Se houve texto detestável na forma como, antes da manifestação, alguém se aproveitou para ofender de forma torpe todos os professores que se iam manifestar foi este de Rangel, o Emídio.

Na altura recusei-me a comentá-lo porque o achei demasiado rasteiro, para sequer nos (in)dignarmos a responder.

Como compensação fica-nos a prosa de ontem de outro Rangel, desta vez Rui, que por sua vez escreve:

As “feridas” abertas no prestígio da ministra da Educação e na qualidade das reformas propostas e o respeito que deve merecer a classe de professores pelo seu papel insubstituível na educação e formação dos nossos filhos, exigem que o engenheiro Sócrates passe a liderar directamente uma nova era negocial, fazendo subir um patamar na importância da discussão política.

Os manuais de ciência política ensinam que não é possível fazer reformas em permanente rota de colisão e contra os interesses dos seus verdadeiros destinatários. Mas também não é aceitável que o Governo descaracterize as suas políticas, nem as decisões políticas podem ficar reféns desta contestação pública.

A equipa da senhora ministra da Educação não soube manter, em diálogo, o processo negocial e, ao deixar extremar as posições arranjou mais “um molho de brócolos” para o engenheiro Sócrates. E é pena que se tenha chegado a este ponto, porque, pela primeira vez em 30 anos, um Governo teve a coragem de mexer na Educação e na agenda das suas principais preocupações. Maria de Lurdes Rodrigues, sendo uma excelente técnica, é uma má política.

Os factos políticos aconselham que o Governo não subestime ou fique indiferente à grande massa humana que ontem desceu a Avenida da Liberdade.

Não sei se ao apelido corresponde mesmo relação familiar – sou um desconhecedor em matéria de genealogias notáveis – mas assim se prova que em todas as famílias há um pouco de tudo.