Quarta-feira, 5 de Março, 2008


milhao.jpg

Uma comentadora chamou-me a atenção para o marco histórico. Mais de um milhão de entradas atingido hoje cerca das 23 horas, sendo que quase todo ele se acumulou desde 31 de Janeiro de 2006 quando comecei a escrever mais detalhadamente sobre Educação. Ontem o máximo histórico a chegar-se quase aos 25.000 acessos.

Isto roça o irreal.

A minha ortodoxa posição super-«radical» está por lá. Depois de reler o que disse, e comparando com o que alguns diabolizadores dizem de mim, só posso concluir pela minha esquizofrenia galopante.

Caldas da Rainha, quinta-feira, dia seis de Março, às 21:00 h, na Praça da República (praça da fruta): vigília de professores em defesa da Escola Pública e pela dignidade do ofício.

Camilo Lourenço no Jornal de Negócios em crónica absolutamente fora deste mundo, tenta comparar o movimento de contestação dos docentes ao que em Inglaterra opôs os mineiros a Thatcher. O paralelismo é um bocado ridículo, mas há pouco a esperar em especialistas instantâneos em tudo, em particular quando surge com um manual de Economia Para Tótós debaixo do braço. Nem vale a pena fazer mais do que citá-lo para criticá-lo pelo absoluto ridículo da «argumentação», se é que não estou a usar o termo de forma muito ampla.

O que me preocupa é que a minha filha possa ter, em Portugal, a Educação que a Economia exige. Os professores (há excepções) estão a aproveitar uma questão pessoal, a antipatia da ministra, para mascarar o verdadeiro problema: não querem ser avaliados. Porque se habituaram a viver sem terem que prestar contas pelo mau trabalho que (muitos) fazem. É essa a questão. Ponto final.

Em circunstâncias normais eu não evocaria aqui familiares de ninguém, mas como Camilo Lourenço o faz, só posso lamentar que a filha dele seja obrigada a seguir a Educação que a Economia do pai lhe ditará. A minha, assim me seja guardada alguma clarividência, seguirá aquela Educação que bem entender, Economias à parte, mais que não seja porque se a Educação em Portugal está mal, o que poderíamos dizer da Economia apesar de tão ditosos «especialistas»?

Já agora, quando é que Camilo Lourenço foi avaliado pela última vez? Ponto de Interrogação

Graças ao Paulo Tapadas, acedi a uma deliciosa crónica de hoje na Antena 1. Encontra-se aqui sob o título:

O Sr Comentador gosta da ideia de Valentim Loureiro a apoiar a Ministra da Educação.

Chegado por mail e enviado pelo autor que também o enviou para o próprio jornal.

O Editorial do dia 5 de Março, sendo texto de opinião, não deveria dispensar de conhecer alguns factos que comenta. Opinar sobre o que se conhece mal, só por sorte atinge o centro da questão.

O Inglês “desde tenra idade”, tal como as outras actividades que ocupam os meninos até às 17:30h não são aulas, não têm presença de professores e, como tal, não representam mais trabalho e mais esforço para nenhum docente deste país. Para que perceba, não é mais escola, é um ATL do Estado, orientado por animadores a recibo verde que não precisam de ter habilitações específicas para o que fazem. Quanto ao nível remuneratório, ficava bem pagar esse trabalho pelo menos ao preço de uma empregada de limpeza. Mas isso é só uma opinião solidária de um cidadão para com os animadores.

Os professores aceitam contrariados esses prolongamentos? Só se for como cidadãos, já que profissionalmente não são chamados ao caso. Pessoalmente, tenho dúvidas metodológicas que seja óptimo manter as crianças no mesmo espaço das 8:30h até às 17:30h, e que essa massificação seja um progresso. Mas reconheço que facilita a vida a muitos pais.

Em relação às substituições, o Estatuto da Carreira Docente definiu-as como trabalho extraordinário. Como essa norma já estava em vigor quando me tornei professor, e como nem sequer me foram atribuídas horas de substituição, estou duplamente à vontade para dizer que a Lei é para todos e também abrange os patrões. Vê algum mal em que se cumpra a Lei?

Sobre os dados positivos do relatório agora publicado, seriam boas notícias se não coincidissem com as avaliações abaixo da média nos estudos da OCDE. Uma coisa é o resultado estatístico, outra coisa é o nível efectivo de conhecimentos dos alunos. Porque, em última análise, não é o professor que define os critérios para o sucesso dos alunos, mas sim o Ministério. E o que para a OCDE é medíocre pode ser perfeitamente aceitável para o Governo de Portugal. Realmente parece-me muito optimismo falar em “conquistas irreversíveis”, mas “opiniões não se discutem”.

João Oliveira, professor

Cerca de 500 professores protestam contra Ministra de Educação

Foram muito perto dos 500 professores que, hoje, a partir das 18 horas, se concentraram junto à Estátua Alfredo da Silva em protesto contra as politicas do Governo em matéria de Educação.

“Está na hora, está na hora, da Ministra ir embora!” – foi a palavra de ordem mais gritada pelos professores, muitos vestidos de negro e empunhando velas.
Os professores acenaram de lenços brancos apelando, em coro, para que Ministra da Educação vá embora.
(…)
Entre os participantes neste protesto, refira-se, porque são personalidades conhecidas da vida pública, encontravam-se professores conotados com os mais diversos partidos – PCP, PS, PSD ou Bloco de Esquerda.
Mas, de facto, esta acção de protesto uniu os professores em defesa da profissão e, sem dúvida, acima de quaisquer intervenção de ordem político-partidária.
No entanto, os manifestantes na Rua Miguel Bombarda, quando se deslocavam para o edifício dos Paços do Concelho, ao passarem junto à sede da Comissão Politica Concelhia do Barreiro do Partido Socialista, na circunstância, ergueram as suas vozes, escutando-se um coro imenso de assobios e gritos : “Mentirosos! Mentirosos!”

Como estive em Setúbal, hoje prescindi da ida ao Barreiro (onde leccionei cerca de 10 anos), mas pelo que sei a minha escola mandou uma delegação numerosa, mesmo sendo de concelho vizinho.

Para neófito nestas andanças, ir a 3 manifestações em 8 dias seria demais, por muita que seja a revolta.

Dia 8 encontramo-nos todos. No meu caso pela primeira vez numa coisa destas e no fim da fila que é para ir descansando nos banquinhos da Avenida, já que não me lembro se a Buchholz fecha nos sábados à tarde.

Página seguinte »