Chegado por mail e enviado pelo autor que também o enviou para o próprio jornal.

O Editorial do dia 5 de Março, sendo texto de opinião, não deveria dispensar de conhecer alguns factos que comenta. Opinar sobre o que se conhece mal, só por sorte atinge o centro da questão.

O Inglês “desde tenra idade”, tal como as outras actividades que ocupam os meninos até às 17:30h não são aulas, não têm presença de professores e, como tal, não representam mais trabalho e mais esforço para nenhum docente deste país. Para que perceba, não é mais escola, é um ATL do Estado, orientado por animadores a recibo verde que não precisam de ter habilitações específicas para o que fazem. Quanto ao nível remuneratório, ficava bem pagar esse trabalho pelo menos ao preço de uma empregada de limpeza. Mas isso é só uma opinião solidária de um cidadão para com os animadores.

Os professores aceitam contrariados esses prolongamentos? Só se for como cidadãos, já que profissionalmente não são chamados ao caso. Pessoalmente, tenho dúvidas metodológicas que seja óptimo manter as crianças no mesmo espaço das 8:30h até às 17:30h, e que essa massificação seja um progresso. Mas reconheço que facilita a vida a muitos pais.

Em relação às substituições, o Estatuto da Carreira Docente definiu-as como trabalho extraordinário. Como essa norma já estava em vigor quando me tornei professor, e como nem sequer me foram atribuídas horas de substituição, estou duplamente à vontade para dizer que a Lei é para todos e também abrange os patrões. Vê algum mal em que se cumpra a Lei?

Sobre os dados positivos do relatório agora publicado, seriam boas notícias se não coincidissem com as avaliações abaixo da média nos estudos da OCDE. Uma coisa é o resultado estatístico, outra coisa é o nível efectivo de conhecimentos dos alunos. Porque, em última análise, não é o professor que define os critérios para o sucesso dos alunos, mas sim o Ministério. E o que para a OCDE é medíocre pode ser perfeitamente aceitável para o Governo de Portugal. Realmente parece-me muito optimismo falar em “conquistas irreversíveis”, mas “opiniões não se discutem”.

João Oliveira, professor