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A generalidade dos professores está familiarizada com o conceito de baú pedagógico, que se difundiu bastante desde finais dos anos 80, não em exclusivo na área da História.

Agora, apesar de em alguns pontos do país já ser conhecido por muitos profissionais que trabalham em EB2/3 ou Secundárias ditas «provisórias» há décadas, generaliza-se o conceito de «contentor pedagógico», com a agravante da aplicação já não a jovens e adolescentes mas às crianças ainda da dita «tenra idade«.

A imprensa deste fim de semana aborda o tema de forma complementar: o Expresso referindo como a deslocalização de crianças de escolas encerradas ocorre sem o devido planeamento ou existência de alternativas razoáveis, enquanto o Sol revela como está em decadência o parque escolar à conta da Câmara Municipal de Lisboa que, endividada até à ponta das extensões capilares, se preocupa mais em promover um inexistente Rally Dakar (a designação Lisboa-Dakar é mais para consumo interno, que lá fora aquela é que é a designação corrente) do que em recuperar estabelecimentos de ensino.

Este tipo de notícias é tão importante como a denúncia dos atrasos do INEM, do encerramento dos SAP e das Urgências nocturnas em muitas localidades.

As consequências não são a doença ou a morte física mas andam num patamar não muito distante.

A realidade é que o fecho à bruta de escolas para exibir números tem piorado as condições de vida de muitas crianças (deslocações longas, condições precárias das novas “escolas” como se vê no caso de Torres Vedras e não só). Não vê isso só quem não quer ou fanático da mudança porque sim.

Mas mais importante, a transferência de competências para as autarquias sobre a manutenção do parque escolar tem, nas zonas mais densamente povoadas, resultados muitas vezes aquém do desejável, para não usar designação pior. Se no interior ainda se estima a velha Escola primária pelo símbolo que ela é (enquanto não a fecham) nas zonas (sub)urbanas com maior pressão demográfica e um poder local mais dado às fantochada de encher o olho, muitos equipamentos vão-se degradando progressivamente, com os responsáveis a alijarem a sua culpa para cima de outros.

Tal como Correia de Campos, saído pela porta baixa da governação, quem no ME decide e implementa esta política (julgo ser justo ao considerar que MLR apenas apõe a assinatura) só se preocupa em exibir um corte radical na rede pública de ensino básico do 1º ciclo, quantas vezes desrespeitando as Cartas Educativas já existentes. É gente que vive liofilizada, certamente com a descendência já adulta com curso em boa Universidade ou ainda em escola privada ou pública «de elite», daquelas que só não surgem nos «estudos» do ISCTE sobre práticas discriminatórias nas matrículas, porque sabem como evitar os olhares indiscretos.

É gente já sem alma, apenas preocupada com um pseudo-Sucesso estatístico e com o sucesso seu carneirismo carreirístico pessoal.

E não me venham com o argumento dos ganhos a «médio-longo prazo». É que então providenciem para que no curto não nos pareçamos tanto com o Terceiro Mundo que repugna ao Novo Homem Tecnológico.