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Apesar de não referida essa qualidade, suponho que este texto se deve a Guilherme Valente, o director da Gradiva, editora que tem publicado alguns dos mais interessantes títulos em matéria de divulgação científica. E que, entre outros, teve a coragem de publicar alguns títulos da corrente anti-eduquesa mais dura, como é o caso das obras de Gabriel Mithá Ribeiro e Nuno Crato.

No entanto este texto incluído na edição de ontem do expresso deixa-me algo perplexo, pois não se percebe bem ao que vem.

  • Percebo que admira José Sócrates.
  • Percebo que continua a não gostar do chamado «eduquês» que considera continuar a dominar o ME.
  • Percebo que acha certa a política da Educação, embora ao mesmo tempo a critique por não estar a ser correctamente implementada.

No meio disto não se percebe exactamente o que quer dizer quando escreve:

  • Que a ministra foi «formada no caldo do eduquês», do qual nunca se terá distanciado. Ora se algo sabemos é que MLR não foi formada em caldo nenhum relacionado com as Ciências da Educação. Eduquês ou outro. Aliás, há três anos gabavam o facto de ela estar acima desses detalhes, por vir «de fora» do mundo da Educação. Seria curioso, inclusivamente, saber até que ponto há 3 anos ou mesmo há 3 meses MLR saberia distinguir as diversas correntes em confronto na área das Ciências da Educação sobre temáticas como a organização do currículo e do tempo escolar, a avaliação de docentes e alunos, a estrutura da carreira docente e a administração escolar. Acredito que conheça relatórios e estatísticas. O resto, duvido ainda hoje.
  • Quando parece dar razão a Walter [sic] Lemos nas suas disputas com Benavente, sendo que ambos são, estes sim, nados e criados no «caldo do eduquês», do qual apenas representam duas facções que disputam mais o protagonismo do que projectos verdadeiramente alternativos. Será que Guilherme Valente nunca leu a obra publicada por WL, em especial na primeira metade dos anos 90, com a chancela da texto Editora e apoio explícito do ME?

Por isso não se percebe bem de que «erro de casting» fala Guilherme Valente. Atribui as culpas à Ministra por tudo, é isso? Acha que ela é responsável pelos diplomas legislativos mais atentatórios do bom-senso? Acha que ela é a defensora do «eduquês» no ME e Walter [sic] Lemos o actor certo?

E neste contexto que lógica terá questionar quem «anda a tramar a Ministra»? Porque a expressão pode ser lida de duas formas. Quem a Ministra anda a tramar (e somos muitos), mas não o faz sozinha ou quem anda a tramá-la a ela e nesse caso acho que é a própria ajudada pelos homens que se movem na sombra, os consultores com modelos pré-formatados para a gestão e avaliação das organizações, não esquecendo ainda o referido WL que salta em frente na defesa de toda a obra legislativa do ME com a pujança de um leão em defesa das suas crias.

Por isso fico confuso, só me restando uma certeza: a Educação é que está a ser tramada e bem tramada.