Domingo, 20 de Janeiro, 2008


E ainda por cima traz imensas boas memórias dos eitis.

No próximo sábado, dia 26, entre as 10 e as 13 horas, no auditório da EB 2/3 Mouzinho da Silveira, Baixa da Banheira (margem sul do Tejo), com a colaboração do Centro de Formação do Concelho da Moita, está prevista uma reunião dos animadores de alguns dos manifestos em circulação pela blogosfera (e não só), assim como de todos aqueles que quiserem dar uma manhã para discutir aquilo que actualmente se passa em torno da Escola Pública e da Carreira Docente.

Todos os interessados são bem-vindos à discussão, independentemente de filiações ou cepticismos, sobre o que se está a fazer e, principalmente, o que podemos fazer em conjunto num futuro mais ou menos imediato. Quantos mais, melhor.

Estando asseguradas as presenças de colegas de Lisboa, da zona Oeste, das chamadas “linhas” e da margem Sul, seria importante presenças de outras zonas do país, para que houvesse uma troca de ideias ampla, nem que seja com prolongamento durante o eventual almoço nas imediações.

Uma ordem de trabalhos provisória será divulgada brevemente. Quem quiser saber como chegar ao local ou outros detalhes, basta enviar-me um mail que eu depois mando um croquis descritivo na volta do correio.

Entretanto, a lista com os blogues que divulgaram o manifesto-petição continua em actualização aqui.

Se a futura orgânica departamental prevista para agrupamentos e escolas é a que está no 200/2007, isso significa a existência de Departamentos que, em vários casos, atingirão as várias dezenas de elementos.

Isso significa que, na prática, as reuniões de Departamento acabam, ou que será sempre obrigatório usar um auditório?

Ou voltará tudo à forma antiga de reunião em grupos disciplinares, passando os respectivos representantes a ser recebidos em audiência por um ou pelos quatro únicos futuros Coordenadores de Departamento?

Na Catalunha a pressão da chegada contínua de imigrantes começa a fazer-se sentir com bastante intensidade no sistema educativo regional.

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Entre as estratégias de acolhimento estão a possibilidade de matrícula a qualquer momento do ano lectivo e a integração em grupos específicos destinados a ambientá-los ao sistema educativo e à língua, não os inserindo imediatamente nas classes regulares para não perturbar o ritmo destas, o que nem sempre parece ser encarado de forma pacífica.

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inlu2.jpgDe qualquer modo, ontem o La Vanguardia fazia um apanhado da situação e comparava com as experiências desenvolvidas em outros países europeus como a França, Inglaterra e Alemanha, permitindo conhecer as diferentes abordagens em decurso quanto a este fenómeno cada vez mais presente no nosso quotidiano (clicar nas imagens para aumentar).

Duas revistas, duas temáticas de muito interesse, com destaque para a questão das escolas confessionais, que optam por modelos de ensino claramente alternativos ao dos Estado laicos.

Na Le Monde de l’Éducation é ainda abordada a tentativa de reforma do ensino em curso em França, aspecto sempre útil para se fazerem comparações.

No caso da Sciences Humaines o novo número já em circulação é outra vez atractivo pois aborda os diferentes tipos de inteligência, em especial aquelas que estão para lá dos instrumentos de medida convencionais.

Confesso que existem formas de retratar a realidade, em particular a educativa, que me deixam seriamente a pensar que serei eu a viver num mundo alternativo e com uma sanidade mental periclitante. Não é que seja coisa completamente disparatada, mas eu quero acreditar que ainda consigo ter uma percepção minimamente rigoroisa do que se passa em meu redor.

Vamos lá esclarecendo desde logo: num país como o nosso não acho errado um sistema de colocação de professores centralizado que parta de uma listagem hierarquizada a partir de critérios transparentes. Depois, sem abusar da sorte, devem introduzir-se nesse sistema os necessários instrumentos que flexibilizem a satisfação de necessidades particulares, devidamente justificadas, de docentes e escolas. O que significa que concordava, no essencial, com o sistema anteriormente existente, mesmo sabendo que eram sempre possíveis distorções.

Agora o que me chateia mais do que moderadamente é que quem criticava esse sistema por ser “pesado” e “opaco”, agora surja em defesa de um sistema, ou melhor, de um não-sistema que desregulou tudo e destruiu qualquer hipótese de transparência nas colocações.

Pior do que isso, um “sistema” na verdadeira acepção futebolística do termo já que torna quase impossível verificar a sua equidade e justiça, se é que essas são preocupações em causa.

Mas voltemos ao essencial: o concurso anual deixou de existir e isso é bom?

ERRADO. E errado duas vezes.

  1. Errado porque continuam a existir diversos concursos anuais (e não um),
  2. E errado porque antes o concurso único tinha um procedimento e calendários reconhecíveis, mesmo para os seus críticos, e agora tem vários calendários sobrepostos que em vez de darem estabilidade, apenas instabilizam o corpo docente. Ao contrário da propaganda oficial e dos seus aderentes.

Porquê? Porque agora ninguém está verdadeiramente colocado em lado nenhum, a começar pelos professores de QZP, mas incluindo os próprios QE.

Porque em muitos agrupamentos e escolas as regras para elaboração dos horários chegam em Junho-Julho, as reuniões de “rede”, em que distribuem o númro de turmas pelos estabelecimentos de ensino se fazem na mesma altura e porque as directrizes para atribuição dos créditos horários das ACND e Direcções de Turma são definidas quantas vezes já em período de férias escolares.

Sendo que em algumas escolas foram, no último ano lectivo, dezenas os professores de QZP que estiveram quase até Agosto sem saber se teriam de concorrer para nova colocação, enquanto em outras foram os QE que estiveram sem saber se veriam ser-lhes atribuído um sempre estabilizador «horário zero».

Mas o que passa para a comunicação social é que agora está tudo estável, que as colocações são trianuais, que os corpos docentes estão mais estáveis e ronhónhó-ronhónhó. Acredita quem quer, quem lhe interessa ou quem não quer ver.

E indo em frente o novo modelo de gestão, ainda o “sistema” opaco, instabilizador e escancarado a nepotismos quase sem controle se instalará com maior força, fazendo recuar a situação – e não exagero – para cenários oitocentistas, exactamente aqueles que deram origem ao nosso atraso educativo endémico.

Mas enquanto a propaganda passar, as pessoas mais ou menos interessadas abdicarem de olhar de frente as coisas e reflectirem sobre elas, aceitando passivamente os chavões fáceis de decorar, estamos todos tramados: professores, alunos e o país em geral, entregue a um grupo de políticos esquivos, assessorados por medianos spin-doctors e adquirindo certos apoios na dita “sociedade civil”, aliança suficiente para comerem por parvos todos aqueles que se colocam a jeito.

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Mesmo se por aqui é mais o castanho das vinhas do que o verde do milho.

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