Foram excedidas as expectativas, em especial as minhas que se satisfaziam com 50.000 almas a desfilar por ali. Representação fortíssima do Norte, que todos sabemos ser um reacanto temível de comunistas e outros facínoras da mesma laia.

Extremo civismo de todos. Presença policial mínima e discreta como convinha. Um momento irrepetível que exige bom senso e inteligência a todos os envolvidos.

Devem evitar-se as reacções automáticas dos protagonistas habituais.

  • O Governo e o PS que o apoia não podem fingir que isto não foi nada e que agora os professores voltarão às Escolas e tudo será como dantes.
  • Os sindicatos não podem achar que este é o balanço para voltarem a tácticas do passado e para convocarem uma greve em pleno 3º período.
  • Todos os que participaram na manifestação de forma autónoma e independente não podem pensar que aqui se esgotou a sua mobilização e que agora não há mais nada a fazer.

E o Presidente da República não pode mandar, de forma intermitente, mensagens a pedir «sinais positivos» e «respeito pelos professores» e outros recados a dar a entender que simpatiza muito com a Ministra e a sua coragem e determinação. Lá por isso, também os professores são corajosos e determinados e hoje demonstraram-no. Há que ir apara além disso e exercer o seu magistério de influência para forçar as coisas a serem desbloqueadas.

As entrevistas hoje divulgadas de Maria de Lurdes Rodrigues Expresso e RTP (assim como várias declarações na Grande Entrevista de 5ª feira) – são tudo menos sinais positivos e em várias passagens são manifestamente ofensivas para os sindicatos, em particular, e os professores, em geral: os professores que não aceitam as suas políticas são desinformados, estão incomodados com o trabalho, sentem-se perturbados com a mudança, etc, etc. Só MLR está certa, informada, nada perturbada ou incomodada.

Sei que a ideia é forçar os professores a escalarem a «luta», apostando na ausência de alternativas bem acolhidas pela opinião pública.  Para isso conta-se com alguma opinião alinhada com o poder que está e acirrada aos calcanhares dos professores: o caso do director da TSF é quase patético na forma como passou a qualificar este conflito e quanto a MSTavares nem vale a pena rebater os longos parágrafos cheios de ideias gerais e preconceitos acumulados.

Perante isso há que imaginar alternativas e não voltar a caminhos de outrora.

Hoje estiveram em Lisboa muito mais do que os professores oficialmente sindicalizados. Por certo o dobro e quase certamente o triplo. Pensem todos nisso.

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