguesa no século XVI (já sei, matéria inútil de abordar, em especial no 5º ano, para que quer a miudagem saber disso?) só para aborrecer o pessoal até à penúltima semana de aulas.

Pergunta de resposta múltipla e variada sobre as ciências que mais se desenvolveram na altura da Expansão. Para não dificultar existem cinco hipóteses verdadeiras e três manifestamente falsas, daquelas que até ao hectómetro, quilómetro e metro cúbico se percebe estarem ali só para ocupar espaço: Música, Genética e Sociologia.

Julgo que como resultado do sucesso actual da Sociologia no nosso mercado político-académico, enquanto em vinte respostas, apenas me aparecerem três músicas e duas genéticas, a Sociologia conseguiu arrebatar oito-escolhas-oito.

Mesmo se tal palavra nunca foi dita na aula, se não existe no livro (que podia ser consultado e tudo…) e acho que também não no caderno (nunca sabemos o que por lá fica registado, verdade se diga), tenho oito alunos (40% da turma) que acham que a Sociologia se desenvolveu bastante no século XVI em Portugal.

Vai-se a ver e até já existia um ISCTE por cá e ninguém me informou.

Post de Rui Baptista no De Rerum Natura:

O Prestígio Perdido dos Professores

Embora concordando, em traços gerais, com a análise da situação da docência, em particular da sua heterogeneidade, cada vez mais acho que o «prestígio», apesar de atacado e de alguma erosão, resiste melhor do que se suporia. Aliás, acho mesmo que se consegue fortalecer tanto mais quanto forem injustificados e descabelados os ataques que lhe são movidos.

Se é verdade que, como grupo ou individualmente, atravessamos um período de maior desânimo, o que não nos consegue matar acaba por nos fortalecer.

A ler, com um sorriso de orelha a orelha, dando a volta pela calva planura mais lá em cima, a crónica de hoje de Pedro Lomba no DN ou o retrato perfeito, hilariante, do nosso Portugalinho dos bons/maus costumes.

O SALAZARISTA E A QUARENTONA

Notícia do Público (p. 10) de conteúdo sem link permanente:

Quase um terço da população queixa-se de dor crónica

O cartoon (dramático) do Antero.

Não sou, de forma assumida, um grevista militante em termos tradicionais. Sou o que alguns poderão mesmo considerar um «contestatário de sofá» (se bem que dê um bocado de trabalho trazer o sofá para defronte do computador).

Por isso não fico logo todo entusiasmado ao primeiro berro de «Abaixo o Governo!» ou super-solidário com qualquer contestação que apareça ao virar da esquina. Detesto que me obriguem a fazer greve, como já fizeram no passado. Mas também não gosto que tentem retirar a quem a quer fazer e sensibilizar os colegas o direito a fazê-lo.

E não sei se desgosto mais dos excessos de quem quer fazer valer o seu ponto de vista à força do que dos daqueles que querem à força reprimir todos os excessos.

Nos últimos 20 anos, com a cobertura de subsídios da CEE/CE/UE fomos todos levados a acreditar que íamos ser «modernos», à excepção do Manuel Carrilho e do Sousa Santos que há muito sabem ser «pós-modernos».

O preço a pagar por algumas facilidades na vidinha foi o adormecimento geral da sociedade. Houve ali uns lampejos de mau feitio por 93-94 quando o cavaquismo se desagregava, mas de lá para aqui tudo amainou. Levámos com o pântano guterrista e aguentámos. Levámos com o cherne da tanga e aguentámos, enquanto ele não foi para prados mais verdes. Levámos com o Santana e até achámos graça, por estranho que pareça. Fomos ficando abúlicos, apáticos, dormentes.

A sociedade foi-se tornando asséptica e não falo só da questão do tabaco ou da faina da ASAE. Em termos políticos passou a a imperar o politicamente correcto. Até as extremas são politicamente correctas: do lado direito toda a gente fala em «responsabilidade» e «ordem» e do lado esquerdo todos se encrespam se alguém fala de «raça» ou diz algo mais humanamente sexista ou misógino.

Mas após um par de anos de um Sócrates estrídulo e irritadiço finalmente parece que uns quantos acordaram, começaram a abrir os olhos e, sacrilégio, a mexer-se.

Contra isso o «sistema» procura recompor-se e clama pelo regresso à «ordem», quando a desordem ainda é uma nebulosa vaga.

A Rua parece levantar-se como um fantasma para alguns.

Há que reagir, há que mostrar que existe um estado de Direito moderno, cosmopolita, europeu. Não queremos protestos independentes, desenquadrados, livres…

Há coisa de meia hora no Rádio Clube Português ouvi, em absoluto estado de incredulidade, um outrora irreverente Camilo Lourenço a clamar, com a compreensão de João Adelino Faria, por medidas contra os malandros dos camionistas que incluíssem:

  • Criminalização «pesada» dos actos cometidos.
  • Inspecções sistemáticas á contabilidade das empresas de camionagem.

Nem vou aqui medir os méritos do movimentos que nestes dias começou a perturbar o país ou se essas medidas teriam algum sentido (mas afinal o Fisco ainda não faz o seu trabalho? nem as polícias?), mas vou concentrar-me nesta metodologia do «pau neles» que Camilo Lourenço parece postular contra quem perturba a «ordem» asséptica de quem ele, bem instalado no seu sofá analítico, quer manter em conjunto com a «estabildiade das contas públicas», a nova Vaca Sagrada da vida política, arrancada dos tempos áureos da cotabilidade da mercearia salazarista (e não é que isto anda tudo ligado? desejo de ordem- equilíbrio das contas públicas-domesticação dos contestatários?)

Para Camilo Loureço, alguns pseudo-blasfemos e atlânticos engomadinhos a técnica deve ser – parece que já se esqueceram quando clamavam contra estas coisas há uns anos atrás – a da intimidação com base nos aparelhos do Estado.

É curioso como os liberais prescindem logo da defesa do Liberalismo, da Liberalidade e da Liberdade em geral quando algo lhes parece afectar os calos. E apelam ao Estado para disciplinar e trazer Ordem.

Liberalismo e Liberdade, sim, mas com maneiras. Estado, pouco mas sempre que lhes dá jeito.

Há contestação nas ruas? Mande-se-lhes o Fisco a casa e as Polícias que cacem os malandros nas ruas. E, de caminho, que tal a ameça de uns processos em Tribunal?

E isto é complicado porque, aberta a porta da réplica intimidatória o que se segue?

  • Ah!… Vocês protestam por causa do Centro de Saúde fechado e cortaram a estrada? Façam lá o favor de identificar, darem o nome e um dia recebes uma cartinha da DGCI que é para ver se descontaste fraldas e o puto já tem 3 anos.
  • E tu, gostas de escrever prosas a protestar por que te apetece? Julgas que podes sem levar com um par de processos em Tribunal para te calares? E que tal se um dia te aparecermos na Escola para ver se dás mesmo aulas?

Porque uma coisa é defender o Estado de Direito, outra usar o Estado para impor à força o que alguns acham que é o seu Direito.

Porque a Rua, com uns quantos descamisados por lá em piquetes parece que ainda despertam medos enraízados em algumas mentalidades frágeis e cada vez mais dependentes do sanitarismo político.

Se fosse para efeitos políticos, certamente gostariam de ter uma ASAE, com treino da Mossad, ao seu dispor.