Já abordei o assunto mas continuo fascinado e seduzido pela forma como a Confap se apressou a desmentir a suspensão da aplicação do novo Estatuto do Aluno. Em especial porque existem duas versões do preâmbulo do comunicado.

Na página de abertura da organização lê-se:

Face à desinformação que inopinadamente “caiu” nalgumas escolas e veiculadas na blogosfera, por obra e graça de conhecidos profissionais da desestabilização nos estabelecimentos de ensino, mais preocupados com a sua própria carreira profissional e manutenção de privilégios, do que garantir a qualidade do ensino, cumpre-nos informar as Associações de Pais que é uma grosseira falsidade que a aplicação do novo Estatuto do Aluno tenha sido suspensa até final do ano lectivo.

Subentende-se que:

  • Uma circular de uma DRE é desinformação «caída nas escolas».
  • Que a primeira frase não faz sentido do ponto de vista da concordância gramatical, pois não se percebe exactamente ao que se aplica o verbo «veiculadas». Não pode ser à desinformação (singular) e julga-se ser difícil que seja às «escolas», por questões de mobilidade.
  • A blogosfera é má, má, má, pior que a cobra mais venenosa das cobras venenosas e as crianças, adultos e idosos não a deveriam consultar, devido aos riscos para a saúde.
  • Existem «conhecidos profissionais da desestabilização nos estabelecimentos de ensino» (ahhhh…. o aroma disciplinar da DREN paira por aqui…) .
  • Há falsidades «grosseiras» e outras que o não serão. Deve depender de quem as diz ou publicita. No caso da afirmação de que Lei 3/2008 que não foi suspensa, apenas não se aplica antes do próximo ano lectivo quando contraria os Regulamentos Internos, ficamos sem saber se é uma não-falsidade não-grosseira se é uma verdade finérrima.
  • A Confap deve concordar com aquelas grelhas de avaliação dos docentes que previam a penalização de quem verbalizasse discordâncias com a política educativa ou o funcionamento das escolas.

Mas o estranho é que se vai ao texto do comunicado e a redacção é ligeiramente diversa:

Face à desinformação que inopinadamente “caiu” nalgumas escolas, por obra e graça de conhecidos profissionais da desestabilização nos estabelecimentos de ensino, mais preocupados com a sua própria carreira profissional e manutenção de privilégios, do que garantir a qualidade do ensino, cumpre-nos informar as Associações de Pais que é uma grosseira falsidade que a aplicação do novo Estatuto do Aluno tenha sido suspensa até final do ano lectivo.

Desapareceu o «veiculadas na blogosfera».
Porquê? É verdade que assim a frase faz mais sentido, mas algo se perde.

Os «conhecidos desestabilizadores» serão malandros carreiristas, privilegiados (e que tal se agora quem noticiou a dita suspensão exigisse à Confap que provasse o que escreveu?), docentes-bloguistas ou docentes não-bloguistas, papuas-papás, ou papuas-não-papás como na clássica tira cómica do Spirou (será do Gaston Lagaffe?) com o Fantásio a tentar adormecer o Marsupilami (que eu agora não acho aqui na minha fila de álbuns)?