Quinta-feira, 20 de Março, 2008


Professores do agrupamento de escolas de Montemor-o-Velho suspendem avaliação de desempenho

Os professores do agrupamento de escolas de Montemor-o-Velho decidiram hoje suspender todas as actividades relacionadas com a avaliação de desempenho, uma deliberação reivindicada por dezenas de outros estabelecimentos de ensino.
Francisco Queirós, docente daquele agrupamento, explicou à Lusa que os professores realizaram esta manhã uma reunião geral, convocada pelo conselho executivo, na qual foi aprovada uma moção a declarar que não estão reunidas as condições mínimas para prosseguir com o processo.
“Estavam presentes 99 professores e 94 aprovaram a moção, declarando a suspensão de todas as actividades relacionadas com a avaliação de desempenho, incluindo a dos professores contratados”, afirmou o docente.
À semelhança deste agrupamento, dezenas de outros estabelecimentos de ensino consideram não haver condições para pôr em prática a avaliação. Na Internet estão disponíveis documentos aprovados por departamentos curriculares ou conselhos pedagógicos de diversas escolas a suspender o processo até ao próximo ano lectivo ou a pedir ao Ministério da Educação que tome essa decisão.

Não posso acreditar que, mesmo se me foi enviado por pessoa de bem, isto corresponda mesmo a um extracto de uma acta de um Conselho Pedagógico, algures pelo país:

Os resultados das Provas de Aferição deste ano (quase meio milhão) são difíceis de comparar com os anos anteriores, dado que, anteriormente, essas provas eram aplicadas por amostra. Todas as escolas devem interpretar esses resultados, definindo estratégias de melhoria;* Os Conselhos Executivos têm de ter particular cuidado na nomeação dos correctores de exames. Segundo a responsável da Direcção Regional da Educação, “Os alunos têm direito a ter sucesso. Talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média. O que honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos”

Dissidente X, uma pequena delícia alternativa, com destaque para os cromos da barra lateral. E não é só porque fez ligação para o Umbigo, mas sim porque é uma verdadeira aragem desopilante.

Sementes de Violência

(post de 11 de Março de Rui Baptista)

Professores também são vítimas de bullying, diz investigadora

O bullying, a violência na escola que atingia crianças e jovens, está agora a aterrorizar os professores, afirmou hoje Maria Beatriz Pereira, investigadora e autora de várias obras sobre a violência escolar.
“Os professores são as novas vítimas do bullying”, sustentou, em declarações à Lusa, a investigadora que é docente da Universidade do Minho (UM) e presidente da Comissão Directiva e Cientifica de Doutoramento em Estudos da Crianças.
Embora sem números oficiais, Maria Beatriz mostra-se “muito preocupada” com a forma como o bullying, a agressão continuada e sem motivo, está a atingir os professores.
“Tenho acompanhado casos em que os professores esperam ansiosamente que o ano escolar termine”, referiu a investigadora à margem do Fórum Educação para a Saúde, organizado pela Câmara de Famalicão.
No fórum, a docente apresentou a comunicação “O bullying na escola. Que tipo de intervenções?”, remetendo-se apenas à violência entre pares, “de crianças e jovens para crianças e jovens”.
“Os professores têm dificuldade em controlar os alunos, não conseguem incentivá-los e ficam cada vez mais desmotivados”, frisou Maria Beatriz Pereira.
Dos estudos desenvolvidos há, para a investigadora, uma certeza: “quanto maior é o insucesso escolar maior é a incidência de bullying”.

Apesar da demonstração de algo óbvio mas que algumas entidades preferem manter escondido (relembro aqui a forma como o bullying foi algo varrido das fichas de registo de actos de violência nos recintos escolares) é sempre curiosa esta tentativa de colagem do fenómeno ao insucesso escolar, como que culpando este por aquele acontecer.

Ora esta é uma armadilha intelectual que deve ser evitada.

O bullying não resulta do insucesso, mas da falta de civismo, de regras e de respeito pelos outros.

Os acidentes por excesso de velocidade não acontecem por causa das pessoas estarem atrasadas e existirem outros carros no caminho, mas por não respeitarem as regras de trânsito e os direitos dos outros.

O bullying, como a condução agressiva, não resultam do insucesso escolar ou do despertador não ter tocado tarde. Resultam da má formação de quem os pratica.

Ponto final.

Só não é parágrafo, porque a ilação óbvia de tal associação (insucesso escolar=desmotivação=bullying sobre os docentes) é que se os professores garantirem o sucesso aos alunos estarão a «incentivá-los», a «motivá-los» e a prevenir o bullying e, de certa forma, a protegerem a sua própria integridade.

Ora isto já é legitimar, mesmo se indirectamente, a coacção e a chantagem a um nível insuportável.

Pode não ser a intenção, mas a mensagem implícita está lá.

Para a próxima, talvez fosse melhor explicitar um bocadinho melhor a relação de causalidade.

Parágrafo, agora.

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