Parece que há quem esteja preocupado com a coerência das reacções dos professores em relação ao day after da manifestação.

Não é o meu caso e já explico porquê.

Não me aflige nada que existam múltiplas ideias em confronto, das mais radicais visando acções de luta imediata às mais pacientes, esperando dar uns dias de balão de oxigénio para todos respirarem.

Aliás, acho mesmo que esta diversidade é extremamente positiva para a classe docente e, ao contrário das aparências vistas com pressa, sinal da sua vitalidade e de uma muito saudável pluralidade.

Durante anos considerou-se que os professores e educadores estavam algo apáticos e divididos, que uins iam a «reboque» dos sindicatos, que «cediam» ao Ministério em muita coisa.

De repente (ou não tanto assim) dá-se um levantamento geral e esperam que toda a gente fique a pensar de forma ordeira e pela mesma tabela?

Impossível.

O que se passa por estes dias e semanas pode ser um reencontro da classe docente com uma identidade dada como quase perdida. Foi um reencontro despoletado por reacções negativas díspares. Sem um fio condutor comum nas propostas.

So what?

E depois?

Não é este o momento de recomeçarmos a debater entre nós o Futuro? Não será mesmo esse o maior receio de um ME (pre)ocupado em decepar-nos a capacidade crítica e reflexiva?

Estamos neste momento em discussão, a debater hipóteses de prosseguir a resistências a várias políticas do ME. Isso é público e notório! E é bom!!!

Muito bom!

Com não sei quantos sindicatos e dezenas de Associações Profissionais (que mesmo assim não representam todos os docentes ou uma larga maioria) queriam um coro afinadinho?

O momento de turbulência e debate interno que se vive é um sinal extremamente positivo e demonstra que ao contrário do ME, os professores têm capacidade de discutir entre si as soluções, que têm dúvidas e não têm a certeza, antes de um verdadeiro confronto de ideias, que soluções pré-formatadas e indiscutíveis sejam o melhor caminho.

Estamos em período de brainstorming!
Até que enfim, digo eu!

Observem todos, sempre poderão aprender o que é a verdadeira «sociedade civil» a mover-se e não meia dúzia de notáveis a perorar em confrontos coreografados numa qualquer televisão perto de si!

A Democracia – a verdadeira, não a ritualizada. de mera ida às urnas de 4 em 4 anos – passa por isto! Ou já não se lembram?