Quinta-feira, 27 de Março, 2008


Deu aulas «fantásticas» numa Associação da Cova da Moura. Um ponto a favor.

Teorização desnecessária sobre a «autoridade». Confunde «autoridade» com «carisma». Precisa de (re)ler Weber.

Está a perder-se em detalhes históricos e anedóticos. É melhor escrever sobre o assunto, com limites de espaço.

Fala em «ataque de histeria», o que é manifestamente despropositado. Já a «banalização da anormalidade» está bem vista.

No entanto imagina que há sempre um(a) funcionário(a) à porta de cada sala.

Certíssimo o facto de sublinhar que a autoridade na sala estava no cineasta.

Declaração de interesses: admite que não percebe muito do assunto. Então o problema é mesmo da produção da SICN.

Revela realmente que não conhece a matéria, pois desconhece a regulamentação em vigor sobre estas situações.

O resto é mais do costume.

Sem esperanças de resolução do problema. Discurso um pouco confuso sobre as causas «profundas» e «gerais».

Afirma que os pais não «ensinaram os limites» à aluna e que ela fará o mesmo em casa. Nem sempre. Por vezes, os limites existem mas o(a)s professor(a)s não são considerados dignos disso.

Realça correctamente o isolamento da situação da docentes.

Ainda não sei se acompanho ao vivo, se faço resumo no fim, tipo recensão crítica para a cadeira de História Económica e Social sobre O Moderno Sistema-Mundo do Wallerstein.

A VIOLÊNCIA E A INDISCIPLINA NAS ESCOLAS E O SUCESSO NO ENSINO

1. 1º. Ciclo
2. Uma escola para os valores e o papel da igreja
3. Na sala de aula não pode haver medo
4. O estado de direito e o medo
5. O tempo docente e o sucesso escolar

1. 1º. Ciclo: A importância do 1º. Ciclo é fundamental. Não apenas na aquisição de conhecimentos estruturantes do saber, os alicerces, mas também no conhecimento das regras cívicas básicas. E isso implica, desde cedo, a noção de que todo o acto tem consequências, positivas ou negativas. É o princípio da responsabilidade.

2. Uma escola para os valores e o papel da(s) Igreja(s): Ligado a esse facto, está a questão de uma Escola para os valores humanos, intelectuais, morais e éticos. O pensamento moderno libertário não se pode confundir com a relativização de valores como a solidariedade e a sua exacta noção. No episódio do vídeo da professora e da aluna, vê-se claramente que há uma noção errada da solidariedade: a professora, porque não faz parte do grupo-turma não existe como ser que mereça consideração.

2.1. O papel da(s) Igreja(s): Questão polémica que é preciso ter a coragem de enfrentar de frente: num país cristão e ou católico, as famílias não perderam o direito de educar na escola as crianças segundo os valores básicos cristãos? Por que não fazer um debate aberto, sem complexos, sobre a questão. Por um lado, uma sociedade laica e um Estado democrático e legitimamente laico, por outro, uma sociedade maioritariamente cristã que não assume essa condição na educação dos filhos. Não obstante os extremos religiosos conhecidos, a sociedade americana é mais livre porque assume sem complexos na educação dos filhos os seus valores religiosos. O afastamento da Igreja da esfera do ensino não teria sido um problema se isso, aliado ao afastamento das famílias na educação dos filhos, não houvesse tido como consequência um vazio de valores.

3. O medo: numa sala de aula, não pode haver medo, em nenhum sentido: do professor para o aluno e vice-versa. Nesse aspecto, a professora demonstrou uma grande coragem cívica e mesmo física e isso terá impedido, naquele universo de violência sobre a docente, que a situação pudesse vir a resvalar, não obstante a situação de sequestro técnico em que se chega a cair: a professora é impedida de sair da sala quando o desejava. Os alunos têm que ser colocados explicitamente, se for o caso, perante a questão de que o professor tem uma autoridade que não lhe advém do confronto físico mas da sua autoridade baseada no saber. E de que, se esse problema se puser, o do uso da força e da sanção penal, ele resolve-se em outras instâncias, nomeadamente as forças da ordem e os tribunais, como é próprio do estado de direito. Nesse aspecto, a atitude do PGR é exemplar.

4. O estado de direito e o medo: há casos de professores que receiam enfrentar as turmas e alunos que receiam alunos. A violência exercida sobre quaisquer elementos da comunidade escolar é uma violação que põe em causa o estado de direito. Não há agressões a professores – há agressões a cidadãos. O estado de direito não pode ficar à porta da Escola. Nesse aspecto, o PGR está a fazer o que lhe compete. Mais uma vez, um Secretário de Estado mostrou que não está no sítio certo: não gosta dos professores, minimizando a violência.

5. O tempo docente e o sucesso escolar: para quem julga que 22 horas lectivas, mais reuniões, mais avaliações, mas preparação de aulas, aquele(s) 1 minuto e 49 segundos mostraram como se mede o tempo de um professor: a quantas horas de tempo medido num relógio equivalem 1.49 de tensão psicológica máxima?

5.1. A indisciplina e o sucesso escolar: parece que ninguém quer ver: em 30 anos, Portugal passou de um país de analfabetos para um país de total escolarização, e isso ninguém se lembra de creditar aos professores, num país em que uma revolução bem-vinda, teve o efeito colateral, não por culpa própria, de esbater a diferença entre liberdade e indisciplina (ainda as consequência nefastas de uma ditadura, onde se confundia disciplina com repressão). Aliás, em Portugal, o grande problema das escolas não é a violência física mas a indisciplina exercida nas fronteiras da violência verbal e psicológica de alunos indisciplinados, poucos, sobre a maioria dos colegas.

5.2. O SUCESSO ESCOLAR: conseguida a escolarização, falta o sucesso escolar: mas alguém espera a excelência quando uma boa parte do tempo lectivo é despendido numa aula em questões básicas de educação mínima, de convivência, de civismo? Quanto tempo se gastará numa aula? 5, 10, 20, 30% apenas com 1/2/3 alunos que impedem o direito ao ensino dos outros colegas? Seria importante um estudo quanto a isso. Devolvam-nos a autoridade e devolveremos Excelência no Ensino ao País

5.3. Sentido de Justiça: o aluno tem de ter a noção de que os seus actos têm consequência, positiva ou negativa, mas que a sanção é em seu próprio interesse e é um acto de justiça, senão perderá o respeito pelo professor e pela escola e tenderá a ser ainda mais violento.

Miguel Fonseca

Na SICN com Helena Matos, Maria de Fátima Bonifácio, Rui Tavares e Bettencourt Resendes. Tudo gente estimável, mas que eu não tenho bem a certeza em que qualidade aparecerão para além de serem um quarteto de opinadores disponíveis com presença assídua em jornais e televisões.

Espero com ansiedade em especial pelas opiniões de Fátima Bonifácio, minha ex-professora em meados dos anos 80, a quem a queda de um alfinete do outro lado da Avenida de Berna podia provocar um estertor de desagrado. Então a entrada atrasada de algum aluno, com o consequente arrastar da velha porta da sala (118?), era motivo para olhar fulminante, capaz de derreter qualquer armadura medieval, quanto mais um destes telemóveis super-ultra-leves.

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