Sexta-feira, 25 de Janeiro, 2008


Já com a noite bem avançada e numa correria que faz adivinhar o pagamento de horas extraordinárias a alguma boa gente, as famigeradas grelhas surgiram finalmente no site da DGRHE.

São muitas e eu agora não estou mesmo muito virado para aí, para mais sabendo que tudo isto é uma completa ficção (i)legal.

O despacho que as aprova vem em papel do Gabinete da Ministra, mas é assinado pelo SE Pedreira. Se a isso juntarmos o anterior despacho, sobre os prazos, do SE Lemos encontramos:

  • Algum trabalho (es)forçado nas últimas horas da semana útil, para não passarem pelo vexame de falharem a palavra dada (tecnicamente ainda é dia 25).
  • Uma certa e determinada confusão das competências e atribuições de cada SE. Afinal quem tutela a DGRHE?

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Este despacho que manda remendar definidos no artigo 34º do Decreto Regulamentar 2/2008 não tem qualquer validade jurídica.

Valter Lemos já deveria saber isso depois do que aconteceu com os exames.

Dependendo do número de presentes e das intervenções se verá como será gerida a ordem de trabalhos proposta.

A ideia é sermos muito concretos com a apresentação da substância e objectivos das iniciativas já em decurso, seja o manifesto-petição que aqui tem sido promovido (manifesto1.doc), que aquele que tem servido de base ao movimento que se reuniu já nas Caldas da Rainha (manifestoc.doc).

Em seguida, e mais importante, será o debate-discussão em torno do que é possível fazer a partir de agora em termos de contestação às medidas em implementação, seja o caótico processo de avaliação, sejam as propostas de novo modelo de gestão escolar, não esquecendo ainda as feridas não saradas pela imposição do ECD ministerial.

Então até amanhã e, se forem confirmadas todas as presenças anunciadas, o auditório da Mouzinho estará bem composto.

Quem puder levar a documentação sobre estes assuntos tanto melhor, de qualquer modo eu levo o portátéle com a base de dados sobre o assunto.

eels, Saturday Morning

Professores contra arranque da avaliação do pessoal docente

A avaliação e o modelo de gestão das escolas foi o tema de um encontro que reuniu esta sexta-feira todos os presidentes dos conselhos executivos das escolas de Coimbra e arredores.

Imagens também aqui, sendo ainda interessante a notícia sobre a popularidade dos professores. Note-se que damos uma abada a quase todas as outras categorias, incluindo líderes religiosos. Muito bem, José, não te esqueças que lá em casa há uma ex-professora que eu bem conheço.

Terça feira, 15 de Janeiro:

Sócrates não confirma saída de secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

Sexta-feira, 25 de Janeiro:

Secretário de Estado confirma pedido de demissão

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais confirmou que pediu a sua demissão no Verão e que aguarda uma data para a sua saída. Contudo, em entrevista ao Semanário Económico, João Amaral Tomaz frisou que não tem divergências com o ministro das Finanças.

Deixem-me ver se percebo:

  • Dia 24, o SE Pedreira decide que, enquanto o CCAP não existe verdadeiramente, a sua Presidente fará tudo o que é necessário.
  • Dia 25, a dita Presidente elabora um documento de 6 pp. com recomendações que confessa com a necessária honestidade serem «genéricas», o que é bem verdade, pois as poderíamos encontrar em qualquer obra de razoável qualidade sobre este tipo de assunto.

As ditas recomendações  terminam com um parágrafo que é a antítese exacta do tipo de trabalho até agora não feito pelo inexistente CCAP e que é impossível que venha a ser feito em condições em tempo útil.

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Isto é o absoluto descalabro. Este é apenas um truque muito fraco para ganhar tempo.

Claro que o processo é complexo. Claro que o processo deve ser feito de forma participada e informada. Claro, claro, claro. Claro que não é isso que se está a passar por parte do ME, responsável único pelo desabar de um edifício que tentou criar, sem saber o que estava a fazer. Claro que isto é pura camuflagem.

Tudo isto é um remake, em matéria bem mais gravosa, do que se passou nos curtos meses de Maria do Carmo Seabra no ME.

E apesar de confirmar o que há muito vários de nós escrevem e quase todos dizemos, só posso sentir-me profundamente desgostoso com esta forma de tratar a avaliação dos docentes, que nenhuma sucessão de advérbios de modo seguida de adjectivação retumbante conseguirão expressar.

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A completa falta de civismo básico na forma da tríade-maravilha do ME tratar os professores em público ou privado já é conhecida.

Não estranho que tenha cobertura ao nível da chefia do Governo, atendendo a tudo o que sabemos sobre aquilo-que-já-não-convém-nomear.

E percebe-se que certos agentes provocadores usem este mesmo modo de linguajar para nos atacar.

Agora só acho que, fazendo a Presidência da República questão em fazer veicular para a opinião pública a forma como exerce o seu magistério de influência sobre o Governo e o «apreço» pela Ministra da Educação, devia aproveitar para, em privado e não apenas de forma semi-críptica em mensagens cerimoniais, fazer algo mais quanto à decência mínima exigível a quem ocupa cargos públicos, para que não foram eleitos mas meramente cooptados, sem que ninguém soubesse que eram estes os presentes que vinham na rifa eleitoral.

Porque quando me aparecem aqui, ou leio em outras paragens, certas sensibilidades mais delicadas a acusar os docentes de serem muito críticos, gostaria que me justificassem esta forma absolutamente rasteira de um governante se referir aos profissionais que tutela.

Porque se não há escolas sem alunos, gostaria de ver ministros ou secretários de estado da educação sem cidadãos ou sem professores.

E «professorzeco» posso ser mas em nenhum momento me baixaria ao nível deste pessoal político de refugo. Aliás, para um «professorzeco», mesmo que não titular, passar para uma secretaria de estado deste tipo só poderia ser considerada uma despromoção profundamente inqualificável.

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