O Ministério da Educação financia as escolas com o dinheiro dos impostos, essencialmente através do pagamento de salários a professores e funcionários. Se um pai retirar o seu filho de uma escola pública, as receitas dessa escola mantêm-se. As escolas não têm os incentivos financeiros para detectar e corrigir o mau profissionalismo dos professores.

O sempre divertido João Miranda escreve hoje novamente no DN sobre a avaliação dos professores. É outro daqueles casos que roçam a absoluta caricatura, pois desconhece completamente o funcionamento das escolas, o seu financiamento e, no essencial, tudo aquilo que exceda um título de jornal em letras obesas.

João Miranda não sabe como funciona a distribuição dos alunos pelas escolas, como funcionam as redes escolares, não percebe que o crédito de horas para os docentes – e respectivo pagamento – depende exactamente do número de turmas e alunos das escolas.

Claro que se uma escola em vez de 762 alunos passar para 761, o seu orçamento não diminui.

Mas se passar de 762 para 672, claro que diminui, porque isso significaria algo como quatro turmas a menos e, com alguma naturalidade, vários horários disponíveis a menos. Logo menor pagamento de salários. Logo menos aquilo a que ele chama «receitas».

E chama erradamente porque não percebe que as escolas não são empresas com orçamentos desse tipo. João Miranda olha de fora e vê as escolas à imagem do seu universo mental, muito liberal, muito literal. Estático. Tem aqueles dogmas e pronto, não se desconvence de os repetir qual aplicado frade na sua litânia diária.

Nas escolas ninguém recebe «incentivos financeiros» é verdade. Apenas o seu salário para cumprir os seus deveres profissionais.
Será uma desvantagem?

Será melhor «incentivar» os professores para cumprirem os seus deveres. Eu acho que não é o mais importante. Será que João Miranda investiga menos quando não é «incentivado» financeiramente?

Talvez. Mas não sei se «incentivos financeiros» para produzir sucesso artificial será a solução.

E quanto à cansativa proposta do cheque-ensino, nada resolveria. Bastaria que as escolas de «elite» elevassem os critérios financeiros de entrada, para apenas se acentuar a guetização escolar.

O que pode ser muito liberal, mas pouco justo.