É mais do que óbvio que as coisas não mudam de um dia para o outro. Por isso é necessário que os professores mantenham a cabeça fria e dominem a impaciência nos próximos tempos.

Neste momento, a bola está do «outro lado», de onde existe a responsabilidade de dar os «sinais positivos» mínimos exigíveis.

É difícil, claro, pois a classe dos professores tem tido razoável azar com o timing das suas lutas.

  • De início, fomos o primeiro grupo a ser torpedeado pelo Governo quando ainda estava em estado de graça e ninguém contestava a sua legitimidade para «reformar» e «mudar», não se questionando o sentido e valor dessas reformas e mudanças. Ainda não tinham chegado ao ponto de ser necessário negociar e ceder.
  • Agora estamos a chegar após algumas indesejadas cedências como as que se verificaram com a localização do aeroporto e a área da Saúde. Dizem os entendidos que não é possível ao Governo ceder mais neste momento, sob risco de descrédito total.

Ou seja, fomos os primeiros a levar e não podemos ser aqueles que atiram a última pedra.

A aposta do ME vai tentar ser a de fingir que tudo está na mesma, fazendo acertos mínimos de calendário, esperando uma jogada mal feita ou precipitada dos docentes (um greve mal pensada, por exemplo) para capitalizar junto da opinião pública. Lembremo-nos do que aconteceu em 2005.

Isto é jogo de força, mas também de compassos de espera. Já me cansei de escrever que as lutas ganham-se também fora das ruas, demonstrando razões racionalmente e sabendo cativar a opinião pública e publicada.

Por isso exige-se paciência, domínio das pulsões mais básicas, que podem estar à flor da pele, mas também tornear desânimos mais rápidos. Há que construir alternativas e demonstrar que são mais válidas do que as propostas ministeriais. Esse é um trabalho positivo, essencial para a credibilização de toda a classe.

Se a Ministra surgiu sábado no Expresso a menorizar os sindicatos como interlocutores, esses sindicatos devem demonstrar o contrário e trabalhar para infirmar tais declarações. Mas, por outro lado, os professores devem demonstrar que por si mesmos são capazes de produzir alternativas que devem ser escutadas e analisadas. Apesar do distanciamento do Conselho de Escolas em relação à globalidade dos docentes, esse é um organismo que deve assumir as suas responsabilidades e não apenas defender um interesse de grupo específico no seio dos docentes. E deve se pressionado para tal.

E aqueles que se assumem como construtores de «pontes de diálogo» devem, de uma vez, decidir se querem fazer essas pontes apenas para fora, se querem colaborar com todos os outros, a larga maioria, dos seus colegas.