Domingo, 2 de Março, 2008


Free from it all
I’m not gonna change till I want to

And I’m free it all
I’m not gonna change till I want to

By the way she looked I should’ve calmed down
I went too far
Oh thats all I got to say

Ei-lo, o grande culpado do nosso insucesso escolar!…

Na sua prelecção de hoje, e por muitas voltas que tentemos dar à coisa e se istos ou aquilos, a verdade é que Marcelo Rebelo de Sousa apontou várias coisas de forma clara:

  • A Ministra semeou os ventos que anda a colher, quando «destratou e desautorizou» os professores em busca do apoio dos «paizinhos» e outros sectores da sociedade. Os termos assinalados são as expressões usadas por MRS e não por mim.
  • Os resultados que se procuram agora apresentar poderiam ter sido muito melhores se, desde o início, a Ministra tivesse tentado ter os professores do seu lado e neste momento estão «todos» contra ela. Eu retiraria o «todos» porque ainda há por aí vários «ingénuos», uns quantos «adesivos» e uma mão-cheia de «crentes» nas virtudes da purga como método de gestão.
  • O próprio Presidente da República pediu serenidade a «todos» os elementos em presença, o que inclui a Ministra. Para MRS, nem de propósito conselheiro de Estado por escolha Pessoal de Cavaco Silva, pela primeira vez o presidente não expressou apoio à Ministra ou englobou-a claramente nos destinatários do recado. Marcelo aproveitou igualmente para se demarcar da Ministra, realçando que MLR definiu prioridades correctas, mas depois avançou mal por elas, perdendo uma oportunidade «única».
  • José Sócrates não deixará cair MLR, mantendo-a até ao fim no Governo, o que terá custos eleitorais em 2009 (coisa que, por exemplo, o intelectual vital parece não compreender). Por mim, até gosto mais desta opção, pois com esta equipa ministerial temos insatisfação garantida até ao fim, por muito que se esforcem no sentido de nos fazer sentir «confortáveis». E o que me interessa é a amudança das políticas e não das caras.
  • Lateralmente, Marcelo Rebelo de Sousa repescou ainda as inauditas declarações de Valter Lemos a propósito do  desempenho de Ana Benavente como Secretária de um Ministério que teve como titular, entre outros, o actual Ministro dos Assuntos Parlamentares, colega de governo do supracitado VL.

Para mim é acessório estarmos a tentar expurgar partes menos positivas (a eventual agressividade dos professores no Prós e Contras que «incomodou» Marcelo, acabou por ser pelo próprio justificada) do que, em boa verdade foi mais uma bela obra de demolição em prime-time.

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Os beijinhos da ministra

No primeiro dia de Março, a ministra mais contestada do Governo, Maria de Lurdes Rodrigues, foi a Gondomar falar sobre educação.

Para comentar as manifestações de milhares de professores na rua esteve indisponível. Mas para receber uma oferta das mãos do presidente da câmara, trocar dois beijinhos com Valentim Loureiro e sorrir a uma graçola do major sobre o «apito dourado» foi toda sorrisos.

Claro que a situação da educação em Portugal é séria, enquanto este episódio não passa de uma anedota. Mas fica mal a um membro do Governo expor-se a este tipo de situações.

Na prática, o presidente da câmara, que também é um dos principais arguidos num caso de corrupção desportiva, aproveitou a presença da ministra para tentar, mais uma vez, esvaziar o julgamento do «apito dourado». E Maria de Lurdes Rodrigues sorriu. (Luís Sobral, Portugal Diário)

E olhem que eu sou só mensageiro das palavras e imagens, porque qualquer dia, não sei… tenho uma criança por criar.

Pelo menos em Setúbal, a PSP, mesmo transbordando simpatia, acertou logo na «muge».

Estive a repor cerca de 20 comentários retidos indevidamente como spam. Em contrapartida, comecei a filtrar o vernáculo despropositado de um colega algo alterado.

Peço desculpa aos spamados, que foram ainda muitos (H5N1, Ana professora, Cristina F., DA, in temp oral e outros), mas em parte fui alheio ao caso.

Professor não vai ser castigado

A Direcção-Geral de Educação do Norte (DREN) não irá instaurar qualquer processo disciplinar ao professor Manuel António Cardoso, da Escola 2/3 de Ribeirão, Famalicão, que segunda-feira, no programa ‘Prós e Contas’ da RTP, acusou um inspector de sugerir que naquele estabelecimento de ensino não houvesse retenções no 9.º ano de escolaridade.

Como é habitual, em situações problemáticas, o Ministério acelera a compilação de estatísticas e despeja-as sobre a comunicação social. Felizmente, quando há um ou dois anos os jornalistas quase clonavam a mensagem ministerial, hoje notam-se abordagens variadas sobre os mesmos fenómenos, seja no Diário de Notícias, no Jornal de Notícias ou no Público (sem link, mas com imagem adiante).

Não valendo a pena estar a analisar cada uma das perspectivas concentremo-nos nos números, que o ME e o Governo querem fazer passar como enormes conquistas da sua acção (e lá concedem um ou outro elogio aos professores, com sacrifício evidente). Para o efeito incluo aqui a tabela compilada hoje no Público:

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Se tomarmos atenção aos dados e não ao ruído, percebemos que existem efectivos ganhos no Ensino Secundário, não valendo a penas esmiuçar aqui muito como algum sucesso adicional tem sido conseguido. Quem depois receber os produtos deste sucesso nas Universidades que se queixe.

Reparemos no Ensino Básico e não façamos juízos de valor para os diferentes intervalos de tempo usados:

  • Globalmente o insucesso baixou 2% de 1995/96 até 2003/04 e 1,5% desse ano até 2006-07.
  • No 1º CEB, desceu, respectivamente 3,7% e 2,3%.
  • No 2º CEB subiu ligeiramente até 2003/04 e depois perdeu 3,2%.
  • No 3º CEB desceu 0,7% e depois voltou a subir o mesmo valor.

Conclusões evidentes:

  • Apesar de não ser excepcionais, houve alguns ganhos nos últimos anos se fizermos uma média anual de progressão (mas faltam-nos anos intermédios para o primeiro período).
  • Afinal a década negra que Valter Lemos assaca aos seus predecessores também produziu ganhos em termos de combate ao insucesso.
  • O melhor desempenho nos últimos anos, em termos de Ensino Básico, deve-se ao 2º Ciclo.

Perante estes números o que parece ter concluído o Ministério da Educação?

Que é necessário reformar o currículo do 2º CEB que é aquele que demonstra maiores progressos no combate ao insucesso. Aliás, prometeu para Março isso mesmo!

Isto é vagamente lógico?

Isto não é de uma absoluta falta de senso?

Como é que o ME justifica que se deve mudar exactamente o ciclo de ensino que nos últimos 4 anos conseguiu reduzir em média 1% na taxa de insucesso (contra 0,6% no 1º CEB e 0% no 3º CEB)?

Será que a medida certa seria fazer exactamente outra coisa?

Sei lá… o inverso? Deixar o 2º CEB como está, sem o infantilizar mais e, pelo contrário, alargar o seu modelo de funcionamento? Coisa que eu até já achava, mesmo antes de ver estes números, pois como qualquer um que esteja no terreno percebe bem onde estão os problemas sem recurso a gráficos?

Ou isso seria demasiado sofisticado para as equipas de «especialistas> do ME?

Ou será que são como os especialistas que analisaram o Ensino Artístico, em que nenhum tinha qualquer conhecimento específico de tal área do ensino?

Mmmmmmmm?

Que tal não estragar exactamente a fatia que tem melhores resultados?

Boa Ideia?

Não?

Será melhor adaptar o modelo do 2º CEB ao do 1º CEB que apresenta pior evolução?

É isso?

Acham mesmo que é essa a solução?

Talvez?

Quiçá?

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Neste caso temos hoje no Público Vasco Pulido Valente em voo picado ao seu melhor nível. Uma espécie de bálsamo anti-Miguel Sousa Tavares/Paulo Baldaia/João Marcelino.

Claro que teremos sempre que contar com os fanáticos do lugar-comum, que mal ouvem ou lêem as palavras «autonomia» e «reforma» desatam a salivar retoricamente, mas esses casos já são quase perdidos que desistiram de ver além da forma.

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Daniel Sampaio, Pública, 2 de Março de 2008

Só posso dizer que é uma excelente análise, só me admirando que venha de quem caucionou, pelo menos por omissão, o Estatuto do Aluno do período guterrista-benaventista.

Espero agora que, como foi feito em ocasião anterior quando aqui se declarou suspenso o Estatuto do Aluno, o Pai da Nação faça sair um comunicado a considerar que Daniel Sampaio, ao declarar o estatuto como «morto», é um perigoso «desestabilizador profissional» das nossas Escolas.

Porque ou há coerência, ou protestam com todos.

Exmo. Sr. Director
Exmo. Sr. Provedor do Leitor/Ouvinte/Espectador
Sou um professor titular do ensino básico. Tenho 30 anos de serviço docente. Não sou nem nunca fui militante de nenhum partido político. Tenho cumprido regularmente a minha obrigação cívica e democrática de exercício do voto, tanto na escolha dos deputados nacionais, como na dos deputados europeus e municipais, de acordo com as minhas opções políticas e ideológicas e as minhas preferências partidárias.
Tenho-me sentido incomodado e ofendido pela forma superficial e pouco séria como a generalidade dos meios de comunicação social e em particular alguns jornalistas e opinion makers vêm abordando o conflito entre professores e o governo, reduzindo tudo a querelas partidárias e sindicais.
Porque a minha indignação me obriga a não calar mais, permito-me enviar a V. Exa. a carta aberta em anexo, na qual procuro esclarecer várias inverdades publicadas no DN sob a responsabilidade do seu director.
Agradeço a atenção dispensada,
Francisco José Santana Nunes dos Santos
BI 2606846
Email: fjsnsantos@gmail.com
Blogue pessoal: (Re)flexões

O sr. João Marcelino é director de um jornal centenário. Supostamente um jornal de referência e não um pasquim ao serviço de interesses particulares.

O sr. João Marcelino é um jornalista. Desconheço qual a formação académica do sr. João Marcelino e se essa formação era ou não imprescindível para aceder à profissão de jornalista. Como desconheço que formação contínua e que provas públicas é que o sr. João Marcelino teve que prestar para ir subindo na carreira, até chegar a director do DN.

 

Enquanto jornalista e director de um jornal o sr. João Marcelino emite opinião sobre imensas matérias, supostamente de interesse público e destinadas a esclarecer e informar os seus leitores.

Imaginava eu, na cândida inocência do meu meio século e mais um pouco de idade, que o sr. João Marcelino e os outros jornalistas e comentadores que nos diferentes meios de comunicação social vão formando a opinião pública, procuravam informar-se sobre as matérias das quais falam. Também imaginava que para se informar, antes de emitir julgamentos definitivos, o sr. João Marcelino lia e ouvia as diferentes partes interessadas nos assuntos que comenta.

Não me custa a perceber que o sr. João Marcelino e todos os restantes comentadores encartados tenham as suas simpatias partidárias, futebolísticas, comerciais ou outras.

Já me custa a perceber que tendo-as, finjam emitir juízos independentes e equidistantes, quando na verdade só ouvem, só lêem e só ligam às opiniões e às informações da parte que defendem.

 

Esclarecido este ponto sobre a minha visão desencantada sobre o jornalismo e os jornalistas que temos, tentarei usar de toda a paciência que a profissão docente me ajudou a cultivar para procurar iluminar as trevas do desconhecimento em que parece quererem continuar a viver.

Para tanto usarei o artigo de opinião que o sr. João Marcelino escreveu no jornal que dirige e que foi publicado no dia 1 de Março, sob o título «A AVALIAÇÃO DA MINISTRA».

 

No primeiro parágrafo o sr. João Marcelino procura demonstrar a sua independência face ao poder e o seu posicionamento imparcial. Esse exercício é tentado através da afirmação de que não convive com a ministra, mas também de que teria ouvido o seu discurso e as reacções que vem suscitando.

Convenhamos que para fundamentar uma opinião sobre o conflito entre duas partes não basta ouvir o discurso de uma das partes e ouvir que a outra parte se manifesta contra. Necessário seria ouvir também o discurso do oponente da primeira parte, o que aparentemente o sr. João Marcelino não fez.

Apesar disso o sr. João Marcelino não se coíbe de adjectivar como corporativa a reacção que reconhece estar a haver por parte de todos os professores, usando esse adjectivo com a conotação pejorativa que, na perspectiva do poder, poderá inibir uma parte da profissão de participar nos protestos.

Infelizmente para o sr. João Marcelino, para os outros coadjuvantes do poder e para o próprio poder representado pelo ME, os professores são gente com formação de nível superior (licenciatura para o ingresso na carreira e, em número significativo, mestrado ou doutoramento como formações pós-graduadas), o que lhes permite não se deixarem ludibriar com truques de propaganda para analfabetos.

Neste particular devo até reconhecer ao governo actual o mérito de ter feito nascer uma corporação que não existia no seio de uma classe profissional profundamente dividida.

 

Mais à frente o sr. João Marcelino afirma que “a contestação, que começou por ser sindical (leia-se: organizada pelo Partido Comunista Português), tem na actualidade uma dimensão geral que deve obrigar a ministra a alguma reflexão, porventura a questionar não o sentido das suas convicções mas o timing de implementação de todas as medidas que considera imprescindíveis para termos uma escola de qualidade – mais profissional e competente.”

 

Sobre esta afirmação é preciso alguma clarificação:

 

Em primeiro lugar é preciso saber a que tempo da contestação sindical o sr. João Marcelino se refere. Se fala do processo que vem decorrendo desde a aprovação do novo Estatuto da Carreira Docente, tem razão quanto à sua origem sindical, embora não possa reduzir tudo à acção do PCP. Vários sindicatos da Fenprof são de influência ou têm nas direcções muitos militantes do PS e não foi apenas essa federação a contestar o estatuto. Já se a sua referência se situa num momento mais próximo, em particular o que tem sucedido desde Janeiro deste ano, então a afirmação revela ignorância ou má fé.

É que tudo o que aconteceu desde Janeiro e em particular desde que o novo regime de gestão escolar foi posto em discussão pública ao mesmo tempo que foram publicados os regimes de avaliação docente, do ensino especial, do estatuto do aluno e do ensino artístico, nada tem a ver com sindicatos e/ou partidos.

Este foi um movimento de bases, genuinamente apartidário e assumidamente corporativo, no sentido em que as corporações devem auto-regular o exercício do ofício e a prestação do serviço que fornecem ao público que servem.

Enquanto membro activo desse movimento afirmo com orgulho que os dois primeiros objectivos estão cumpridos com pouco mais de um mês de existência – união dos professores com mobilização total de todos os sindicatos e visibilidade do movimento junto da opinião pública e da corporação dos jornalistas. Há dois meses ninguém sabia o que se passava com os professores e as escolas e hoje as nossas manifestações abrem telejornais e fazem primeira páginas e editoriais.

 

Em segundo lugar é fundamental perceber que o problema não é da ministra nem do timing da implementação das medidas. A questão que está em discussão é a das opções políticas. O verdadeiro problemas são as políticas públicas de educação propostas pelo actual governo, sob a orientação das agências internacionais, que apontam caminhos neo-liberais na retórica, neo-conservadores no articulado legislativo e cerceadores da autonomia e da qualidade do ensino e da aprendizagem, por opção economicista imposta do exterior.

 

Mais à frente o sr. João Marcelino disserta sobre o desconhecimento que os professores terão dos procedimentos de avaliação que, segundo ele, são comuns a todas as empresas. Nessa sua ânsia esclarecedora o sr. João Marcelino vai ao ponto de afirmar que: «A maior parte deles manifestamente não sabe que os objectivos individuais contra os quais se rebelam são simples adaptações de modelos técnicos que funcionam noutras actividades e praticados pelas grandes empresas especializadas na avaliação de recursos humanos.»

Infelizmente, digo eu, o verdadeiro problema é que nem ele sabe, nem os nossos governantes percebem, que os modelos de gestão e administração empresarial não são aplicáveis por simples adaptação ao universo das organizações escolares. Se o sr. João Marcelino e, antes dele, os governantes se tivessem dado ao trabalho de ler e escutar a recente investigação académica sobre administração educacional e administração escolar nunca teriam a coragem de dizer este tipo de barbaridades.

 

Parafraseando o sr. João Marcelino no parágrafo com que termina o seu artigo, atrevo-me a afirmar que «Se uma das condições para comentar a legislação que vai tutelar a avaliação dos docentes (Decreto Regulamentar n.º2/2008, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 7 de 10 de Janeiro deste ano), fosse provar conhece-la, tê-la lido e compreendido, provavelmente não haveria tanta baboseira sendo escrita e dita por comentadores encartados que fazem a opinião com que os políticos são eleitos neste país.»

É que, entre muitos aspectos mal esclarecidos no articulado do referido decreto regulamentar, subsiste uma questão ética que prejudica à partida a credibilidade do processo e que tem a ver com o facto de avaliador e avaliado serem concorrentes ao mesmo bem escasso: a atribuição da avaliação de excelência.

Esclarecendo, tomemos o exemplo de um departamento em que o avaliador necessita de uma classificação de excelente para acelerar a sua progressão na carreira e sabe que apenas haverá um excelente para atribuir ao seu departamento. Alguém se admirará que ele classifique todos os subordinados com uma notação inferior, reservando para si a menção de excelente a atribuir ao departamento?

Será que situações destas são promovidas pelas empresas privadas? É assim que funciona o sistema de avaliação de desempenho no DN, de que o sr. João Marcelino é director?

A revolta dos professores é justificada?
Mais do que justificada. Os professores têm sido enxovalhados e desacreditados no que têm de mais sagrado, a sua honorabilidade profissional.

Há medo nas escolas?
Quem o confessa é quem lá trabalha e têm-me chegado ecos desse sentimento através de professores e de gestores escolares.

O que está errado em toda esta equação: a reforma, a ministra da Educação ou os professores?
O que está errado é pretender-se fazer reformas, necessárias diga-se, sem contar com a colaboração dos professores e mesmo contra os professores. É uma ilusão pensar que isto é possível. O que esta equipa do ME, com o apoio expresso do Primeiro Ministro, anda a fazer é a desestabilizar as escolas convencida de que vai conseguir mudar o rumo da educação. Quando a situação se deteriorar completamente vão-se embora e o sistema fica pior do que estava.

Transcrição de uma uma entrevista que continua no blogue de José Manuel Silva, ao que me dizem ex-Director Regional da educação do centro já neste mandato governamental.

SISTEMA DE AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES – A MINHA POSIÇÃO

Enviado pelo Miguel Fonseca.

Os críticos dos professores acham que estamos contra este modelo de avaliação porque estaremos sempre contra qualquer modelo de avaliação. Que pegamos em detalhes para recusar, recusar, sem nunca defender nada de alternativo em concreto.

Mas talvez fosse bom – e quanto a alternativas já as aflorei em posts há algum tempo – que esses críticos tentassem reclectir sobre alguns aspectos de uma avaliação qu parece querer pretender manter os professores empermanente estágio ou ano probatório.

Digam-me, por favor, quais são as funções no sector privado que implicam apresentar todos os anos planificações de trabalho hora a hora como nos querem pedir a nós?

Só para eu entender se não serão os críticos a estar mal habituados!

Porque aos professores pede-se que façam uma planificação, aula a aula, de todo o seu trabalho anual.

No meu caso são cerca de 700 planificações de três disciplinas e duas áreas curriculares não disciplinares distintas.

Uma coisa é termos planos de trabalho, uma agenda do que se vai fazer num dia, numa semana, num mês. Esse é o nosso horário de trabalho, que já temos com as aulas que damos todos os dias, durante a semana.

Outra é querer para todas elas um plano detalhado de execução, como se tudo fosse automatizado: às 10 horas entramos, às 10.05 fazemos o sumário; às 10.10 abrimos o manual e começamos a abordar a vida na Idade Média; às 10.20 lemos o documento 2 e às 10.30 analisamos a figura 27; às 35 os alunos colocam dúvidas; ás 10.40, o professor recapitula a matéria e questiona os alunos. Tudo muito direitinho, tudo irreal, tudo absolutamente contrário a um ensino dinâmico e interactivo, atento ao que se passa a cada momento na aula.

Isto para todo um ano de trabalho, todos os anos.

  • Gostava de saber se um médico apresenta o plano do conteúdo das suas consultas, consulta a consulta.
  • Se um juiz ou advogado planificam assim a sua actividade diária.
  • Se um jornalista apresenta diariamente um plano detalhado do que fará, hora a hora.

Uma observação quase recorrente nesses críticos é que os professores nunca levantaram a voz contra o sistema anterior. Só posso falar por mim. Não levantei porque nunca me achei excelente; mas levantei contra forma de trabalhar como a que agora é proposta. E fi-lo não à mesa de um café mas durante a minha profissionalização, em trabalho entregue para a respectiva avaliação. O qual até foi bem avaliado. Com classificação que até ronda o excelente.

Porque o meu modelo de ensino não é a produção em série de autómatos, sejam eles os docentes ou os alunos.

Ministra da Educação recusa comentar manifestações de professores e apelo de Cavaco Silva

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Artigo na revista Perspectiva 

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Artigo do jornal As Beiras enviado pela Olga Quaresma.

Caro colega,

Sou professora de Inglês e Alemão da Escola Sec Campos Melo na Covilhã. Sou uma professora inconformada com o estado em que a escola se encontra. Gosto de ver a união dos professores na sua não aceitação das medidas do ME, mas vejo as fracturas, a fragmentação. Não temos um discurso afinado. Somos muitos e muito diferentes. Compreendo a avalanche de marchas de indignação e penso que são um primeiro momento de descompressão que tem de acabar. E depois? Sugiro que nos organizemos e reunamos anualmente em CONGRESSO, num Sábado. Nesse congresso – SÓ PARA PROFESSORES – faríamos as nossas intervenções com base numa dupla componente. Por um lado, dar conta de práticas diárias na escola, dar conta do que aí funciona bem ou mal e dizer porquê. Por outro, dar conta do que vai saindo em forma de livro – até do eduquês (!?) – e fazer uma leitura crítica dessas publicações. De momento, apesar dos inúmeros afazeres, incluindo a preparação da tese de mestrado, lavo a minha alma com o livro “A Lógica dos Burros”. Aqui está um bom livro a merecer reflexão conjunta. Porquê um congresso? Para, como alguém disse num dos muitos blogues de professores, criarmos uma IDENTIDADE.

Um abraço
Adélia Rocha

Adele, Daydreamer