É interessante notar a importância relativa que parecem ter certos encontros para os respectivos parceiros. No caso da Educação é público e notório que pais/encarregados de educação e professores devem trabalhar em conjunto e não em confronto.

Pelo que o diálogo entre as respectivas associações representativas – mesmo que essa representatividade nem sempre seja a maior – é sempre positivo. Em especial se for estabelecido de forma franca e sincera, não sendo muito útil quando existe apenas para efeito de coreografia.

Isto surge-me a propósito das reuniões todas na 5ª feira pela direcção da Fenprof com a direcção de duas confederações de associações de pais (CONFAP e CNIPE).

  • A estratégia sindical parece ser a de demonstrar que, na esteira do entendimento com o ME, há todo um trabalho a fazer e que os sindicatos (neste caso a Fenprof) estão numa fase especialmente construtiva da sua história. Na página de abertura do site (quem ler isto muito mais tarde já não deve encontrar o que refiro, mas podem acreditar na mesma) dá-se conta das reuniões havidas, sendo depois dado destaque à existência de convergência de posições em alguns aspectos da actualidade educativa. Sou suspeito, mas acho que essa é uma mera convergência retórica, pois eu posso estar de acordo com alguém quanto à necessidade de mudar o tipo de legislação sobre a venda de parafusos, só que eu posso querer vendê-los em caixas de 100 unidades (todos com a cabeça para cima) e o meu interlocutor que sejam vendidos à unidade ou em paletes de 10.000 (todos na horizontal). Existir uma convergência quanto á necessidade de alterar algo é algo potencialmente irrelevante e inócuo. Percebo ainda a forma da Fenprof querer colocar a CONFAP e a CNIPE em plano de igualdade no diálogo. É um truque interessante, mas tão só isso.
  • Já no caso das confederações de pais nota-se que para a Confap, a avaliar pelo seu site, a reunião nem existiu. Em termos de agenda percebe-se que o Pai da Nação tirou a 4ª feira para falar com os comunas, mas tão só isso. Claro que os destaques vão para a ida à Assembleia da República. Percebe-se que a relação preferencial se estabelece com os órgãos de poder – os verdadeiros parceiros preferenciais; o resto são formalidades a cumprir, a bem das conveniências democráticas. Não se vai negar uma reunião aos descamisados, pois não? Ficaria mal! Quanto á CNIPE, ainda uma estrutura semi-virtual, em processo de arranque, só quase se conhecem as posições de princípio, não existindo um espaço próprio.

O que extrair disto? Para mim, que a Fenprof faria bem melhor em perceber o que quer fazer neste momento, em vez de andar à cata de convergências em que ninguém verdadeiramente acredita.

Quanto ao MAP seria bom que percebêssemos exactamente se quer mesmo colaborar com os professores no sentido de melhorar a Educação deste país, se se assume como simples lobby junto do poder político para fazer valer as suas posições específicas.