Domingo, 23 de Março, 2008


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(c) Antero Valério

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Aqui, numa espécie de coiso-show graficamente fraquito (leonor_santos.pdf), mas com imeeeeennnnssas coisa giras, de que destaco o diapositivo 7 e aqueles que se referem ao portefólio (embora irrite ter de esperar por aquele fundo a formar-se).

Só acho estranho que grande parte das referências usadas remetam para autores que em nada – ou muito pouco – remetem para o modelo robotizado e pesadão de avaliação proposto pelo ME no decreto ainda em vigor.

Interessante como MLR sucede, embora ainda em lume brando, a Correia de Campos como alvo preferencial de Marcelo Rebelo de Sousa.

Após contextualização longa acerca da evolução do papel das escolas e famílias na educação dos jovens nos últimos 30 anos, o dedo apontado sem hesitação aos erros deste Ministério em matéria de desautorização pública dos professores, ao tentar torná-los os responsáveis por todos os males do sistema de ensino.

Em seguida a desmontagem da «utopia» (palavras do próprio) que está na base do discurso acerca do novo modelo de gestão escolar e da participação dos pais, encarregados de educação e comunidade como forma de melhor resolver os problemas das Escolas, quando se verifica que as próprias famílias cada vez têm menos tempo para resolver os problemas dos seus próprios filhos.

Por fim o salientar que o Estatuto do Aluno, enquanto instrumento introdutor de um regime de irresponsabilidade completa em termos de assiduidade, é apenas o culminar de um processo de três anos que ajudou a destruir ainda mais a autoridade democrática dos professores nas escolas.

Como síntese final, a declaração que os três anos deste Ministério da Educação em nada melhoraram a situação neste aspecto particular, antes ajudando a erodir decisivamente algo que já não estava muito bem.

Enviado pelo Luís M. Latas, de autoria indetermianda, mas divertido o suficiente para aqui ficar em forma de sorriso:

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam
um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.
Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto
participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza que a resposta seria:

“Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui… ”

Não percamos a oportunidade de passar esta história para as nossas amigas e amigos, para que, de vez em quando, se questionem porque o fazem (ou não)..

“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.
(Albert Einstein)

Desde que na próxima semana não levemos com outro petardo legislativo em cima, tipo reforma do 2º CEB. Porque isto de ter interrupções lectivas é coisa que não cai bem na actual 5 de Outubro.

Enseigner. L’invention au quotidien

Dossier interessante da revista Sciences Humaines com diversos artigos de acesso livre online. Chamo em especial a atenção para aquele que aborda o conceito de flexiprofessor, que entre nós por enquanto conhecemos como professor generalista.

Como é assunto de interesse e muito actual, voltarei a ele logo que a Páscoa esteja de partida.

Ser professor em Portugal

O sistema educativo português tem servido de palco a múltiplas experiências, consoante o perfil dos protagonistas que assumem a liderança ministerial. Cada qual mexe e remexe a seu bel-prazer. São improvisações peregrinas de qualquer iluminado, importações pré-cozinhadas de modelos educativos de outras realidades sociais e culturais, menus pedagógicos e utópicos dos mais variados tipos e atributos. E como a coisa naturalmente não funciona, o legislador descarrega incessantemente leis, decretos, circulares, avisos, que anulam, que alteram, que esclarecem, e sobretudo que baralham e entorpecem os actores que tentam sobreviver no terreno.

(continua aqui o texto de António Maduro)

Autoridade, respeito e poder

José Luiz Sarmento no seu melhor.

Batemos no fundo

Governantes, pais e professores saem muito mal do “filme” da sala de aula do Carolina Michaelis. Um a aluna aos gritos, batendo na professora e tratando-a a por tu, uma turma inteira satisfeita e gozando com a desordem e com a incapacidade da professora – “a velha” – , tudo isto é um retrato mau do estado a que deixamos chegar a situação. (José Leite Pereira, JN)

Não estou a alijar responsabilidades, só chamaria a atenção para o facto de JLP identificar quem fica mal no retrato da situação vivida no Porto, mas depois ao demonstrar não especifica as culpas dos professores. Talvez porque…

As sugestões zappianas do Francisco Trindade para a trindade ministerial.

Chavalo, a Lurdes Rodrigues está a mandar bués “Kolmis”, parece que a cota quer tripar um sexphone em grupo, pessoal vamos a tirar todos para fora!…

pub23mar08.jpgAinda esta semana em conversa com alguém que ajuda a fazer opinião, comentava a propósito da conjuntura actual na Educação, que deverá ser difícil encontrar nas Escolas, mesmo entre quem apoie as medidas do governo, alguém que nutra admiração intelectual ou política por Valter Lemos. É uma daquelas unanimidades que colocaria mais gente na rua que no dia 8 de Março. Se MLR suscita animosidade pela postura de intolerância, antipatia e artificialiudade quando tenta dizer algo não ofensivo para os professores; se Pedreira é encarado como alguém cinzento, a quem se recorreu para “lidar” com os patudos dos sindicalistas, Valter Lemos, mestre bostoniano em artes da educação, é visto como a alma-mãe (ou pai, neste caso) da generalidade da pior legislação actualmente despejada sobre o sistema educativo.

O problema, e isso também não neguei, é que olhamos em redor e é um desanimador quase absoluto vazio. De ideias alternativas e personalidades credíveis. Quem percebe minimamente de Educação e poderia ter algum tempo de antena como alternativa, encolheu-se, desapareceu e está em parte incerta à espera de melhores dias, sendo nesse particular pavoroso o panorama pelos lados do PSD. Pedro Duarte percebe pouco da matéria e o esforço nem sempre chega; no CDS há pouco a oferecer tirando a tríade pseudo-liberal de cheque-ensino, liberdade de escolha e exames; ao PCP basta que fique o que está com especial destaque para toda a fórmula que inclue pública e democrática (o que por si só, até nem é necessariamente mau, desde que adaptada ao século XX, desculpem, XXI), enquanto no Bloco, se Ana Drago dirige críticas certeiras e procura estar a par dos assuntos, a ganga ideológica dos séniores (e dos precocemente envelhecidos) nesta matéria é aterradora.

Por isso o cenário se revela desanimador para a generalidade dos docentes que sabe qual o caminho que não voltará a trilhar nas urnas. O problema é encontrar o caminho alternativo. Em muitos casos será com recuso ao mesmo método científico usado pelo ME para resolver os problemas educacionais e que é conhecido em termos de sociologia aprofundada como «ao calhas e logo se vê».

 

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E como lamento não ter visto a referida entrevista. Quanto ao texto não sei se está postado no Paideia, pois talvez por inépcia não o encontrei.