Terça-feira, 4 de Março, 2008


Vampire Weekend, A-Punk

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(c) Antero Valério

Perto de três mil professores protestaram em Faro

Perto de três mil professores protestaram hoje em Faro contra a política educativa do Governo, numa manifestação que os organizadores garantem ter sido a maior realizada na cidade nas últimas duas décadas.

O desfile, encabeçado por Mário Nogueira, coordenador da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), decorreu nos cerca de 200 metros que separam o Teatro Municipal e o edifício da Direcção Regional da Educação (DRE) do Algarve, mas provocou enormes filas de trânsito à entrada da cidade.

Eu gostava de saber como será amanhã no Barreiro… concelho onde leccionei mais de metade da minha carreira e cujos colegas poderia ter ido até Setúbal no sábado, acho eu…

Quanto a mim, dia de semana às 18.30, não há hipóteses.

 

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Muito interessante este editorial do Público de hoje: José Manuel Fernandes parece ter finalmente percebido coisas óbvias. A última coluna é uma interesante marcha à ré relativamente à Ministra da Educação.

Porque é difícil uma pessoa não se incomodar com certas e determinadas amizades.

Eu ainda não desesperei: com jeitinho daqui por um mês, já são duas as colunas a ler com interesse nos editoriais de JMF relativamente à Educação.

Eu sei que globalmente o artigo de hoje de Vital Moreira parece igual a muitos outros.

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Mas talvez não seja.

Como estou cansado (um dia de testes, com eles em cima da mesa para ver e entregar amanhã, porque aqui o serviço é feito em 24 horas), poderia deixar como resposta suficiente este post da Grande Loja.

Mas como gosto de ser coca-bichinhos e de catar detalhes, aqui ficam dois, um em cada tom:

  • Acho que pela primeira vez, Vital Moreira não diaboliza completamente os professores e, por duas vezes, chega a conceder que têm direito a manifestar-se e defender os seus interesses. Embora se devam subordinar aos altos interesses do estado. Como antigamente, diga-se.
  • Por outro lado, Vital dá a receita estalinista para acabar com as contestações. Dividir para reinar: isolar os «radicais» e conquistar «pelo menos a compreensão dos sectores mais moderados». Acho que em Gondomar se fez isso no fim de semana.

Mas fica-me uma dúvida: eu, que no sábado passado fui à primeira concentração «corporativa» em 42 anos de vida e nunca fui militante de qualquer partido ou sindicato, serei «radical» ou «moderado»?

É que se sou «radical» não me sinto isolado. Se sou «moderado» o que têm para me oferecer? Caravelas douradas?

Presidente da CONFAP ameaça processar Paulo Guinote

Está a começar!
Eu avisara que o poder tecnoburocrático tem um exército de advogados, pagos pelo erário público, prontos a saltarem em cima de nós. Houve quem achasse exagerada a minha afirmação. Também há quem ache que não tem fundamento a minha tese de que Portugal entrou num processo, lento e gradual, quase doce e pouco perceptível, de criação de um regime de tipo novo, a que eu chamo de ditadura tecnoburocrática. Cada vez há mais evidências de que esse processo já começou e está em marcha. Caracteriza-se por uma crescente atomização das pessoas; destruição dos laços comunitários e das comunidades, sejam elas naturais ou profissionais; redução do cidadão à qualidade de indivíduo, consumidor e contribuinte; complexificação crescente da legislação e dos enquadramentos legais que gerem as organizações; criação de um clima de intimidação favorável à autocensura; interferência do Estado e das leis em todas as esferas da vida privada; redução ou eliminação da liberdade nos espaços e organismos públicos; distanciamento crescente entre a elite plutocrática e os trabalhadores e desempregados; embrutecimento das novas gerações por via da destruição de uma escola pública de qualidade.
A resistência é possível mas será prolongada. A democracia electrónica (blogs e websites, sms, etc) é uma poderosa arma de resistência à plutocracia e à ameaça da ditadura tecnoburocrática. Não é por acaso que o exército de advogados ao serviço do poder tecnoburocrata já inicou a sua investida contra os editores dos blogs.

Faz-me um favor, Albino: processa-me também!…

Albino Almeida, presidente da direcção da CONFAP, organização generosamente subsidiada pelo Ministério da Educação, terá ameaçado hoje aos microfones da TSF processar os autores dos blogues A Educação do meu Umbigo e Ensinar na Escola, que andarão, pelos vistos, a criticá-lo.
Sinto-me indignado e injustiçado com a discriminação. Não percebo por que Albino Almeida não ameaçou processar-me também. Terá sido por ele saber que eu, simplesmente, não o levaria a sério?!…
Ó Albino, cardinalíssimo: tem juízo, rapaz! Aconselha-te com o Adélio e não te exponhas ainda mais ao ridículo!…

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