Há algum tempo conversava com um quadro médio-alto de uma empresa privada com milhares de funcionários espalhados por todo o país acerca da avaliação praticada no mundo empresarial privado.

Nas discussões em torno da avaliação dos docentes, muito foi escrito sobre a necessidade de adaptar as boas práticas das empresas privadas ao sector público, em especial da educação. Que a avaliação dos docentes era uma coisa fictícia, sem critérios. Algum tempo antes outro amigo confidenciara-me que estes modelos eram importados através de empresas de consultadoria muito chegadas ao partido no poder e que, se eu reparasse, muitos traços eram semelhantes.

Pedi então que me enviassem os documentos da avaliação interna praticada numa dessas empresas, com a necessária discrição e garantia de anonimato.

Após alguns contratempos lá me chegou ontem o pdf da ordem com os materiais.

Qual não é meu espanto quando descubro que, afinal, pelo menos neste caso, muito do que se afirma é um mito. Na dita empresa os parâmetros de avaliação são seis distribuídos por apenas duas categorias principais. A escala de pontuação contempla seis níveis e a avaliação do desempenho resulta da ponderção da auto-avaliação do funcionário com a avaliação do(s ) seu(s) superior(es) hierárquico(s).

Concretizando.

A avaliação divide-se em:

Avaliação das Competências Comportamentais, com três parâmetros:

  • Identificação (com a Instituição e os seus princípios)
  • Integridade
  • Resolução de Problemas

Avaliação de Conhecimentos Específicos, com outros três parâmetros:

  • Aplicação de Conhecimentos Específicos
  • Desenvolvimento e Aquisição de Novos Conhecimentos
  • Polvalência de Conhecimentos Específicos

E depois tudo isto é classificado de 1 a 6, só sendo necessário justificar de forma desenvolvida os níveis extremos (1 e 6). Eis a escala:

  1. Insuficiente
  2. Necessita de Desenvolvimento
  3. Adequado
  4. Bom
  5. Muito Bom
  6. Excelente

Os dois primeiros níveis serão «negativos», enquanto os dois superiores justificam bónus salariais de valor variável no final do ano.

Como disse, o avaliado preenche uma ficha de auto-avaliação e o(s) avaliador(es) outra. E já está!

Comparado com o modelo do ME, isto é uma maravilha de simplicidade e clareza, apesar de zonas cinzentas (a ponderação dos factores e das duas avaliações só em conhecida pelas chefias superiores).

E depois querem-nos fazer crer que a avaliação do desempenho proposta pelo ME é uma adaptação minimamente razoável do que acontece nas grandes empresas privadas.

Tenham dó! Aquilo é o resultado das pesquisas, corte e colagem de almas claramente seduzidas por labirintos e de pessoas com manifesta falta de algo com que ocupar o tempo de forma produtiva.

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