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Ia perdendo no Público de ontem, que não comprei (pelo que a imagem não é das que aumenta para ler), um muito oportuno texto de João Freire com o título «A rua não tem sempre razão». Hoje, o Pedro L. fez-me chegar a transcrição do artigo que culmina assim:

Aos professores – meus colegas de missão -, eu desejaria que não se enganassem de alvo. O direito à opinião, à indignação e ao protesto são hoje irrecusáveis, mas, numa democracia, as grandes decisões de orientação política tomam-se através do voto de todos os cidadãos. E os cidadãos-professores têm de ter (e merecer) a autoridade e o respeito necessários para se apresentarem diariamente perante os seus alunos na sala de aula.

Isto é comovente na sua aparente candura, vindo de um vulto notável e notado do anarquismo português das últimas décadas do século XX. Como factos apenas relembraria, com base em documentos e testemunhos, que João Freire foi um dos esteios das publicações de índole anarquista dos anos 70 a inícios de 90, onde se estreou nas lides da escrita uma jovem Lurdes Rodrigues, redactora e editora, por exemplo, da revista A Ideia.

Mais tarde João Freire foi alguém que alumiou a então já socióloga Maria de Lurdes Rodrigues na sua carreira académica, orientando-lhe a própria tese de doutoramento.

Que, como se lê no Terrear, João Freire seja o autor de um estudo «técnico«científico» feito para o ME e que estaria na base do actual Estatuto da Carreira Docente é apenas mais um detalhe factual.

Conclusões sobre a interligação de todos estes factos alguém que as tire, porque a mim não me ocorre nenhuma que possa colocar em forma de escrita neste espaço.