Quinta-feira, 27 de Março, 2008


Até que enfim. Tempo de antena desperdiçado.

Lição final, que muito revela sobre a autonomia permitida pelo Estatuto do Aluno: a moderadora afirma que a DREN decidiu transferir a aluna.

Certo.

Ele e a Helena Matos deveriam perceber que aquilo não é a discussão deles na última página do Público.

Entretanto é atropelado pelas companheiras de debate. Não se está a perder muito. Acho que a escolha do fato e da gravata esgotaram a criatividade.

Fátima Bonifácio continua a dizer que «aquela escola não existe». Caramba, pelos critério dela a rede escolar em Portugal acaba de ser reduzida numas belas fatias.

Descobriu a pólvora: os maus alunos deveriam chumbar. A obsessão com as estatísticas estraga tudo.

Interrupção da Helena Matos, que parece não perceber o que é bem o Ensino Profissional e para que serve. Não é só para arrumar delinquentes.

Olha! Deu aulas na Damaia! Diz que não havia contacto físico alunos-professores. Certo. Com uma colega minha o contacto foi mediado por uma faca no pescoço.

Boa ligação entre este tipo de condutas e os cursos pagos «naquelas universidades privadas».

Uma certa falta de contacto com a realidade quanto às reuniões com os EE’s nas Escolas. Eu não me lembro de discutir «teorias pedagógicas» nessas ocasiões.

Agora patinou com aquela dos professores de Educação Física. Disparate Puro.

Ahhhhh… voltou a FB que eu conheço. Já evocou as «criaturas». Isso aprendi com ela e com outra colega do ano anterior.

Agora já está naquele misto de enfado irritado com o mundo que muitos de nós enfrentámos (eu fui poupado, admito). Culpas sobre a Psicanálise, as Ciências Sociais e a Família.

Boa. Lembrou-se que existiram mais culpados na aula.

Estão a desfocar-se por completo. Confirma-se que, talvez exceptuando Helena Matos, ninguém tem nada de relevante a dizer, de forma articulada e consequente.

Deu aulas «fantásticas» numa Associação da Cova da Moura. Um ponto a favor.

Teorização desnecessária sobre a «autoridade». Confunde «autoridade» com «carisma». Precisa de (re)ler Weber.

Está a perder-se em detalhes históricos e anedóticos. É melhor escrever sobre o assunto, com limites de espaço.

Fala em «ataque de histeria», o que é manifestamente despropositado. Já a «banalização da anormalidade» está bem vista.

No entanto imagina que há sempre um(a) funcionário(a) à porta de cada sala.

Certíssimo o facto de sublinhar que a autoridade na sala estava no cineasta.

Declaração de interesses: admite que não percebe muito do assunto. Então o problema é mesmo da produção da SICN.

Revela realmente que não conhece a matéria, pois desconhece a regulamentação em vigor sobre estas situações.

O resto é mais do costume.

Sem esperanças de resolução do problema. Discurso um pouco confuso sobre as causas «profundas» e «gerais».

Afirma que os pais não «ensinaram os limites» à aluna e que ela fará o mesmo em casa. Nem sempre. Por vezes, os limites existem mas o(a)s professor(a)s não são considerados dignos disso.

Realça correctamente o isolamento da situação da docentes.

Ainda não sei se acompanho ao vivo, se faço resumo no fim, tipo recensão crítica para a cadeira de História Económica e Social sobre O Moderno Sistema-Mundo do Wallerstein.

A VIOLÊNCIA E A INDISCIPLINA NAS ESCOLAS E O SUCESSO NO ENSINO

1. 1º. Ciclo
2. Uma escola para os valores e o papel da igreja
3. Na sala de aula não pode haver medo
4. O estado de direito e o medo
5. O tempo docente e o sucesso escolar

1. 1º. Ciclo: A importância do 1º. Ciclo é fundamental. Não apenas na aquisição de conhecimentos estruturantes do saber, os alicerces, mas também no conhecimento das regras cívicas básicas. E isso implica, desde cedo, a noção de que todo o acto tem consequências, positivas ou negativas. É o princípio da responsabilidade.

2. Uma escola para os valores e o papel da(s) Igreja(s): Ligado a esse facto, está a questão de uma Escola para os valores humanos, intelectuais, morais e éticos. O pensamento moderno libertário não se pode confundir com a relativização de valores como a solidariedade e a sua exacta noção. No episódio do vídeo da professora e da aluna, vê-se claramente que há uma noção errada da solidariedade: a professora, porque não faz parte do grupo-turma não existe como ser que mereça consideração.

2.1. O papel da(s) Igreja(s): Questão polémica que é preciso ter a coragem de enfrentar de frente: num país cristão e ou católico, as famílias não perderam o direito de educar na escola as crianças segundo os valores básicos cristãos? Por que não fazer um debate aberto, sem complexos, sobre a questão. Por um lado, uma sociedade laica e um Estado democrático e legitimamente laico, por outro, uma sociedade maioritariamente cristã que não assume essa condição na educação dos filhos. Não obstante os extremos religiosos conhecidos, a sociedade americana é mais livre porque assume sem complexos na educação dos filhos os seus valores religiosos. O afastamento da Igreja da esfera do ensino não teria sido um problema se isso, aliado ao afastamento das famílias na educação dos filhos, não houvesse tido como consequência um vazio de valores.

3. O medo: numa sala de aula, não pode haver medo, em nenhum sentido: do professor para o aluno e vice-versa. Nesse aspecto, a professora demonstrou uma grande coragem cívica e mesmo física e isso terá impedido, naquele universo de violência sobre a docente, que a situação pudesse vir a resvalar, não obstante a situação de sequestro técnico em que se chega a cair: a professora é impedida de sair da sala quando o desejava. Os alunos têm que ser colocados explicitamente, se for o caso, perante a questão de que o professor tem uma autoridade que não lhe advém do confronto físico mas da sua autoridade baseada no saber. E de que, se esse problema se puser, o do uso da força e da sanção penal, ele resolve-se em outras instâncias, nomeadamente as forças da ordem e os tribunais, como é próprio do estado de direito. Nesse aspecto, a atitude do PGR é exemplar.

4. O estado de direito e o medo: há casos de professores que receiam enfrentar as turmas e alunos que receiam alunos. A violência exercida sobre quaisquer elementos da comunidade escolar é uma violação que põe em causa o estado de direito. Não há agressões a professores – há agressões a cidadãos. O estado de direito não pode ficar à porta da Escola. Nesse aspecto, o PGR está a fazer o que lhe compete. Mais uma vez, um Secretário de Estado mostrou que não está no sítio certo: não gosta dos professores, minimizando a violência.

5. O tempo docente e o sucesso escolar: para quem julga que 22 horas lectivas, mais reuniões, mais avaliações, mas preparação de aulas, aquele(s) 1 minuto e 49 segundos mostraram como se mede o tempo de um professor: a quantas horas de tempo medido num relógio equivalem 1.49 de tensão psicológica máxima?

5.1. A indisciplina e o sucesso escolar: parece que ninguém quer ver: em 30 anos, Portugal passou de um país de analfabetos para um país de total escolarização, e isso ninguém se lembra de creditar aos professores, num país em que uma revolução bem-vinda, teve o efeito colateral, não por culpa própria, de esbater a diferença entre liberdade e indisciplina (ainda as consequência nefastas de uma ditadura, onde se confundia disciplina com repressão). Aliás, em Portugal, o grande problema das escolas não é a violência física mas a indisciplina exercida nas fronteiras da violência verbal e psicológica de alunos indisciplinados, poucos, sobre a maioria dos colegas.

5.2. O SUCESSO ESCOLAR: conseguida a escolarização, falta o sucesso escolar: mas alguém espera a excelência quando uma boa parte do tempo lectivo é despendido numa aula em questões básicas de educação mínima, de convivência, de civismo? Quanto tempo se gastará numa aula? 5, 10, 20, 30% apenas com 1/2/3 alunos que impedem o direito ao ensino dos outros colegas? Seria importante um estudo quanto a isso. Devolvam-nos a autoridade e devolveremos Excelência no Ensino ao País

5.3. Sentido de Justiça: o aluno tem de ter a noção de que os seus actos têm consequência, positiva ou negativa, mas que a sanção é em seu próprio interesse e é um acto de justiça, senão perderá o respeito pelo professor e pela escola e tenderá a ser ainda mais violento.

Miguel Fonseca

Na SICN com Helena Matos, Maria de Fátima Bonifácio, Rui Tavares e Bettencourt Resendes. Tudo gente estimável, mas que eu não tenho bem a certeza em que qualidade aparecerão para além de serem um quarteto de opinadores disponíveis com presença assídua em jornais e televisões.

Espero com ansiedade em especial pelas opiniões de Fátima Bonifácio, minha ex-professora em meados dos anos 80, a quem a queda de um alfinete do outro lado da Avenida de Berna podia provocar um estertor de desagrado. Então a entrada atrasada de algum aluno, com o consequente arrastar da velha porta da sala (118?), era motivo para olhar fulminante, capaz de derreter qualquer armadura medieval, quanto mais um destes telemóveis super-ultra-leves.

E cheia dos tais «casos dramáticos individuais» que o ME tanto afirma serem pontuais e singulares. O estranho é que pelos mails que receberam, os 185 casos oficiais de violência contra os docentes são uma gota de água no oceano da realidade que não interessa registar. Porque as pedradas nos carros e as perseguições são fora da escola, porque as participações não têm desenvolvimento, porque não chegam a ser feitas.

E depois mostraram aquele vídeo, já conhecido, com MLR a apupar os alunos.

É impressão minha ou isto está a cativar mais atenções do que é habitual?

Será porque não envolve dinheiro, para usar a lógica do brilhante colunista do Sobe e Desce da Sábado?

Improving Staffing Levels of Teachers and Other Personnel

In order to maintain and improve the levels of compulsory education and provide equal opportunities for education, educational conditions―such as the introduction of new teaching methods as a result of improving standards for the placement of teachers and other personnel and the use of team teaching―have been improved with the central government legally establishing standards for class composition and standards for the placement of teachers and other personnel, and successively and systematically enhancing these standards. MEXT is continuing to improve these standards in order to support schools taking specific measures such as teaching in small groups with the view to improving the basic scholastic ability of students and providing more detailed instruction.

Improving Teacher Quality

A stimulating school education requires teachers who are filled with enthusiasm and possess good qualities and abilities as well as individuality. Under the teacher certification system, MEXT is proceeding to improve teacher training courses at university through course authorization and other means, and also supporting prefectural training programs for new and experienced teachers, in addition to conducting other necessary training itself. MEXT also actively promotes training programs for teachers in local governments and the private sector, and the use of part-time instructors from the community. A day leave system for voluntary training in graduate schools was also set up in FY2000.

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Para postar no Umbigo.

Materiais recolhidos por mim ao longo dos tempos, outros enviados por amigos e conhecidos (pessoais e virtuais), recortes de imprensa do dia, da semana e do mês (já de Abri, inclusivamente), muitos chegados graças á simpatia dos umbiguistas mais militantes.

Eu prometo que serei mais parcimonioso e irei fazendo render a postagem. É que como estou a fazer um pauerpóinte, se calhar movimeicare para Formação Cívica, dou aqui um saltinho e vai de postar.

Eu já me controlo ou isto é uma torrente sem fim.

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O artigo completo, bastante interessante para compreendermos o que nos afecta sem sempre percebermos como fica aqui (teachereconomy.pdf).

baumann.jpgEnunciadas a todo o momento a partir de uma posição de autoridade e dispondo dos recursos adequados, as proposições em causa tendem a tornar-se verdadeiras, e é por isso que a formação que visa tornar-nos dependentes dos especialistas acaba por ser bem-sucedida; mais cedo ou mais tarde, somos nós próprios que começamos a buscar insistentemente e por nossa própria iniciativa o conselho «daqueles que sabem». À medida que deixamos de confiar no nosso próprio juízo, tornamo-nos presa possíveis do medo de errar; chamamos pecado, culpa ou vergonha ao que tememos, mas seja qual for o nome que lhe dermos, passaremos a sentir a necessidade da prestimosa mão do especialista que nos reconduzirá à segurança da certeza. É o medo que alimenta a nossa dependência dos especialistas. (Zygmunt Bauman, A Vida Fragmentada, 2007, p. 23)

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E espero que por «sábado» não entendam aquilo que na nova linguagem de pátio de Escola se entende por tal.

É apenas um número da revista com uma peça cheia de «casos dramáticos individuais» que até nem se importam de dar a cara ao manifesto.

Agora o assunto virou moda. Provavelmente não chega a Abril, mas enquanto vende, é aproveitar e dar a conhecer muito do que tantas vezes fica escondido da opinião pública e das estatísticas oficiais.

Lá dentro, no Sobe e Desce da p. 20, claro que não se resiste a alfinetar os professores por não terem marcado uma manifestação por causa desta ocorrência. Atribui um tal Miguel Pinheiro isso ao facto de não estar dinheiro em jogo. Realmente há quem faça do golpe rasteiro o seu modo de vida.

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