Ministério altera prazos da avaliação de desempenho dos professores

Medida mais do que óbvia, decorrente da absoluta inexequibilidade de um sistema mal pensado a variadíssimos níveis.

Mas uma medida tão legal como a repetição dos exames de Química e Física ou a alteração, a meio do processo, dos critérios do concurso para provimento dos professores-titulares.

Já antes se enxertara a criatura ao decidir-se que, afinal, os Coordenadores de Departamentos não seriam avaliados já este ano lectivo pelos enviados da IGE. Fazer isso seria impossível com os inspectores disponíveis e obrigaria à completa paralisia da avaliação externa das Escolas.

Mesmo assim e mesmo recrutando mais umas dezenas de inspectores, continuaria a ser impossível avaliar 8000 docentes com duas centenas de avaliadores externos.

Solução: obrigar de forma ilegal as Escolas a reduzir o número dos Coordenadores de Departamento para 4 (Secundárias ou EB 2/3 não agrupadas) ou 6 (agrupamentos verticais com os 3 ciclos do Ensino Básico e pré-escolar). Assim já será vagamente imaginável uma avaliação superficial, mesmo se pouco credível para quem conheça os meandros de um processo sério de avaliação.

Quanto ao resto do povo docente, decreta-se a 10 de Janeiro que há 30 dias para colocar tudo em marcha, só que o diploma não sai acompanhado dos anexos indispensáveis para cumprir o que ele próprio determina. Pior: o Conselho Científico para a Avaliação dos Professores, que deveria produzir e certificar esses instrumentos de avaliação, é algo com a existência material do limbo.

Solução: divulgam-se umas grelhas (que certamente se adivinham de feitura cuidada) duas semanas depois, a meio do prazo que o próprio ME definiu para estar tudo em marcha e determina-se de forma «superior» que os prazos decretados em DR não são para cumprir.

Serei só eu a achar que isto se combate pela via jurídica?