Segunda-feira, 10 de Março, 2008


Eu vi tanta coisa bonita…

Vi professoras grávidas de 6 e 7 meses;
Eu vi gritarem tantas vezes…

Vi professores com 39ºC de febre;
Eu vi o impedir que a corrente quebre.

Vi gente do sul, norte e centro;
Eu vi um mar de gente adentro!

Vi um professor a andar de muletas;
Eu vi os testemunhos de uma prova de estafetas!

Vi gente que já não via desde a faculdade…
Eu vi gente de toda a idade!

Vi conhecidos e amigos;
Vi abraços e sorrisos;
Vi tristezas e indignações;
Vi as lágrimas e as emoções;
Vi gritarem e fazerem silêncio:
Eu vi a coordenação e o consenso!

Vi as palmas da população:
Eu vi a sua compreensão!

Vi a beleza de uma multidão;
Eu vi a força da união!

E, no final, vi a ministra dizer,
Que fossem mil ou cem mil, não iria ceder…
E por isso, e tem tudo a ver,
Cara ministra: – O maior cego é o que não quer ver!

É… eu vi tanta coisa bonita…

Gostava apenas de dizer que não sou filiado em nenhum partido, não estou sindicalizado e não sou hooligan…
Sou apenas um professor que ama os seus alunos e ama muito a sua profissão.
Bem hajam… e o futuro há de dizer quem tem a razão.

Maurício Brito

Maioria das escolas pede adiamento do processo

“A maior parte das escolas afirma não estar em condições de avançar”, disse o presidente do Conselho das Escolas, Álvaro Almeida dos Santos.
(…)
Segundo o responsável deste órgão consultivo do Ministério da Educação (ME), as “grandes dificuldades” sentidas pelas escolas e invocadas para justificar o pedido de adiamento prendem-se com “a falta de maturação dos instrumentos, a ausência de recomendações específicas do Conselho Científico [para a Avaliação de Professores] e a complexidade de todo o processo”.
Os problemas reportados levaram o CE a requerer à tutela uma reunião extraordinária, a realizar quarta-feira, na qual vai salientar “a necessidade de serem dadas condições para o desenvolvimento mais eficaz da avaliação”.
Em declarações à Lusa, também Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), garantiu que “a grande maioria das escolas não está a avançar com o processo”.

E atrás do adiamento poderiam fazer o excelso favor de remendarem os equívocos do modelo?
Porque, repito, não é apenas um problema de calendário…

Mas ainda bem que o Conselho de Escolas dá esta hipótese ao ME para recuar, não recuando, e ser tolerante, tudo no âmbito do diálogo com «as Escolas».

Isto já contabiliza, com boa vontade, como «sinal positivo», caso seja aceite. Meio sinal, pelo menos…

Se houve texto detestável na forma como, antes da manifestação, alguém se aproveitou para ofender de forma torpe todos os professores que se iam manifestar foi este de Rangel, o Emídio.

Na altura recusei-me a comentá-lo porque o achei demasiado rasteiro, para sequer nos (in)dignarmos a responder.

Como compensação fica-nos a prosa de ontem de outro Rangel, desta vez Rui, que por sua vez escreve:

As “feridas” abertas no prestígio da ministra da Educação e na qualidade das reformas propostas e o respeito que deve merecer a classe de professores pelo seu papel insubstituível na educação e formação dos nossos filhos, exigem que o engenheiro Sócrates passe a liderar directamente uma nova era negocial, fazendo subir um patamar na importância da discussão política.

Os manuais de ciência política ensinam que não é possível fazer reformas em permanente rota de colisão e contra os interesses dos seus verdadeiros destinatários. Mas também não é aceitável que o Governo descaracterize as suas políticas, nem as decisões políticas podem ficar reféns desta contestação pública.

A equipa da senhora ministra da Educação não soube manter, em diálogo, o processo negocial e, ao deixar extremar as posições arranjou mais “um molho de brócolos” para o engenheiro Sócrates. E é pena que se tenha chegado a este ponto, porque, pela primeira vez em 30 anos, um Governo teve a coragem de mexer na Educação e na agenda das suas principais preocupações. Maria de Lurdes Rodrigues, sendo uma excelente técnica, é uma má política.

Os factos políticos aconselham que o Governo não subestime ou fique indiferente à grande massa humana que ontem desceu a Avenida da Liberdade.

Não sei se ao apelido corresponde mesmo relação familiar – sou um desconhecedor em matéria de genealogias notáveis – mas assim se prova que em todas as famílias há um pouco de tudo.

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Se a Educação tem tanto a aprender com a Economia e com os modelos da Gestão, importam-se de me explicar porque continuamos a divergir da União Europeia em quase todos os indicadores de desenvolvimento económico?

É que, mal ou bem, a Educação sempre foi ganhando uns pontitos nestes anos…

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