Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2008


Com a Mater Familiae:

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Agora sem a dita e já mais à vontade, julgo mesmo que há alguém em mangas curtas:

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Já sei, estou com mau feitio e o meu proverbial escasso respeito pelas hierarquias.

Aqui em tons de verde, o que me arrepia porque sou adepto do Sporting e simpatizante do Vitória de Setúbal.

E o que me dizem desta animação livresca? O Novo Mundo Tecnológico está cheio de oportunidades multimédia.

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(e alguém anda com muito tempo disponível ou então pensa que desta maneira a escápula escorre melhor pela goela dos professores)

desig.jpgUm dicionário interessante, com algumas omissões importantes e nem sempre livre de certos tiques, mas algo que gostaria de ver feito entre nós.

Claro que vou retirar uma passagem que me agrada, neste caso da entrada sobre o tema Territórios na parte que se debruça sobre as consequências de uma autonomia escolar virada para a concorrência e a lógica do mercado:

Esta autonomia local dos estabelecimentos tem como consequências:

* Uma hierarquização acrescida dos estabelecimentos públicos colocados numa situação de concorrência.

* A contrapartida inevitável à constituição nos estabelecimentos de «boas turmas» destinadas a reter os melhores alunos do sector e atrair aqueles dos sectores vizinhos, confiados a professores muitas vezes há muitos anos no estabelecimento, é a concentração das dificuldades nas outras turmas muitas vezes entregues aos últimos professores a chegar.

* Nos espaços urbanos segregados (…) onde os resultados são inferiores aos resultados pretendidos, o sub-rendimento afecta principalmente os alunos dos alunos escolarizados no sector público, e o fosso aumenta em relação aos resultados obtidos num sector privado que beneficia do desenvolvimento das tentativas de fuga das escolas públicas. (Jean-Louis Auduc, “Territoires” in Disctionnaires des inégalités scolaires. 2007, pp. 286-287)

Neste caso contra a prova de ingresso na carreira.

Para além de usarmos coletes reflectores e umas pandeiretas sinalizadoras nas visitas de estudo à moda das américas (o problema é que temos condutoras portugas em matéria de respeito dos direitos dos peões) ainda temos de ter um atestado de idoneidade para acompanhar as crianças a quem damos aulas todos os dias?

E agora já pode ir apenas um professor por cada 30 catraios nas ditas visitas de estudo?

Contra esta modernização das normas de realização e segurança das visitas de estudo, a Confap não tem opinião?

É que durante cerca de uma década eu fui guia/monitor de visitas de estudo para o ME, tendo acompanhado centenas de visitas e muitos milhares de miúdos em Lisboa e garanto-vos que é de uma absoluta irresponsabilidade colocar como aceitável um ratio de 30 crianças ou jovens por cada docente.

É pura e simplesmente uma completa falta de senso.

Adenda: No site do ME só encontro  a lei 13/2006 sobre transporte escolar.

Função pública deve perder poder de compra pelo nono ano

Fracasso das previsões da inflação leva a admitir que aumentos de 2,1 sejam ultrapassados pela subida dos preços, à semelhança do que acontece desde 2000. (Público, sem ligação)

Já sei, são os eleitores de 4 em 4 anos que fazem a avaliação, mas verdade seja dita que a avaliação do PS guterrista foi negativa e veio o PSD barrosista-santanista, que também acabou com avaliação negativa, dando lugar ao PS socrático.

O problema é que os «erros» continuaram e continuarão enquanto isto for aquilo que é, o mesmo com cores ligeiramente diferentes, danças de cadeiras nas direcções-gerais e administrações, mas fundamentalmente a mesma crença que os «erros» acabam ser por penalizar os mesmos.

E o que me chateia assim um bocado mais mesmo (daria bem 1% para não os ouvir…) é ter de aturar opinadores e especialistas – nos intervalos de serem políticos de segunda linha, assessores ou coordenadores de estudos – a perorarem de forma douta a posteriori sobre aquilo devia ter sido feito e não fizeram quando podiam.

E depois a culpa é dos interesses corporativos. Claro, dos seus interesses corporativos.

Pois alguém conhece algum congelamento dos seus vencimentos ou progressões?

E nove anos ainda não foram tempo suficiente para demonstrarem a sua competência? É que, parecendo que não, é mais de um quarto do tempo que vivemos em democracia.

E isto não é ser demagogo ou anti-democrata, é apenas observar que a culpa pelos «erros» acaba sempre ao deus-dará, com desculpas adequadamente ridículas como a que surgirá daqui por um ano, justificando os erros de agora com o facto de «não ser previsível», por exemplo, o aumento do preço do petróleo ou o clima económico recessivo internacional …

Bullocks…

Pais preferem pôr filhos a comer no café do que na cantina da escola

O fornecimento de refeições aos jardins-de-infância e escolas do Primeiro Ciclo de Penafiel está a gerar polémica. Um grupo de pais acusa a empresa contratada pela Câmara de servir o almoço gelado, de não respeitar a ementa estabelecida e de providenciar refeições de fraca qualidade. Alguns pais decidiram, por isso, pôr os filhos a almoçar nos cafés mais próximos da escola e até já circula um abaixo-assinado a exigir que a Câmara cancele o contrato com a empresa. O administrador da concessionária garante, por sua vez, que a comida é sujeita a um rigoroso controlo alimentar, explicando que na base do conflito estão os hábitos alimentares enraizados e o dedo da concorrência.

Que querem, hoje sinto-me mesmo demagógico.

Mas este será, por certo, um «caso dramático isolado» e as práticas do poder local em matéria de políticas educativas são globalmente boas e são raríssimos os casos em que se fazem poupanças em matéria de contratos para apoio aos estabelecimentos do pré-escolar e 1º CEB.

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