É interessante notar como mesmo em muitos daqueles que, nas suas intervenções, se mostram críticos dos professores e da sua forma de actuar nestas semanas – a qual tem sido irrepreensível, sabendo conjugar luta política e cumprimento dos seus deveres profissionais essenciais – muitos deles, dizia eu, não conseguem deixar de transparecer uma certa agitação, um certo entusiasmo, uma antecipação pelo dia de hoje.

Ontem no Expresso da Meia-Noite isso era visível em sorrisos mal disfarçados dos próprios moderadores, de Bettencourt Resendes, mesmo do confortável Henrique Monteiro. Mas como nesse programa, o mesmo se passou em outros.

É como se a excitação que julgavam perdida e enterrada há décadas, o que justificaria a sua conversão plena ao status quo dormente, subitamente borbulhasse de novo.

Mesmo quando não o dizem, eles querem que se passe algo. Que se passe algo que não se passou quando foram eles que andaram por estas coisas. Ou quando optaram por não andar, em nome da carreira.

E o interessante é que nem se trata de uma clivagem geracional. Quem estará hoje na rua tem a mesma idade de muitos deles. A separação foi outra.

Agora eles até querem que nós consigamos, mesmo quando não o podem afirmar.

Os que não o querem, e lembro-me de alguns opinadores colados que nem lapas ao Governo, em muitos casos não querem que outros provem que eles podiam ter conseguido e não conseguiram, acabando por desistir.

No fundo, hoje joga-se tanto o Futuro como o Passado.