Segunda-feira, 24 de Março, 2008


O Reininho ainda é um sinhore; quanto aos Rádio Macau é mesmo pela excelente música pois o vídeo, enfim, é pobrezinho…

Também têm mudado, pela negativa, o grau de intensidade da indisciplina e as consequências destas. Seria impensável para mim não obedecer a uma ordem de um professor. Se o fizesse, seria sujeito a «julgamento» pelos meus pais. Se eu fosse a aluna deste caso, nunca mais punha a vista em cima ao meu telemóvel… na melhor das hipóteses.Para além disso, é preciso não esquecer os efeitos que estas situações têm nos professores. A profissão é de si difícil. Ter de ensinar a turmas com dezenas de alunos, em plena explosão das hormonas é difícil. Com telemóveis ainda mais. Com alunos de origens muito diferentes, pior ainda. A massificação do ensino foi uma coisa boa, à priori. Mas também trouxe problemas novos. Um professor sujeito a este tipo de pressão hora após hora, dia após dia, maltratado por baixo (os alunos) e por cima (quem neles manda) pode desenvolver o que chamamos «burn out» ou seja, ficar «queimado» pelo trabalho. Pode desenvolver perturbações ansiosas e depressivas. Desmotivar-se. Faltar. Ser professor, hoje em dia, é uma profissão de risco psicológico. É necessário repensar a política de disciplina nas escolas, conjugar o diálogo com a autoridade, apoiar os professores e os alunos com dificuldades de vária ordem. Isto não vai lá com fascismos na escola, mas também não vai lá com este «laissez faire» generalizado. (Portugal Diário, Victor Silva , Psicólogo)

Para quem diz que os psicólogos dizem todos o mesmo, eis um bom exemplo de que assim não é. Eles e os psiquiatras sabem bem que grupos profissionais atendem mais e porquê.

 

order.jpg

Foi um dos primeiros relatórios que li sobre o assunto (já tem coisa de uma década e penso mesmo que já o cheguei aqui a divulgar em outras eras), mas ainda hoje é útil, tanto pelos dados que fornece como pelas perspectivas e dúvidas que inclui quanto aos caminhos a seguir. Porque não hesita em relacionar a necessidade de ordem e disciplina na sala de aula e o desempenho dos alunos.

E até se lê bem, pois são apenas 50 páginas (order.pdf).

Teachers becoming social workers, protests union

Teacher unions take aim at spiralling workload

Agradecendo ao Luís M. Latas estas e outras referências.

Que impacto tem a dimensão das turmas no aproveitamento dos alunos

Do penguins fly? 
Esta colega de Sacavém é a autora do documento (questoes-de-estatuto.doc) de que a Ministra da Educação mostrou uma folha no programa Grande Entrevista da RTP1, qualificando-o de forma pouco caridosa. Esta é a resposta que decidiu enviar para quem acho de direito ser informado:

Exmos Senhores
No dia 6 de Março do corrente ano, sua excelência a Ministra de Educação foi entrevistada no programa da Dra Judite de Sousa, na RTP1. Não pretendendo debruçar-me de qualquer forma sobre o conteúdo da entrevista, julgo assistir-me o direito de resposta e em concreto o direito do contraditório e de defesa. Respondo apenas agora por, tão simplesmente, ter dado prioridade ao trabalho com os meus alunos . Agora que terminou o 2º Período, não quero prescindir do meu direito de resposta.

Logo no início do referido programa, a Srª Ministra exibiu alguns trabalhos de docentes que classificou como de “má-fé”, como “manobras de desinformação” e como “incompetentes”. Quando questionada pela entrevistadora acerca do eventual conhecimento dos docentes que terão elaborado tais trabalhos afirmou desconhecê-los.

Não creio que o cargo que sua excelência ocupa lhe confira o poder ético-moral ou profissional de acusar e insultar e neste caso, de forma dirigida e explícita, profissionais que desconhece. Vou mais longe: considerarando a exigência do cargo que a Srª Ministra exerce, todas as suas atitudes deveriam primar por princípios de ponderação, de equidade e justiça. Essa preocupação deveria ser ainda maior quando as suas palavras chegam a casa de milhões de portugueses.

Um dos trabalhos que a Srª Ministra “exibiu” (mostrado, ainda que de forma fugaz, pelas câmaras por duas vezes mas reconhecido por mim e por diversas pessoas das minhas relações pessoais e profissionais) é da minha autoria. Ao cabo de quase vinte anos a leccionar fui acusada, pela primeira vez, de “má-fé”, de “incompetente” e de adulterar a verdade.

O trabalho que enviei a várias entidades salvaguardava nomeadamente “…O tratamento pode ser discutível em alguns aspectos mas, na essência, penso que traduz algumas questões importantes para compreender a inexequibilidade de tudo isto (que é, sem mais, o princípio de tudo)…”. Segue em anexo o referido trabalho (páginas 1 e 2) mas, também, a base e alguns dos cálculos (estatística elementar) que a ele conduziram (páginas 3 e 4). De “má-fé”? – Eu, nunca! Alguma que exista estará, porventura, no próprio Estatuto!

Enganos, todos podemos cometer mas falsidades já é uma questão de carácter. E, eu sou (sem falsas modéstias) uma pessoa de bom carácter: íntegra, honesta, trabalhadora, disciplinada e com permanente preocupação de justiça e equidade.

Durante toda a minha vida profissional fui frontal, directa e objectiva. Nunca recorri a subterfúgios e sempre me debati, com clareza, convicção e no respeito pela Lei, por posições de equidade e justiça (quer relativamente a docentes quer a discentes).

Sempre assumi e assinei as minhas posições e nunca me escondi atrás de nada nem de ninguém.

Não reconheço, sem mais, o direito à srª Ministra de denegrir a minha imagem ou de pôr em causa o meu bom nome.

Lisboa, 19 de Março de 2008

Atenciosamente,

Mª João Fernandes

(PQND da Esc. Secundária de Sacavém)

Página seguinte »