Já disse ontem que não estou muito inclinado para opinar sobre este Acordo Ortográfico que agora se vai finalmente erguer de 15 anos de inacção.

Já me estou pelos ajustes.

Agora existem duas regras básicas, apenas, que eu gostaria que este Acordo me garantisse, assim como qualquer acordo do género, presente, pretérito ou condicional, a saber:

  • Que o Acordo, qualquer Acordo, defenda a diversidade e riqueza da língua e não uma sua formatação empobrecedora. Serve este argumento para contrariar um pouco aqueles que afirmam que o Acordo é necessário porque a língua evolui e é necessário registar essa evolução. Se assim é, mesmo existindo um padrão da língua, qualquer acordo deve conter a liberdade da grafia variável que corresponde a cada variante linguística minimamente consolidada.
  • Que o Acordo, qualquer Acordo, para além de defender a diversidade, não enverede pela imposição da solução da quantidade como critério de uniformização. Porque assim, não me parece que exista grande respeito pela riqueza cultural, nacional ou regional. Quem ache que a grafia a usar como padrão deve ser a que se adapta melhor ao falar brasilês, porque eles são mais, então certamente quererá uniformizar o mirandês com o português.

Se o Acordo, este Acordo, só muda 1,6% das palavras não me interessa muito, pois nessa contabilidade devem estar todos os artigos definidos, indefinidos e por definir, assim como pronomes, preposições e muita palavra invariável ou avariada. O que me aflige é que, atávico e empoeirado como sou, ainda digo faqueto, ópetimo e aquetual. Devo ter nascido fora de época e uma pharmácia ainda me deixa um sorriso melanchólico nos lábios. Pelo que me parece que perco qualquer coisa ao olhar para um ótimo fato atual.

Leituras velhas e perigosas é o que é.