Domingo, 9 de Março, 2008


No Fliscorno, que teve uma trabalheira danada e não dá hipótese… Lindo de ver!

 

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Ambos os artigos são do Público de hoje. No caso do segundo, o autor até é sociólogo com investigação obra efectivamente realizada na área da Educação. O que é uma desvantagem para se ser Ministro da Educação, independentemente da filiação partidária 8embora até tenha obras em colaboração com A. Santos Silva).

E ainda por cima desmonta de forma bem hábil os equívocos em que tem laborado este Governo e este ME  em matéria de política educacional, baseada em «ficções sobre a sociedade portuguesa» e numa «obsessão gestionária».

No caso do António Barreto, não sei se quem se apressou a transcrever um outro artigo seu o fará com este no site oficial dos «pais».

As escolas são o mais firme reduto das esquerdas e o PCP ainda é o mais forte poder instalado. (Fernando Madrinha, Expresso, 8 de Março de 2008, p. 9)

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É sempre triste ver alguém a lutar de forma denodada com os seus demónios particulares. Fernando Madrinha é um desses casos. Afinal, o PCP é um partido de docentes e não de proletários. As Escolas, até anteontem um casulo de ineptos, acomodados e atávicos, transformou-se subitamente num viveiro de militantes encrespados e tonitruantes.

As «esquerdas» estão nas Escolas e estão a comer os neurónios das nossas criancinhas, parece ser o novo mote.

Agora a sério: alguém consegue escrever isto e relê-lo sem se envergonhar?

Este homem merecia o Óscar pela melhor representação em Comédia Trágica, caso existisse tal categoria.

Porque não hão-de os professores cumprir, como todos os trabalhadores, o seu horário de trabalho? (Luiz com z, Fagundes Duarte, Deputado do PS no Sol, 8 de Março de 2008, p. 21)

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Este senhor deputado da Nação, que não devo adjectivar para não correr o risco de me cair a fúria de um Santos Silva em cima, abre com esta uma série de questões pura e simplesmente ofensivas e impróprias de um membro da Comissão de Educação do Parlamento num seu artigo de opinião publicado ontem.

A resposta é simples: fosse ele professorzeco e saberia que as 35 horas de horário lectivo e não lectivo não chegam, de de perto, nem de longe, para cobrir todo o trabalho que é feito por nós dentro e fora da Escola. Mas como os deputados são inimputáveis nestes casos, ele pode dizer isto e muito mais, culminando com um:

Professores, sei que os há. Mas na rua?

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Que os houve, houve e muito e demonstraram com o seu civismo não serem comparáveis nesse aspecto a muitos ditos «eleitos» que nenhum respeito revelam por cerca de uma centena de milhar de cidadãos. Fosse este senhor sujeito a uma avaliação do seu desempenho e a nota na relação com a comunidade seria abaixo de Insuficiente pela desnecessária e infundamentadas insinuações gratuitas.

 

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Fica por aí o artigo todo porque não tenho grande paciência para transcrever algo apresentado como revolucionário para a Educação no Expresso de sábado, por quem se declarou perfeitamente ignorante em tal matéria na 6ª à noite durante o Expresso da Meia-Noite.

Henrique Monteiro parece considerar como revolucionárias seis propostas que, com uns acertos, poderiam passar pelo programa do CDS-PP para a área educativa, cruzado com uns pós deste PS. Só não passa directamente porque a sexta proposta é demasiado reaccionária, desculpem, revolucionária.

Vejamos:

  1. Liberdade para segmentar socialmente as escolas. Alguém acredita que a liberdade de escolha acabe em algo mais do que a guetização da rede escolar, com prejuízo evidente para os «indesejáveis»? Cheque-Educação. Amanhã Henrique Monteiro adere ao CDS-PP, caso já não tenha aderido, honoris causa.
  2. Descentralização que segue exactamente o modelo da ctuyal equipa ministerial, só não explicando aquilo que considera«Comissão de Agrupamento» e se entende por «gestor» um tipo semelhante aos que levam centenas de PME’s à falência meses depois de absorvidos os subsídios europeus para as constituirem.
  3. As avaliações dos professores não são feitas pelo ME, mas Monteiro desconhece. Passariam a ser feito pelo gestor, cujo perfil não sabemos qual seria.
  4. Já agora os manuais não devem conter espaços para exercícios. Não sei muito bem, mas apresentar o sistema de ensino belga como exemplo, não me parece grande ideia. A menos que Monteiro tenha lá familiares e as coisas tenham corido bem.
  5. Exames no final de ciclo das «disciplinas fundamentais». Vá lá, não se esqueceu da História. Não divide as Ciências, é tudo ao molho.
  6. Concepção do Ensino Profissional como uma espécie de «caixote do lixo escolar», a meio caminho da entrega dos jovens não se percebe bem a quem, num modelo perfeitamente assustador.

E pronto, Henrique Monteiro apresenta a sua revolução educativa em formato digest, com a vantagem de admitir que é inaceitável por todos, incluindo qualquer pessoa, não só os papões que nomeia, mas quem quer que seja vagamente são de espírito.

Vejo de passagem José Sócrates na RTPN a fazer umas declarações algo agitadas, incorrendo em diversos erros factuais.

Resumindo, afirmou o nosso Primeiro-Ministro que:

  • As progressões na carreira dos professores têm sido automáticas, bastando apresentar um Relatório Crítico.
  • Nos últimos 20 anos nenhum professor deixou de progredir.
  • Que nos últimos 20 anos só se tem conjugado o verbo «adiar» em matéria de avaliação dos docentes.

Ora quer-me bem parecer que José Sócrates deve estar sob extrema pressão atribuível às duras funções de PM e que terá sido vítima de alguma desinformação, possivelmente mal recolhida em blogues, pois:

  • Os professores para progredirem necessitam, antes de elaborar o dito Relatório Crítico, de frequentar Acções de Formação creditadas pelo ME,  com formadores acreditados por uma instituição em que o ME delegou essas funções, sendo aprovados de acordo com regulamentação emanada do ME. Se as ditas acções foram mal aprovadas e os formadores erradamente investidos em tal função, os professores não são responsáveis por isso.
  • Nos últimos 20 anos houve professores que não progrediram mesmo assim, em diversos contextos, e ainda ontem ouvi um relato de uma dessas situações. Para além disso, o nosso PM parece desconhecer a antiga prova de acesso ao 8º escalão.
  • O Estatuto da Carreira Docente foi revisto em 1998 quando estava no Governo o PS, sendo José Sócrates um dos elementos desse Governo e não se lhe conhecendo posições públicas nessa matéria, nem então, nem depois, sobre essa forma de «adiamento» do problema. Aliás, Augusto Santos Silva, enquanto Secretário de Estado e depois Ministro da Educação estará em condições de confirmar isso mesmo ao seu antigo colega e actual superior hierárquico no Governo.

O que é lastimável é que, por razões certamente inimputáveis ao Primeiro-Ministro, estas afirmações carentes de fundamento passem como correctas em prime-time noticioso, sem que seja resposto o rigor dos factos por Fátima Campos Ferreira, ao finalizar a emissão. Ou antes de um qualquer intervalo da programação.

E é igualmente preocupante que o nosso Primeiro-Ministro possa estar a laborar num erro de apreciação de uma situação ao, sem qualquer responsabilidade, tomar como boa a informação manifestamente «incompetente» (uso o termo a que a Ministra da Educação recorreu para qualificar o esquema da avaliação mostrado no Expresso, RTP e outros órgãos de informação) que lhe terá sido fornecida por alguém.

Porque pode estar-se a tentar reparar apressadamente um erro, caindo de forma desnecessária num erro equivalente ou maior, tudo por causa da chamada «desinformação», essa coisa malévola.

Autoria variada das fotos, já lá mais abaixo indicada.

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