Ouço Daniel Sampaio na Sic-Notícias e concordo com quase tudo. O que significa que ou entrei num universo paralelo ao que vivi durante uma década ou mais, ou um de nós mudou de opinião sobre muita coisa.

Não é sem espanto que ouço dizer que devem ser castigados, para além da aluna, toda a turma que pactuou com o sucedido e o cineasta-amador.

  • Que não é possível transigir com estas situações.
  • Que a Escola não se deve deixar enredar num «discurso psicologizante» para justificar estes actos.
  • Que o professor deve ser assertivo e coerente na sua acção, não permitindo quebras às regras. Que todos os professores devem desenvolver abordagens semelhantes nas suas aulas perante as questões disciplinares.
  • Que a «Escola dos Afectos» foi um erro, por promover uma demasiada aproximação entre alunos e docentes.
  • Que o Estatuto do Aluno é uma monstruosidade.

Tudo coisas sensatas, de uma quase alma gémea.

Daniel Sampaio pode dizer que não fez uma «inversão de marcha», como escreveu numa recente crónica. Que escreve com liberdade, de acordo com as situações que observa.

Mas, desculpem-me lá, eu lembro-me bem das suas prelecções durante grande parte dos anos 90 e fase inicial deste novo milénio.

No hard feelings…

Daniel Sampaio pode considerar-se parcialmente desculpado pelo contributo que deu às erradas políticas desenvolvidas em Portugal na área da Educação durante uma boa dúzia de anos.

Eu acredito que o reconhecimento do erro pode ser uma das vias para achar o caminho certo.

Pronto, será desta vez que compro mesmo um livro seu?