cavaco1mar08.jpgNão me acusem de cavaquista, mas parece-me que há quem se esteja a apressar a fazer uma leitura apressada da parte em que Cavaco Silva falou em que se devia evitar tornar o clima de tensão na Educação uma questão «político-partidária».

Curiosamente, ou talvez não, eu leio a coisa num sentido diferente: Cavaco Silva parece querer que os partidos se afastem deste tipo de discussão e do movimento de contestação e com isso até concordo. Acho mesmo que a crítica se dirige ao PSD que decidiu, formalmente, apoiar ou aderir a uma greve de professores.

Ora, também acho que este movimento de contestação deve ser deixado fundamentalmente aos professores, pois ele é transversal ao espectro partidário. E terá tanto maior valor, legitimidade e impacto quanto não se deixar instrumentalizar por ninguém.

Será que não concordam com esta possível leitura?

É que o homem tende a ser algo evasivo e críptico nas suas formulações, para evitar pruridos públicos evidentes com Governo e partidos, mas acho que esta minha leitura das suas declarações não será descabida, atendendo ao contexto.