No seu recente artigo na revista Atlântico (imagens mais abaixo), o Gabriel recorre a uma citação excelente de Serge Moscovici:

Qualquer um que teve oportunidade de estudar situações desse tipo sabe que os iniciadores da mudança (…) são frequentemente contrários a qualquer mudança que os afecte. Se exigem mudança aos outros é no sentido de se manterem, eles próprios, ainda mais seguros das suas posições.

Ora isto é especialmente adequado à situação na Educação (como em outras): por regra os decisores que invocam a mudança como panaceia universal para uma dada área da vida social e política raramente são afectados por essa mesma mudança.

O que não deixa de ser paradoxal.

Pode sempre alegar-se que assim, não estando directamente envolvidos no processo sobre o qual decidem, terão um maior distanciamento e objectividade.

Só concordo em parte, pois essa visão tem levado a que, por estarem afastados da esfera de influência das suas decisões, muitos actores políticos na área da Educação tenham agido no passado mais ou menos recente de forma arbitrária, meramente académica ou mesmo apenas ideológica. Quando o que se exige é uma capacidade de relacionar a teoria e os modelos com o conhecimento real do contexto onde se vão aplicar e algum pragmatismo.

Já agora, e como complemento que na minha cabeça faz algum sentido, uma citação de Giddens, guru da Terceira Via, mas apesar disso um teórico interessante:

Repetindo o que já foi dito anteriormente, uma vez entendido como capacidade transformadora, o poder encontra-se intrinsecamente relacionado com a agência humana. O “podia ter feito de outro modo” da acção constitui um elemento necessário da teoria do poder. (A. Giddens, Dualidade da Estrutura, p. 89)

E já agora, uma terceira citação, agora de Manuela Ferreira Leite (caderno de Economia do Expresso deste sábado), uma das percursoras de MLR em termos de «determinação» e «coragem»:

Modificar propostas, tomando em consideração os contributos positivos para o seu aperfeiçoamento, não é sinal de fraqueza mas de seriedade.
Um político determinado é o que tem objectivos claros de que não abdica e não deixa de o ser pelo facto de os alcançar por vias diferentes daquelas que traçou.
Este Governo está a ceder ao medo da palavra “recuo”.
Está a faltar-lhe simultaneamente humildade e grandeza para a assumir em nome do interesse do país cujo progresso muito beneficiaria se se privilegiassem mais os objectivos do que os «soundbytes».

Vindo de quem vem, e com o currículo e posições anteriores assumidas, este aviso não é para desprezar.

E agora o artigo do Gabriel de onde partiu esta associação de ideias.

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