O horror do nosso ensino, da sua falsa realidade – um realismo brutal e falso – é minorar os sonhos da criança, em vez de fazer mais do que a criança compreende. É sempre preciso ir um pouco mais longe, é preciso que a criança estenda o braço e a mão para tentar apanhar a bola, mesmo que isso a ultrapasse. A grande alegria só começa quando se diz «Ainda não compreendi, mas vou compreender. Ainda não sonhei, mas vou sonhar. Ainda não desfrutei disso, mas vou desfrutar».Ao nivelar, ao fazer uma falsa democracia da mediocridade, mata-se na criança a possibilidade de ultrapassar os seus limites sociais, domésticos, pessoais e até físicos. Na universidade, talvez já seja muito tarde. A batalha essencial foi perdida. (Georges Steiner, Elogio da Transmissão – O professor e o aluno, p. 76)

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Até pode parecer algo a roçar o eduquês, mas é exactamente o seu contrário. É o apelo para a busca da excelência e da tentativa de elevar a qualidade do desempenho.

Obviamente que o principal desejo de qualquer cidadão consciente deveria ser o de melhor Escola e não necessariamente de mais Escola. Esse é o erro deste (e outros Governos). Desinvestir na qualidade (dos programas e currículos), apostar na quantidade (do número de horas a passar na escola por docentes e alunos). Trocar a hipótese de ganhos substanciais a médio-longo prazo por vantagens estatísticas de curto prazo.

A anunciada reforma do 2º CEB também parece querer trilhar o caminho de mais Escola, mas pior Escola.

Mas eu já sei que sou elitista, certamente sulista e moderadamente liberal.

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