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Leio com o espanto possível nos dias que correm que a ANP quer «intermediar as negociações com o Ministério da Educação sobre o processo de avaliação».

Ora, pela experiência e alguns diáfanos conhecimentos sobre o tema, sempre considerei que um «mediador» é alguém que está numa posição de neutralidade em relação ás partes em conflito.

Ora (outra vez), a ANP afirma-se Associação Nacional de Professores.

Isto deixa-me algo perturbado.

Porque, afinal, se a AN é dos Professores como quer ser «mediador» neste litígio?

Será que a ANP acha que está «fora» disto? Que os professores que representa são neutrais em toda esta situação, é isso?

Que não estão a favor, nem contra, antes pelo contrário, estão acima? 

Ou acham que que o conflito é, como para alguns opinadores pouco atentos, entre o Ministérios e os Sindicatos?

Que não é entre a larga maioria dos professores e a tutela?

No fundo, eu percebo a jogada táctica da ANP, afirmar-se como mais do que parceiro, como alguém que assume quase a posição de «facilitador de diálogo, uma entidade que se eleva a um palno acima de ME e Sindicatos, os beligerantes em presença. Ultrapassada pelos acontecimentos, incapaz de reagir em seu tempo de forma clara, vendo nascer outra associação a disputar-lhe o terreno, saca dos seus pergaminhos e pretende afirmar-se como um elo relevante no contexto actual.

Mas para isso a ANP deve assumir que se desvincula de todos os professores que contestam as políticas ministeriais – o que seria um enorme tiro nos pés, pois assumiria que não está com eles e representa um grupo restrito de docentes, porventura uma elite especial, com um estatuto de excepção.

Já alguém imaginou algo vagamente semelhante em outra situação, por exemplo com a Ordem dos Médicos (ressalvando as enormes diferenças entre uma Ordem e a ANP) a intermediar um conflito entre o Ministério da Saúde e os Sindicatos do sector?

Esta posição da ANP, sendo compreensível no plano da táctica de horizontes curtos e busca de protagonismo imediato, é um enorme erro em termos estratégicos na sua relação com professores e educadores porque, a partir de agora, sabemos que esta Associação não pretende fazer parte daqueles que representam os professores em contestação, mas provavelmente daqueles que só querem que isto se acalme tudo e se torne novamente «confortável».

Mas foi para essa função particular que o ME apadrinhou a criação do Conselho de Escolas.

Afinal o que pretende ser a Associação Nacional de Professores?