Quinta-feira, 6 de Março, 2008


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(c) Antero Valério

E já estou aqui a pré-postar para amanhã de manhã uma encomenda que eu lhe fiz e que é uma coisa linda, linda de rir e chorar por mais. Para além de que fiquei muito mais magro. Nada como um artista para nos fazer elegantes.

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Mais informações no Resistir no Nordeste. (agradecendo a referência ao ).

Contra a Propaganda e o Ruído, o Silêncio é uma arma poderosa e impressionante, quando partilhada por muitos milhares.

Porque mais assustador do que a estridência. Porque mais inesperado. Porque já sabem(os) todos ao que vamos.

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Caríssimos colegas,

Sou, desde 1982, professora de Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro, e pertenço ao QND da Escola B 2,3 Mestre Domingos Saraiva no Algueirão.
Tenho sido sempre activa sindicalmente, encontrando-me no momento na Direcção do SPCL (Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas).

Conheço bem os sistemas de ensino da Alemanha e da Suíça, os dois países em que trabalhei longos anos.

Por isso, envio-vos aqui várias informações sobre os docentes e o ensino nos dois países, informações estas que poderão usar do modo que vos for mais útil, e onde poderão ver que os professores mais explorados da Europa, são, sem sombra de dúvida, os docentes portugueses.

Alemanha

Avaliação dos docentes:

Têm, de 6 em 6 anos, uma aula (45 minutos) assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão.

Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as assistências e não existe mais nenhuma avaliação.

Não existe nada semelhante ao nosso professor titular. Sempre gostava de saber onde foi o ME buscar tal ideia. Existem, claro, quadros de escola.

Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.

As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal, nunca durante o período de férias. Sempre achei um pouco perverso os meninos irem de férias e os professores ficarem a fazer reuniões…

Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas! Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria! Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias. Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.

As escolas não são centros de recreio nem servem para “guardar” os alunos enquanto os pais estão a trabalhar.

Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas.
Nos outros níveis começam às 8.00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano, às 17.00.

Total de dias de férias por ano lectivo: cerca de 80 (pode haver ligeiras diferenças de estado para estado)

Alunos

Claro que existem problemas de disciplina. Mas é inaudito os alunos, ou os pais dos mesmos, agredirem os professores. A agressão física de um professor por um aluno pode levar à expulsão do último.

Os trabalhos de casa existem e são para serem feitos. Absolutamente inconcebível que um encarregado de educação declare que o seu filho/filha não tem nada que fazer trabalhos de casa, como acontece, ao que sei, em Portugal.

É terminantemente proibido os alunos terem os telemóveis ligados e utilizarem-nos durante as aulas. As penas para tal são primeiro aviso aos pais, depois confiscação do telemóvel e por fim multa.

Suíça

Tal como na Alemanha, os professores só são assistidos durante o período de formação e para subida de escalão.

Durante os períodos de férias as escolas encontram-se, como na Alemanha, encerradas.

Os horários escolares são semelhantes aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, terminam cerca das 11.30.
No início das aulas os alunos cumprimentam o professor apertando-lhe a mão e despedem-se do mesmo modo. Claro que não há 28 ou 30 alunos numa classe, mas no máximo 22.

O telemóvel tem de estar desligado durante as aulas.
É dada grande importância aos trabalhos de casa. A não apresentação dos mesmos implica descida de nota final.

Total de dias de férias: cerca de 72 (pode haver diferenças de cantão para cantão) .

Vencimentos

Só uma pequena comparação … na Suíça um professor do pré-primário no topo da carreira recebe 5.200 francos mensais líquidos (cerca de 3.400 euros), mais ou menos o dobro do que vence um professor em Portugal no topo da carreira…

Caras / Caros colegas:

Espero não ter abusado da vossa paciência com a minha exposição. Porém, acho que ficou claro que, se o ensino em Portugal se encontra em péssimo estado, a culpa não é dos professores, mas sim de um ME vendido aos empresários, que tem como objective actual a quase extinção da escola pública, para que a mesma produza analfabetos funcionais, que trabalharão sem caixa médica e sem subsídio de férias, porque nem sabem o que isso é, e se souberem, não poderão reclamar porque não saberão escrever uma carta em termos…. Isto para não mencionar as massas que se entregarão à criminalidade, prostituição, etc.

Um grande abraço para todas /todos da colega

Teresa Soares

Na Sic-Notícias, António Amaral em representação da Confap tem uma intervenção perfeitamente equilibrada e louvável, sabendo fazer as distinções certas: os professores manifestam a sua insatisfação na rua mas têm continuado a fazer o seu trabalho nas Escolas. E aos pais interessa fundamentalmente este trabalho e não pronunciar-se sobre as ditas manifestações.

Palavras calmas, postura serena.

Como tudo pode ser diferente…

A Ministra da Educação considerou hoje, na entrevista dada na RTP1, que o esquema desenhado por um colega nosso e já usado no Expresso para demonstrar os meandros do processo era «incompetente» e fomentador de «desinformação».

Aguardo, pois, que seja pedido um desagravo público à revista Visão que publicou um esquema consideravelmente mais complexo do mesmo processo, conforme imagens em anexo (que convém apliar para se perceberam melhor):

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Octávio Teixeira e Paulo Rangel a malhar fortemente no Governo em matéria de Educação. Caramba, vou descansar eu.

Ambos concordam que o Governo errou ao humilhar publicamente e responsabilizar os docentes pelos erros das políticas educativas.

Não esteve mal.

Moveu-se bem nos temas, sorriu para o seu público, apresentou uma postura propiciadora do diálogo, não fomentou comportamentos perturbadores da entrevista.

Fica com um Bom que dá para progredir na carreira.

Claro, claríssimo.

Nós é que estamos desinformados, pois a «maioria dos professores» não sabe uma série de coisas que precisaria de saber. Mais exactamente 32 coisas.

Estranhamente, MLR afirmou não saber se iria à manifestação, caso fosse professora a exercer.

Nem lhe ocorreu dizer que é uma manifestação de professorzecos do Ensino Não-Superior.

Afinal os professores titulares, que progrediram na carreira de forma «automática» sempre são os mais «experientes» e «competentes». Vou comunicar isso aos meus colegas, que estão tão ou mais chateados com isto do que eu.

Pois, o problema sempre somos nós. Nós é que não nos adaptamos às mudanças na Escola Pública.

Pois, nestas últimas décadas nada mudou. Só nos últimos meses.

É sempre emocionante ouvir isto da boca de uma ex-simpatizante do anarquismo.

Mas pareceu-me ver ali uma fresta de admissão da demissão a pedido do PM.

MLR nunca seria capaz de comentar as políticas dos seus antecessores, especificamente Ana Benavente.

Agora fiquei pasmado: um professor com imensos 18’s na pauta não é melhor avaliado do que um professor cheio de 8’s, caso estes venham de 5’s e aqueles já tivessem 18. Até compreendo, mas a argumentação é estranha.

Ou seja, manter a excelência «não acrescenta valor» às aprendizagens e trabalho dos alunos.

Portanto, evitai dar 20’s pois a margem de progressão fica esgotada.

Começai a dar notinhas baixas, que é para poderem ir progredindo sempre ao longo da carreira.

A chatice é que eu só dou classificações de 1 a 5. Nem me dá para progredir ao longo dos seis anos de um escalão.

MLR amplia um equívoco já antes usado pelo ME para desviar as atenções sobre a exequibilidade do processo de avaliação, que é fazer acreditar que a avaliação não é um processo mas apenas o resultado final.

Dizer que a avaliação dos docentes só vai acontecer em 2008/09 é o mesmo que dizer que os alunos só são avaliados no 3º período.

Todo o trabalho de avaliação tem etapas e é um processo contínuo. Por isso mesmo, a avaliação começa com a construção do primeiro instrumento de observação, registo ou avaliação.

MLR considera que o esquema que se tornou sobejamente conhecido da avaliação do desempenho é uma caricatura, que é «desonesto» e «incompetente».

Em troca, apresenta um quadro com duas colunas.

Daqui a pouco já digitalizo o esquema da avaliação feito pela Visão, que é bem mais labiríntico do que aquele referido acima.

Ponto de bónus: MLR falou em «blogues».

Primeiro episódio caricato da entrevista: Maria de Lurdes Rodrigues «compreende» a insatisfação dos professores, justificando-a com o excesso de trabalho nas Escolas.

Atribui esse trabalho nas Escolas aos 32.000 novos alunos no sistema. O que corresponde a menos de 3% do corpo discente.

Leiria: Escola retira ficha que avaliava professores a partir da opinião sobre modelo de ensino

A presidente do Agrupamento de Escolas Correia Mateus, em Leiria, anunciou hoje que retirou a ficha polémica de avaliação de professores do estabelecimento, alvo de críticas pelo Bloco de Esquerda. Esperança Barcelos explicou que decidiu eliminá-la na segunda-feira à noite, pelo que o documento não será discutido no próximo conselho pedagógico da escola, agendado para 12 de Março. “Não vou levar essa ficha mas outra”, garantiu a docente.
A ficha em causa possuía um item em que os professores eram avaliados pela forma como verbalizavam a sua satisfação ou insatisfação em relação ao modelo de ensino, uma situação que foi denunciada por Francisco Louçã, no debate com José Sócrates, no Parlamento.
Após a polémica gerada, Esperança Barcelos decidiu retirar a ficha polémica para evitar “mais questões”, pelo que a reunião do conselho pedagógico irá apreciar um outro documento em que não consta esse item. A ficha inicial “foi elaborada apenas por mim”, porque essa grelha de avaliação visa “avaliar todos os professores”, inclusive os restantes do conselho executivo, explicou Esperança Barcelos. “A mim ninguém me ensina democracia”, acrescentou.

O problema é que este episódio revela os perigos das decisões unipessoais que marcarão o novo modelo de gestão escolar que o ME pretende implementar.

Escolas no Porto e em Ourém questionadas pela PSP sobre participação no protesto de sábado

A táctica é velha com este Governo e procura provocar uma reacção epidérmica a quem se sente atingido.
A ser verdade, claro que isto implicaria uma intervenção a sério de quem de Direito.
Mas como foi certamente uma brincadeira atrasada de Carnaval, é seguir em frente e ignorar.

Como com alguns comentadores que passam por aqui. Exige-se o chamado sangue de barata.

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