Por isso mesmo deve ser planeada, negociada de forma efectivamente participada com os actores presentes no terreno e calendarizada com senso.

O livro abaixo (chegado graças aos bons ofícios do Luís Latas que me fez o favor de o encomendar) dá conta de uma metodologia de mudança das num distrito escolar público americano, o Thompson School District em Loveland, no Colorado.

change.jpg

De acordo com o autor resulta de uma experiência desenvolvida aperfeiçoada ao longo de 25 anos em quatro distritos escolares de três estados diferentes.

Independentemente da substância das propostas, com as quais não concordo em pleno em vários aspectos, temos uma estratégia de intervenção para 4 anos para alterar o funcionamento de um simples distrito escolar – que poderemos, talvez de forma simplista, equiparar a um agrupamento dos nossos.

Ou seja, existe uma forma de implementar a mudança, que mesmo à micro-escala do distrito escolar, se desenvolve de forma faseada em 4 anos, para ter algumas garantias prévias de sucesso.

Por cá, em dois ou três pretende-se renovar toda a legislação nacional em matéria de Educação e forçar a aplicação de novos sistemas de carreiras dos docentes, da sua avaliação, da gestão escolar, da organização curricular de vários segmentos do sistema de ensino, ao mesmo tempo que se alteram outros aspectos cruciais como a competência sobre os equipamentos e pessoal não-docente, mas o estatuto do aluno.

Qualquer especialista abaixo da média em Educação sabe que isso é perfeitamente impossível, para mais sem que os novos sistemas tenham sido discutidos com mais do que um ou dois parceiros seleccionados.

A qualidade emerge logicamente do projecto do distrito escolar, é guiada por parâmetros de tomadas de decisão aceites, adere a princípios de aprendizagem e ensino que correspondem às necessidades dos estudantes, e aponta o caminho para futuras acções que podem sustentar a qualidade ao longo do tempo e através de grupos e comunidades.

A mudança não é simplesmente acerca de fazer o que fazemos melhor, mudando tudo o que fazemos, trocando os envolvidos na implementação da mudança, ou modificando como a mudança é implementada. É acerca de repensar como os objectivos, programas e serviços se articulam de modo a manter-se a par de um mundo em mudança. Mudar as nossas escolas públicas é mais um assunto qualitativo do que de submissão. (Daniel P. Johnson, Sustaining Change in Schools. Alexandria: 2005, p. 12)