E O ‘MICHAËLIS’ VAI PARA…

“Vergonha na Escola.” tem sido visto, revisto, discutido e analisado à exaustão. Infelizmente, a falta de hábito nestas matérias centrou o debate na temática da obra e não no seu potencial artístico. Em vez de se contemplar a qualidade estética, optou-se por espreitar a ética e ponderar a culpa da aluna, da professora, da escola, dos pais, da sociedade e, o que é arriscado, dos telemóveis.

Pode proibir-se tudo nas escolas, incluindo, como vem sendo norma, os derradeiros vestígios de autoridade e aprendizagem. Os telemóveis é que não. O telemóvel não é somente o móbil e o veículo dos filmes em erupção: é a esperança de uma indústria que nunca existiu. Consta que a actriz principal e o realizador serão transferidos (suponho que para Hollywood). O fundamental é que, atrás deles, venham milhares de vocações semelhantes, prontas a erguer os Nokia e a produzir arte. Uma boa ideia passaria pela organização de um festival alusivo, com prémios (os “Michaëlis”, digo eu) que impulsionassem este cinema verité, cru, não subsidiado e altamente recompensador. O “Michaëlis” pelo insulto mais original a um docente. O “Michaëlis” pelo tabefe menos tímido num docente. O “Michaëlis” pela melhor imolação de um docente. Etc.

Os jovens prodígios só precisam de tempo, liberdade e telemóveis. E por acaso já têm.