Segunda-feira, 21 de Janeiro, 2008


Graças ao DA, acedi a este relato de um encontro de escolas do Norte com MLR e VL que, no fundo, faz uma síntese de tudo o que tem aparecido em catadupa nos últimos meses.

O que é extremamente grave é que já há quase dois meses tenha sido veiculada a informação seguinte:

No que respeita à avaliação, os departamentos que são relevantes são os do concurso, não os das escolas (se forem mais do que aqueles).

Esta indicação é obviamente abusiva e especialmente grave partindo dos governantes responsáveis pela publicação das leis cujo desrespeito explicitamente prescrevem.

Isto é mesmo, mas mesmo muito, muitíssimo, grave.

Alguém com responsabilidade está com um mínimo de atenção a isto?

É admissível que uma Ministra recomende a aplicação de regras não legisladas, evocando para o efeito leis por si assinadas que claramente dizem algo diferente?

Encontra-se em alguns dos textos incluídos na actual edição do Correio da Educação. O meu contributo foi este. Longo e palavroso como de costume.

Entretanto aqui fica também um texto do colega Mário Machaqueiro, com a posição do seu Departamento Curricular sobre toda esta insanidade que nos cerca (mm.doc).

Por fim, e para não fazer uma dezena de post a abrir a semana, deixo registo da evolução semanal das entradas no Umbigo ao longo dos último meses, sendo de destacar que na semana terminada ontem foi atingido o máximo de sempre com mais de 22.500 acessos, o que significa mais de 3.000 entradas diárias, incluindo fins de semana.

[retirei daqui o gráfico da evolução das entradas no blogue, porque aparentemente feriu sensibilidades e causou pelo menos um desvario comentarístico. Quem sou eu para provocar úlceras a quem não percebe, desde o título do blogue, que eu não estou aqui para fingir que sou um poço de virtudes. Arre, que também a paciência se encurta com alguns ataques sem sentido.]

O que pode significar pouco, mas também pode significar que existe um número muito apreciável de colegas e não só que se mobiliza pelo menos para ler o que se vai escrevendo sobre estes assuntos (bisbilhotei as estatísticas do Terrear do J. M. Alves e também anda muito por cima dos 2.000-2500 acessos diários).

O que pode ser um bom ponto de partida para algo mais.

Com a regulamentação sobre a prova de ingresso na carreira. Já declarei que, sendo favorável à existência de uma regulação do acesso à carreira, isso deveria passar por uma rigorosa certificação dos cursos que fornecem habilitação para a docência e este não é o tipo de prova que acho mais adequada para o tipo de função em causa.

Um outro pormenor é que, estando a ser criados novos cursos especificamente para a docência mo modelo generalista, não sei bem o que farão profissionalmente todos aqueles que sejam eliminados por estas provas que colocam o patamar no 14 para a admissão.

Nem sei bem quem terá a responsabilidade por elaborar e corrigir tais provas.

Por fim, o detalhe de este ano o Diário da República estar, em matéria de leis e decretos regulamentares, quase só por nossa conta .

O SE Valter Lemos esteve hoje no concelho onde resido a inaugurar uma EB 2/3 no Poceirão.

Conta quem assistiu que, à laia de elogio e empurrão, o nóvel governante comentou para o público assistente que «com uma escola tão bonita só se podem esperar bons resultados». Ou algo parecido.

Pois.

Lá bem canta Caetano Veloso:

Não me amarra dinheiro não!
Mas os mistérios…

Não me amarra dinheiro não!
Beleza Pura!
Dinheiro não!
Beleza Pura!
Dinheiro não!
Beleza Pura!
Dinheiro Hié!

Ministra da Educação admite que novos modelos para escolas têm “riscos associados”

Se lhes juntarmos ainda a dos «casos dramáticos individuais» temos quase toda uma nova doutrina sociológica na área da Educação.

Mas o que eu gostava mesmo de saber era o que está a ser prometido às autarquias, para elas andarem tão caladinhas acerca disto, enquanto no caso das AEC houve todo aquele burburinho.

Atente-se agora nestas passagens:

“Precisamos de participar de forma activa e dar possibilidade de participação a outros agentes”, disse, afirmando ser “verdade” que a “mudança de paradigma” em curso “tem riscos”.
Contudo, a “excessiva centralização” do Ministério da Educação e a “excessiva responsabilização e envolvimento dos professores”, do modelo actual, “não responde às exigências dos dias de hoje”, disse.
Para a ministra, um maior envolvimento das autarquias na gestão das escolas não comporta riscos de partidarização.
“As autarquias hoje gerem muitos recursos, intervêm em várias áreas do interesse público e têm a consciência de que o que é importante é a prestação de um serviço público”.

Note-se o chavão – também muito visível em outros clones discursivos, subsidiados, na área da Educação – da «mudança de paradigma», do «excessivo envolvimento dos professores» e do elogio implícito ao serviço público prestado pelas autarquias.

Na prática, MLR confessa que esta mudança se destina pura e simplesmente a transferir «responsabilizações» e «envolvimento» dos professores para as autarquias.

O resto é fumaça, apenas fumaça.

finl.jpg

 Há quem ache que eu dou demasiada importância social à imagem do professor, sendo que o que interessa são mesmo só as condições materiais relacionadas com o exerfcício da docência.

Mas não deixa de ser curioso que na Finlândia, modelo agora em uso para copiar de tudo um pouco como resultado do seu domínio nos testes PISA, o aspecto essencial que é destacado em relação à atractibilidade da profissão de professor é o seu prestígio social.

E na formação dos docentes é essencial «reflectir sobre a sua prática, confrontá-la com os modelos pedagógicos existentes, para finalmente erguer aind amais esta reflexão e construir uma ética do ofício». O que é, em outras palavras, a liberdade de reflectir sobre o seu ofício, em termos éticos e pedagógicos, desde a sua formação e estabelecer as suas próprias opções.

Qualquer coincidência com o que se passa entre nós será merqa colincidência, pois na generalidade os casos os que formam os novos professores estão mais interessados na reprodução acrítica dos seus modelos preferidos do que numa autonomia intelectual dos seus formandos.

E quando já estão na carreira, passa a ser a tutela a desincentivar as pretensões reflexivas e críticas da classe docente, não vá alguém conseguir ver para além do nevoeiro.

Le Monde de l’Éducation, nº 365, pp. 52-54, em especial 54.

A Comissão Provisória e o Conselho Pedagógico do Agrupamento Vertical de Escolas de Gueifães merecem todo o nosso aplauso (eis a tomada de poisção comum no documento seguinte: gueifaes.pdf). Agora resta que outros se alevantem e tenham a mesma coragem.

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