Domingo, 30 de Março, 2008


Desta vez a proposta é da Fátima Gomes.

Amanhã. Sobre violência. O que acham? Valerá a pena ir lá espreitar?

A agenda oculta da educação (parte I)

A agenda oculta da educação (parte 2)

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Próxima 5ª feira à noite? Talvez passe por lá.

Não sei a quem interessa mudar de nicks quando convém ou assumir nicks alheios. A bem de uma limpeza de processos agradecia que cada um assumisse, de maneira coerente, um pseudónimo e argumentasse em conformidade.

Caso contrário reactivo a filtragem de certas palavras e de um par de IP’s malandros. Já foi necessário fazer isso ao autor (ou um dos autores) de um resma de comentários mal educados e que mudava constantemente de nick. Acabou por criar o seu próprio blogue onde me pode maldizer à sua vontade.

Agora estão em curso duas estratégias de poluição dos comentários. Eu sou muito democrata e tal, mas isto é um anexo da minha casa (mental) e não estou mesmo para truques rasteiros desse tipo. Não me importo com a discussão e as críticas, incomoda-me sim a falta de transparência das atitudes.

Ficamos esclarecidos?

Adenda: O falso “trabalhador da silva” (o 2º) agora surgiu como “contra a maré” com o IP 87.196.205.*** que irá ser barrado dentro em pouco. Depois barrarei todos os comentários dentro daquele espectro de IP’s, mesmo que isso barre quem não tem culpa. Depois eu libero da rede de spam quem for de libertar. Isto ainda não é um pátio para cyberbullies.

Não me tinha esquecido do pedido da Elisa para colocar Jacques Brel. Só que me dei a liberdade de escolher um Brel menos lírico.

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Apesar de não referida essa qualidade, suponho que este texto se deve a Guilherme Valente, o director da Gradiva, editora que tem publicado alguns dos mais interessantes títulos em matéria de divulgação científica. E que, entre outros, teve a coragem de publicar alguns títulos da corrente anti-eduquesa mais dura, como é o caso das obras de Gabriel Mithá Ribeiro e Nuno Crato.

No entanto este texto incluído na edição de ontem do expresso deixa-me algo perplexo, pois não se percebe bem ao que vem.

  • Percebo que admira José Sócrates.
  • Percebo que continua a não gostar do chamado «eduquês» que considera continuar a dominar o ME.
  • Percebo que acha certa a política da Educação, embora ao mesmo tempo a critique por não estar a ser correctamente implementada.

No meio disto não se percebe exactamente o que quer dizer quando escreve:

  • Que a ministra foi «formada no caldo do eduquês», do qual nunca se terá distanciado. Ora se algo sabemos é que MLR não foi formada em caldo nenhum relacionado com as Ciências da Educação. Eduquês ou outro. Aliás, há três anos gabavam o facto de ela estar acima desses detalhes, por vir «de fora» do mundo da Educação. Seria curioso, inclusivamente, saber até que ponto há 3 anos ou mesmo há 3 meses MLR saberia distinguir as diversas correntes em confronto na área das Ciências da Educação sobre temáticas como a organização do currículo e do tempo escolar, a avaliação de docentes e alunos, a estrutura da carreira docente e a administração escolar. Acredito que conheça relatórios e estatísticas. O resto, duvido ainda hoje.
  • Quando parece dar razão a Walter [sic] Lemos nas suas disputas com Benavente, sendo que ambos são, estes sim, nados e criados no «caldo do eduquês», do qual apenas representam duas facções que disputam mais o protagonismo do que projectos verdadeiramente alternativos. Será que Guilherme Valente nunca leu a obra publicada por WL, em especial na primeira metade dos anos 90, com a chancela da texto Editora e apoio explícito do ME?

Por isso não se percebe bem de que «erro de casting» fala Guilherme Valente. Atribui as culpas à Ministra por tudo, é isso? Acha que ela é responsável pelos diplomas legislativos mais atentatórios do bom-senso? Acha que ela é a defensora do «eduquês» no ME e Walter [sic] Lemos o actor certo?

E neste contexto que lógica terá questionar quem «anda a tramar a Ministra»? Porque a expressão pode ser lida de duas formas. Quem a Ministra anda a tramar (e somos muitos), mas não o faz sozinha ou quem anda a tramá-la a ela e nesse caso acho que é a própria ajudada pelos homens que se movem na sombra, os consultores com modelos pré-formatados para a gestão e avaliação das organizações, não esquecendo ainda o referido WL que salta em frente na defesa de toda a obra legislativa do ME com a pujança de um leão em defesa das suas crias.

Por isso fico confuso, só me restando uma certeza: a Educação é que está a ser tramada e bem tramada.

Numa previsível sintonia de tema a generalidade dos editoriais de ontem da imprensa nacional (não apenas a hebdomadária, mas mesmo a diária) dedicaram-se ao episódio Carolina M. (será sina que no Porto este nome surja tanto à baila?), mesmo se em registos diversos e com posturas um pouco diferentes.

Já ontem tinha postado parte do editorial do DN, ficam aqui agora os textos de Fernando Madrinha e Henrique Monteiro no Expresso, Nuno Pacheco no Público e José António Saraiva no Sol. Agradeço ao MJMatos os clips dos 3 primeiros.

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Claro que todos têm opiniões estimáveis e respeitáveis. Nem sequer vou aqui tentar passá-las em revista, apenas anotando que concordo globalmente com Nuno Pacheco, embora existam situações em que o recurso aos Tribunais se torna necessário. quanto a Madrinha & Monteiro, lamento que, ao contrário daquela metáfora popperina dos corvos brancos e pretos, para eles por muitos corvos pretos que apareçam todos os corvos são brancos. Ou seja, por muitos exemplos contrários que surjam em relação à qualidade e lógica das «reformas» do ME o que resta é sempre a sensação que tudo está bem, só uns detalhes é que falham e, nestes casos, os detalhes passam quase em exclusivo pelo Estatuto do Aluno e não por tudo o que o antecedeu.

 

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Com agradecimento especiais ao Eduardo M. e ao MJMatos pela presteza da resposta ao meu pedido.
Entretanto, já ensolarou, mas eu continuo a preguiçar, entre as obrigações e as paragens para (re)leituras.

Uma escola para cada um

Agradecendo a sugestão da Isabel S.

Por estas bandas está meio desagradável e não me apetece ir buscar o Público ali mais adiante. Umas planificações por apurar, uns materiais para finalmente acabar. Quem me arranja a crónica do António Barreto de hoje? Parece que é interessante, mesmo se com algum atraso.

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A geração do ecrã

(…)
Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.
E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.
E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.
Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.
E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.

A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.
A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar.
A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.
E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.
E nós deixamos.

E O ‘MICHAËLIS’ VAI PARA…

“Vergonha na Escola.” tem sido visto, revisto, discutido e analisado à exaustão. Infelizmente, a falta de hábito nestas matérias centrou o debate na temática da obra e não no seu potencial artístico. Em vez de se contemplar a qualidade estética, optou-se por espreitar a ética e ponderar a culpa da aluna, da professora, da escola, dos pais, da sociedade e, o que é arriscado, dos telemóveis.

Pode proibir-se tudo nas escolas, incluindo, como vem sendo norma, os derradeiros vestígios de autoridade e aprendizagem. Os telemóveis é que não. O telemóvel não é somente o móbil e o veículo dos filmes em erupção: é a esperança de uma indústria que nunca existiu. Consta que a actriz principal e o realizador serão transferidos (suponho que para Hollywood). O fundamental é que, atrás deles, venham milhares de vocações semelhantes, prontas a erguer os Nokia e a produzir arte. Uma boa ideia passaria pela organização de um festival alusivo, com prémios (os “Michaëlis”, digo eu) que impulsionassem este cinema verité, cru, não subsidiado e altamente recompensador. O “Michaëlis” pelo insulto mais original a um docente. O “Michaëlis” pelo tabefe menos tímido num docente. O “Michaëlis” pela melhor imolação de um docente. Etc.

Os jovens prodígios só precisam de tempo, liberdade e telemóveis. E por acaso já têm.

Sócrates assume “face humana” após “três anos a disfarçar estados de alma”

O primeiro-ministro, José Sócrates, assumiu hoje uma governação de “face humana” depois de três anos que apelidou de “muito difíceis”, em que teve de “disfarçar estados de almas”. “Um político tem o dever de disfarçar os seus estados de alma e apresentar boa cara e ânimo”, disse o primeiro-ministro, como que em desabafo, na assinatura de contratos com associações sociais do distrito de Viseu, em Vila Cova à Coelheira, concelho de Vila Nova de Paiva.

Lamento mas o que vimos não foi o disfarce de «estados de alma». Foi a expressão de contenção para não ir mais longe na postura agressiva e chocarreira para com os seus adversários políticos.

Não, lamento muito, não é questionar a condição humana de Sócrates (aliás os seus erros sistemáticos, a arrogância e limitações revelam-na à saciedade), mas sim que exista algo mais do que uma rampa para as eleições de 2009.

Basta ver o resto das declarações que são propaganda automatizada em estado puro.

Mas haverá quem acredite.

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(c) Jorge Delmar