Eu sei que todos temos direito a dar e vender as nossas opiniões. Que Fernanda Câncio tem todo o direito a escrever o que bem lhe apetece, também sei. Melhor ainda se lhe pagam para isso.

Agora o que também sei é que, por vezes, FC deveria provar do seu próprio remédio, no que se relaciona com a escrita da chamada bojarda e não ficar incomodada.

A mim, por exemplo, não me interessou nada o aparente caso Câncio/RTP2/PSD. O caso foi tão mesquinho que serviu principalmente para nos apercebermos das misérias em que nada a nossa vida política.

Já quando Câncio-jornalista vai para a porta das escolas criar «imediata empatia» com alunos e alunas fico na expectativa de ver o que sai de tão ditosa iniciativa.

Claro que sai aquilo que seria de esperar: pretensão, muita pretenção, juízo de valor fácil, ausência de qualquer olhar crítico sobre o que relata.

Câncio-jornalista sentiu-se bem entre jovens, sentiu que eles e elas gostavam dela. Que bom. Da conversa extraiu diversas banalidades que, é coisa da idade, o(a)s jovens empáticos não conseguiram ir mais além. E extraiu revelações bombásticas que até hoje desconhecíamos: há alunos que continuam a usar telemóveis nas aulas, «em silêncio» e que, graças a isso, não acompanham devidamente as aulas.

Sobre isso Câmcio jornalista nada opina.

Câncio-jornalista opina é sobre a «sotôra» que parece ir discutir a situação da Educação para as aulas.

Câncio-jornalista – lembremo-nos que é autora ou utilizadora da refinada, analítica e rigorosa expressão «lélé da cuca» para designar o então líder da Oposição – acha mal, muito mal e sabe que os alunos sabem que «está perfeitamente errada uma professora ocupar tempo de aulas a ventilar as suas objecções à política da educação».

Câncio-jornalista não se preocupa em reflectir um pouco sobre o que fez, nem sobre o que escreveu. Câncio-jornalista toma por bom um testemunho sem qualquer contraditório e faz disso lei. «Ó sotôra, então?» dirige-se ela em página de revista ajornalada, sem o cuidado de se ter dirigido à pessoa em causa.

Vá lá, não pediu um vídeo da aula para colocar imagens a ilustrar a sua crónica. Não identificou o «Liceu». Pelo menos cumpriu os mínimos dos mínimos.

Câncio-jornalista acha que os alunos «com 15 anos, têm maturidade suficiente para perceber que quem lhes devia dar o exemplo nem sempre está à altura».

Que querida é a Câncio-jornalista. Sabe tudo tão bem, tantas certezas em idade que julgo ligeiramente inferior à minha, eu que tenho tantas dúvidas.

Desde logo dúvidas sobre o exemplo que Câncio-jornalista terá dado a estes miúdos e a quem a lê.

Mas julgo que isso não lhe terá ocorrido, nem sequer penso que essa fosse a sua intenção.

Pois não?

(alguém está disponível para ir para a porta da redacção onde trabalha a Câncio-jornalista recolher «ditos» interessantes sobre a forma como ela, no seu local de trabalho, comenta a situação política nacional? Nenhum de nós, pois não? Seria um péssimo exemplo, eu sei…)

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