Não é nada que não se saiba e não atinge apenas Presidentes de Câmara, mas igualmente vereadores e Presidentes de Assembleias Municipais. E em alguns casos gente muito activa no aparelho dos respectivos partidos que até já passou de forma quase sempre cinzenta e anónima por outras cadeirinhas do poder existente, sendo que esse poder é de todas as cores. E na maior parte dos casos aproveitaram todos os bónus previstos ou previsíveis em todos os regimes excepcionais da lei. Mas é sempre tudo legal, eu sei.

De acordo com estes dados, entre os aposentados cerca de 40% até estão abaixo dos 55 anos e eu sei, de conhecimento directo, dos que assim ficaram livres da carga do trabalho, antes mesmo dos 50 anos.

Por isso, poderá ser que com a municipalização dos serviços educativos – que entre nós será um triste simulacro de uma efectiva territorialização das políticas educativas – os professores possam aprender algumas estratégias de sobrevivência. Ou então, graças à maneira hábil como muitos souberam aproveitar-se de todas as reentrâncias das leis, ficaremos na chamada camisa de onze varas porque eles já a sabem toda e não gostam de partilhar a boa vida.

Porque isto não é demagogia, mas pura e simples observação dos factos: não há notícia de Presidente de Câmara com um par de mandatos que não tenha ficado acomodado para o resto da vida, seja num cargo qualquer numa espécie de empresa (inter)municipal, num organismo intermédio do Estado ou (os que ainda não se safaram, previsivelmente numa estrutura decorrente da disfarçada regionalização administrativa do país.

Demagogia é, isso sim, alguns destes senhores aparecerem a reclamar competências sobre um sector acerca do qual pouco conhecem ou já se esqueceram (sim há Presidentes que já foram professores) e que apenas querem ter sob a sua alçada para melhor estenderem os tentáculos dos polvos partidários locais e exigirem obediências variadas.

Há excepções, claro que há excepções e conheço até algumas, mas são isso mesmo, excepções.