Janeiro 2008


Terça feira, 15 de Janeiro:

Sócrates não confirma saída de secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

Sexta-feira, 25 de Janeiro:

Secretário de Estado confirma pedido de demissão

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais confirmou que pediu a sua demissão no Verão e que aguarda uma data para a sua saída. Contudo, em entrevista ao Semanário Económico, João Amaral Tomaz frisou que não tem divergências com o ministro das Finanças.

Deixem-me ver se percebo:

  • Dia 24, o SE Pedreira decide que, enquanto o CCAP não existe verdadeiramente, a sua Presidente fará tudo o que é necessário.
  • Dia 25, a dita Presidente elabora um documento de 6 pp. com recomendações que confessa com a necessária honestidade serem «genéricas», o que é bem verdade, pois as poderíamos encontrar em qualquer obra de razoável qualidade sobre este tipo de assunto.

As ditas recomendações  terminam com um parágrafo que é a antítese exacta do tipo de trabalho até agora não feito pelo inexistente CCAP e que é impossível que venha a ser feito em condições em tempo útil.

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Isto é o absoluto descalabro. Este é apenas um truque muito fraco para ganhar tempo.

Claro que o processo é complexo. Claro que o processo deve ser feito de forma participada e informada. Claro, claro, claro. Claro que não é isso que se está a passar por parte do ME, responsável único pelo desabar de um edifício que tentou criar, sem saber o que estava a fazer. Claro que isto é pura camuflagem.

Tudo isto é um remake, em matéria bem mais gravosa, do que se passou nos curtos meses de Maria do Carmo Seabra no ME.

E apesar de confirmar o que há muito vários de nós escrevem e quase todos dizemos, só posso sentir-me profundamente desgostoso com esta forma de tratar a avaliação dos docentes, que nenhuma sucessão de advérbios de modo seguida de adjectivação retumbante conseguirão expressar.

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A completa falta de civismo básico na forma da tríade-maravilha do ME tratar os professores em público ou privado já é conhecida.

Não estranho que tenha cobertura ao nível da chefia do Governo, atendendo a tudo o que sabemos sobre aquilo-que-já-não-convém-nomear.

E percebe-se que certos agentes provocadores usem este mesmo modo de linguajar para nos atacar.

Agora só acho que, fazendo a Presidência da República questão em fazer veicular para a opinião pública a forma como exerce o seu magistério de influência sobre o Governo e o «apreço» pela Ministra da Educação, devia aproveitar para, em privado e não apenas de forma semi-críptica em mensagens cerimoniais, fazer algo mais quanto à decência mínima exigível a quem ocupa cargos públicos, para que não foram eleitos mas meramente cooptados, sem que ninguém soubesse que eram estes os presentes que vinham na rifa eleitoral.

Porque quando me aparecem aqui, ou leio em outras paragens, certas sensibilidades mais delicadas a acusar os docentes de serem muito críticos, gostaria que me justificassem esta forma absolutamente rasteira de um governante se referir aos profissionais que tutela.

Porque se não há escolas sem alunos, gostaria de ver ministros ou secretários de estado da educação sem cidadãos ou sem professores.

E «professorzeco» posso ser mas em nenhum momento me baixaria ao nível deste pessoal político de refugo. Aliás, para um «professorzeco», mesmo que não titular, passar para uma secretaria de estado deste tipo só poderia ser considerada uma despromoção profundamente inqualificável.

Possível graças ao trabalho do J. M. Alves, que eu só apanhei a versão sem as apostilhas esclarecedoras.

Não sei se os discordantes do parecer serão «professorzecos» tal qual a tutela nos qualifica em reuniões com o aparelho do PS.

Uma visualização melhor consegue-se clicando com o lado direito do rato e fazendo o “Zoom In”.

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Ministério improvisa soluções para remediar atraso na avaliação

O secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, garantiu ontem ao DN que “esta sexta-feira, o mais tardar na próxima segunda-feira”, serão disponibilizadas às escolas as recomendações do Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP), tendo em vista a implementação por estas dos instrumentos de registo e indicadores de medida para a avaliação.
A diferença, face ao que estava previsto no diploma que fixou as regras para a análise do desempenho dos docentes é que as recomendações não virão do conselho de 21 elementos -que na prática ainda não existe -, mas da sua presidente: a ex-inspectora-geral da Educação, Conceição Castro Ramos.
“Houve de facto um atraso na publicação do diploma com a orgânica do conselho científico”, admitiu o secretário de Estado . “Apesar de em termos formais, essas recomendações não serem obrigatórias para que as escolas dêem início ao processo, decidiu-se que a presidente do conselho científico, em funções há vários meses, faz as recomendações”.

Quem diz 10 de Janeiro, diz 25 ou 28.
Quem diz sexta-feira, diz segunda-feira.
Quem diz que tudo está normal, diz que por «determinação superior» os prazos definidos em decreto-lei e divulgados em coiso-show espampanante não são para respeitar.
Quem diz que o CCAP vai coordenar e monitorizar o processo de avaliação dos docentes, diz que vai ser só a sua Presidente.
Quem diz que tudo isto é um processo bem planeado e rigoroso também diz que o sal nasce em árvores ou que o maior rio português é a Serra da Estrela.

Ooooooppppppsssssss, esta última foi hoje numa aula de 5º ano. Por momento confundi-me.

Agora gostava sinceramente que os defensores da accountability me explicassem como avaliam o desempenho do ME neste processo.

Ao menos os meus alunos sabem as regras da avaliação desde o início, fazem e recebem os seus elementos de avaliação nas datas aprazadas ou mesmo antes.

Mas isso é o trabalho normal, de um professor mediano.

Sondagem Gallup para o Fórum Económico Mundial

Professores são profissão em que portugueses mais confiam e a quem dariam mais poder

Os professores merecem a confiança de 42 por cento dos portugueses, muito acima dos 24 por cento que confiam nos líderes militares e da polícia, dos 20 por cento que dão a sua confiança aos jornalistas e dos 18 por cento que acreditam nos líderes religiosos.

Os políticos são os que menos têm a confiança dos portugueses, com apenas sete por cento a dizerem que confiam nesta classe.

As sondagens valem o que valem, mas valem sempre alguma coisa quando nos interessa. Se o PM quer cavalgar sondagens caseiras feitas por medida, nós podemos ficar felizes com sondagens internacionais sem interesses directos no assunto.

Muito interessante é que, embora acompanhando a tendência internacional, os portugueses confiam em média ainda mais nos professores do que os restantes inquiridos (42% contra 34%).

Gostaria agora que Maria de Lurdes Rodrigues fundamentasse em que dados baseia a sua conquista da «opinião pública» no seu conflito com os docentes. Com a esmagadora maioria dos docentes, de quem desalinham apenas alguns engomadinhos e ditadoras de paróquia.

Ou ainda melhor: o que fundamenta que o ME esteja nos últimos 3 anos a atacar sem cessar a classe docente, tentando (pelo vistos sem resultado) humilhá-la aos olhos do resto da sociedade, produzindo decreto sobre decreto no sentido de retirar-lhe toda a autonomia e poderes efectivos nas escolas, para além de tentar condicionar de forma externa a sua forma de desempenhar as suas funções.

Acrescentar a isso que os políticos são os «profissionais» pior vistos pelos portugueses é irrelevante, porque redundante. Assim como ver que os gestores/dirigentes empresarias ficam lá muito para trás.

Por fim ler o tom e conteúdo dos comentários que aqui e em outros blogues, bem como nos fóruns de sites informativos, se fazem contra os professores é a demonstração maior do calibre ético e cívico de quem os profere.

Será sempre fazendo a necessária separação das águas e das estatégias que se ganham batalhas a médio e longo prazo.

Resultados completos (com distinção país a país) em formato pdf aqui.

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